Projeto: Memória da Petrobras
Depoimento de Roberto Leone Caielli
Entrevistado por Márcia de Paiva
Cubatão - SP
Cubatão, 22/09/2004
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB654
Transcrito por: Maria Luiza Pereira
P/1 – Boa tarde.
R – Boa tarde.
P/1 – O senhor poderia nos dizer seu nome completo, local e data de nascimento?
R – Roberto Leone Caielli, nasci em São Paulo, 19 de abril de 1936.
P/1 – Senhor Roberto, como foi o seu ingresso na Petrobras?
R – Meu ingresso na Petrobras foi através da, da Recap; da refinaria União, que era uma refinaria particular, houve uma greve na refinaria União e como resultado dessa greve foram trocados 51 elementos para que as reivindicações fossem atendidas e fossem demitidos da Refinaria União, (Rebusa?) na época e então, eu fiz parte desses 51 elementos, e nós fomos admitidos na Petrobras. Esses 51 elementos foram espalhados pelas várias unidades da Petrobras, como: RPBC, escritório de São Paulo, terminal, a refinaria da Bahia, Relam; acho que, mais ou menos em síntese é isso, esses 51 elementos foram espalhados. Aí, nós entramos na Petrobras, isso foi em 64, foi quando entrei na Petrobras, eu fui para o Rio de Janeiro, eu e mais uns dez elementos, mais ou menos, eu fiquei na fábrica de borracha sintética, na Fabor da época, hoje Petroflex, né, alguns foram para a Reduc, Refinaria Duque de Caxias e foi assim que eu entrei na Petrobras.
P/1 – E quando o senhor veio para Cubatão?
R – Para Cubatão?
P/1 – Não, o senhor trabalhou sempre; conta um pouquinho assim só da sua trajetória. Lá do Rio, depois o senhor falou...
R – Lá do Rio, houve o golpe militar, né? Um tempo depois, mais ou menos no meio do ano, em 64, já após o golpe nós fomos demitidos da Petrobras, os 51 que tinham entrado e mais muitos elementos funcionários da Petrobras antigos, né, daí essa turma dos anistiados que existe hoje.
P/1 – E qual era a alegação para a demissão na...
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Projeto: Memória da Petrobras
Depoimento de Roberto Leone Caielli
Entrevistado por Márcia de Paiva
Cubatão - SP
Cubatão, 22/09/2004
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB654
Transcrito por: Maria Luiza Pereira
P/1 – Boa tarde.
R – Boa tarde.
P/1 – O senhor poderia nos dizer seu nome completo, local e data de nascimento?
R – Roberto Leone Caielli, nasci em São Paulo, 19 de abril de 1936.
P/1 – Senhor Roberto, como foi o seu ingresso na Petrobras?
R – Meu ingresso na Petrobras foi através da, da Recap; da refinaria União, que era uma refinaria particular, houve uma greve na refinaria União e como resultado dessa greve foram trocados 51 elementos para que as reivindicações fossem atendidas e fossem demitidos da Refinaria União, (Rebusa?) na época e então, eu fiz parte desses 51 elementos, e nós fomos admitidos na Petrobras. Esses 51 elementos foram espalhados pelas várias unidades da Petrobras, como: RPBC, escritório de São Paulo, terminal, a refinaria da Bahia, Relam; acho que, mais ou menos em síntese é isso, esses 51 elementos foram espalhados. Aí, nós entramos na Petrobras, isso foi em 64, foi quando entrei na Petrobras, eu fui para o Rio de Janeiro, eu e mais uns dez elementos, mais ou menos, eu fiquei na fábrica de borracha sintética, na Fabor da época, hoje Petroflex, né, alguns foram para a Reduc, Refinaria Duque de Caxias e foi assim que eu entrei na Petrobras.
P/1 – E quando o senhor veio para Cubatão?
R – Para Cubatão?
P/1 – Não, o senhor trabalhou sempre; conta um pouquinho assim só da sua trajetória. Lá do Rio, depois o senhor falou...
R – Lá do Rio, houve o golpe militar, né? Um tempo depois, mais ou menos no meio do ano, em 64, já após o golpe nós fomos demitidos da Petrobras, os 51 que tinham entrado e mais muitos elementos funcionários da Petrobras antigos, né, daí essa turma dos anistiados que existe hoje.
P/1 – E qual era a alegação para a demissão na época?
R – Política.
P/1 – Teve alguma... só política?
R – Política.
P/1 – Por causa do sindicato?
R – É, por causa do sindicato. Então, quando saí, aí fiquei desde 64 até 85 nós ficamos fora da Petrobras, né, trabalhando fora, trabalhei em diversos locais, já era formado e tudo, e retornamos em 85 para a Petrobras, fomos readmitidos quando houve a anistia, a primeira parte, vamos dizer assim, da anistia. Então nós retornamos ao trabalho e retornamos, a maioria do pessoal, a sua unidade de origem. A minha unidade de origem era Recap, né, que era a refinaria União. Daí foi até 90 quando a gente se aposentou definitivamente. E já tinham começado aqueles incentivos à aposentadoria, curso de aposentadoria e tudo mais, em 90 me aposentei.
P/1 – E o senhor estava trabalhando, o último posto que o senhor estava era?
R – Na Recap, no setor de programação de manutenção, (Seprog?), na Diman, né, na Divisão de Manutenção aqui na Recap, em Capuava.
P/1 – Senhor Roberto, tem alguma história marcante para o senhor nesses anos de trabalho, o que o senhor destacaria?
R – Tenho algumas, alguns episódios marcantes. Um, o primeiro, que foi a origem de tudo, de tudo isso, que foi quando a refinaria União, quando particular, né, forçou aos funcionários para que entrassem, eles queriam a gente... dependia do Sindicato dos Químicos, em Santo André, né. Santo André no ABC. E eles queriam formar um sindicato em que pudesse ser mais manobrado pelo patrão, então fundaram, como era lei na época, fundaram uma associação. Eles forçaram para que a gente entrasse nessa associação. E como conseqüência, aconteceu tudo isso, né. Eles forçaram para que a gente entrasse e depois mandaram embora, né?(riso) Foi uma situação muito triste. Um momento muito desagradável disso tudo, foi o fato de demitir, não foi o mais importante para mim, o pior de tudo foi que eles cercearam toda a nossa possibilidade profissional. Então, a pessoa que tinha sido demitida da Refinaria não conseguia emprego em empresa grande, porque eles saíam não só através de imprensa, mas eles quando tinham que dar informação à empresa, por exemplo, que a gente estava se candidatando eles davam má informação. Então eles cercearam a nossa carreira, quer dizer, hoje, quando tem alguém que tenha alguma coisa a dizer sobre os anistiados essa para mim é uma parte que toca muito e que, muita gente que é contra a gente, devia ver isso. Que não foi o fato só da gente ter saído, ter sido demitido e tudo mais, mas sim a nossa carreira foi cerceada, foi bloqueada. Eu já um profissional tinha que.. quando percebi, quando tive certeza, porque muita gente falava que isso acontecia, eu não acreditava, quando eu tive certeza eu tive que procurar outros meios de trabalhar, porque a gente tinha que trabalhar, né? Então, fui trabalhar em firma de consultoria.
P/1 – E a sua volta para a Empresa?
R - É, como eu estava falando com o rapaz ali fora, a minha época de Petrobras, aqueles 6 meses, mais ou menos, de que quando a gente saiu da União e foi para a Petrobras foi uma época da minha vida das mais gloriosas.
P/1 – Por quê? Conta um pouco.
R – Porque eu me encontrei. Além disso, eu tive certeza de que se estava defendendo alguma coisa como eu estava defendendo a Petrobras, eu estava defendendo com todas as honras e glórias. Eu senti, trabalhando lá, eu disse: “Pôxa, era isso mesmo que eu queria”. Porque na União, o que a gente defendia, por exemplo, quando a gente pediu a encampação era justamente o desenvolvimento, o progresso. A União não podia desenvolver. Ela produzia, vamos dizer, 20 mil barris diários e ela não podia desenvolver, então o que que a gente pensava: “Nós vamos ficar marcando passo aqui a vida inteira.” Então, para o bem não só da refinaria, mas para o bem do país ela tinha que se desenvolver e era esse ponto que para mim foi muito importante.
P/1 – Todo crescimento que ela possibilitava?
R – O crescimento, exatamente. Então esse foi um dos pontos importantes; estava falando sobre quando você me perguntou do retorno?
P/1 – É.
R – O retorno foi traumático. Porque nós encontramos alguns elementos que tinham sido contra a nossa greve; isto é, que furaram a greve. No retorno nós encontramos eles trabalhando lá na Recap, né, já como Petrobras. E foi difícil, não vou dizer que foi fácil e eu sou muito para frente, sabe, eu não sou de ficar me remoendo e de achando, por exemplo, quando eu fui para o Rio eu estava recém-casado. Então para muita gente era um trauma: “Pôxa, mas trabalhar no Rio, mas eu sou de São Paulo.” Para mim não. E além de tudo ter encontrado um ambiente na Petrobras bom como nós encontramos, um ambiente fantástico não só profissionalmente e de desenvolvimento, a mentalidade que era aquilo que eu esperava da Petrobras. Então, estava tudo bem, o resto a gente dava um outro jeito, né?
P/1 – Tem alguma história engraçada aqui na Petrobras, nesses anos de trabalho que o senhor gostaria de contar, pudesse contar, assim interessante que tenha lhe marcado?
R – Teve, não muito engraçadas (riso) na época do golpe, né, que a gente saiu da unidade, as tropas realmente estavam na rua, a gente foi... a gente via carro de combate, essa coisa toda que foi difícil.
P/1 – Foi marcante.
R – Foi marcante. Mas, nada que não se supere, né? Engraçado, deixa eu ver, agora assim; é tanta coisa engraçada (riso), mas a gente, agora não está caindo a ficha. Fico te devendo.
P/1 – Senhor Roberto, gostaria de perguntar o que o senhor acha da iniciativa da Petrobras e Sindicato terem feito esse projeto Memórias e se o senhor gostou de ter participado dele?
R – Gostei, como isso já é um chavão velho, você já deve ter ouvido isso não sei quantas vezes, que o Brasil é um país sem memória, né. Quantas você deve ter ouvido acho aqui, fora daqui? Acho muito bom, porque realmente não tem ou não tinha, né, e agora nós vamos ter. Eu acho uma iniciativa louvável, muito interessante, por isso é que eu me dispus a vir com muito prazer e muita satisfação.
P/1 – Queria agradecer a sua participação então, senhor Roberto. Muito Obrigada.
R – Nada.
(Fim da fita Mpet/RPBC 006)
(Fabor?)
(Seprog?)
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