Projeto: Memória Petrobras
Depoimento de Ricardo Luis da Silveira Gomes
Entrevistado por Márcia de Paiva e Priscila Cabral
Brasília, 8/2/2007
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB551
P/1: Bom dia!
R: Bom dia!
P/1: Gostaria de começar essa entrevista pedindo que o senhor nos diga seu nome completo, local e data de nascimento.
R: Ricardo Luis da Silveira Gomes, nasci em Macau, Rio Grande do Norte, 17 de março de 1964.
P/1: Ricardo, você nasceu em Rio Grande do Norte, como foi sua vinda aqui pra Brasília?
R: Eu vim pra Brasília em 1978 pra estudar.
P/1: Estudar o quê?
R: Eu vim pra morar com uma tia minha que era minha madrinha, eles tinham vindo pra Brasília em 1970 e eles não tinham filhos. Eu era afilhado dela e vim pra cá, e estou em Brasília praticamente desde essa época de 78.
P/1: E aí por aqui continuou?
R: Por aqui continuei. Trabalhei um tempo no Rio.
P/1: Foi pro Rio também?
R: Fui pro Rio quando eu entrei na Petrobras. Eu entrei no Rio de Janeiro.
P/1: Então me conta o seu ingresso na Petrobras. Como é que você chegou até a Petrobras? Você estudou?
R: Eu fiz um concurso, na época era pra fazer um curso de pós-graduação no Rio de Janeiro. Um convênio entre a Petrobras e a Universidade Federal do Rio. Eu fui pra fazer esse curso de pós-graduação lá na Ilha do Fundão. E, depois do curso, nós fomos admitidos. Eu fui admitido na Empresa em março de 1990.
P/1: Deixa eu só entender direito. Você tinha feito já um concurso pra fazer a pós-graduação?
R: É porque na época, a modalidade era você fazer um curso de pós-graduação com convênio da Petrobras com a Universidade. Mas você não era empregado ainda. Só depois do curso de formação que você era admitido na Empresa.
P/1: Depois de concluída a pós-graduação aí você já...
R: Isso. O curso começou em julho de 89, terminou em fevereiro de 19990 e nós fomos admitidos em primeiro de março de 1990.
P/1: E então o primeiro...
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Depoimento de Ricardo Luis da Silveira Gomes
Entrevistado por Márcia de Paiva e Priscila Cabral
Brasília, 8/2/2007
Realização Museu da Pessoa
Entrevista PETRO_CB551
P/1: Bom dia!
R: Bom dia!
P/1: Gostaria de começar essa entrevista pedindo que o senhor nos diga seu nome completo, local e data de nascimento.
R: Ricardo Luis da Silveira Gomes, nasci em Macau, Rio Grande do Norte, 17 de março de 1964.
P/1: Ricardo, você nasceu em Rio Grande do Norte, como foi sua vinda aqui pra Brasília?
R: Eu vim pra Brasília em 1978 pra estudar.
P/1: Estudar o quê?
R: Eu vim pra morar com uma tia minha que era minha madrinha, eles tinham vindo pra Brasília em 1970 e eles não tinham filhos. Eu era afilhado dela e vim pra cá, e estou em Brasília praticamente desde essa época de 78.
P/1: E aí por aqui continuou?
R: Por aqui continuei. Trabalhei um tempo no Rio.
P/1: Foi pro Rio também?
R: Fui pro Rio quando eu entrei na Petrobras. Eu entrei no Rio de Janeiro.
P/1: Então me conta o seu ingresso na Petrobras. Como é que você chegou até a Petrobras? Você estudou?
R: Eu fiz um concurso, na época era pra fazer um curso de pós-graduação no Rio de Janeiro. Um convênio entre a Petrobras e a Universidade Federal do Rio. Eu fui pra fazer esse curso de pós-graduação lá na Ilha do Fundão. E, depois do curso, nós fomos admitidos. Eu fui admitido na Empresa em março de 1990.
P/1: Deixa eu só entender direito. Você tinha feito já um concurso pra fazer a pós-graduação?
R: É porque na época, a modalidade era você fazer um curso de pós-graduação com convênio da Petrobras com a Universidade. Mas você não era empregado ainda. Só depois do curso de formação que você era admitido na Empresa.
P/1: Depois de concluída a pós-graduação aí você já...
R: Isso. O curso começou em julho de 89, terminou em fevereiro de 19990 e nós fomos admitidos em primeiro de março de 1990.
P/1: E então o primeiro local da Petrobras que você trabalhou foi...
R: Eu trabalhei lá no Rio, no Edise e no extinto serviço de telecomunicações, inicialmente.
P/1: Você entrou com que função?
R: Como administrador.
P/1: Como administrador já?
R: Isso.
P/1: E passou quanto tempo no Rio?
R: Na realidade eu entrei em primeiro de março. Foi na época do governo Collor. Em maio eu fui demitido. Toda nossa turma foi demitida e nós entramos na justiça e voltamos em setembro de 90. Fomos reintegrados à empresa, e eu trabalhei até março de 91.
P/1: No Rio?
R: No Rio. Aí vim cedido pra Petrobras em Brasília, Petrobras Distribuidora.
P/1: Pra BR?
R: Isso.
P/1: E com que função? Como administrador?
R: Como administrador. Isso.
P/1: Então você chegou aqui em Brasília... Você pode repetir o ano?
R: Na Petrobras em 1991.
P/1: Aqui em Brasília, na BR.
R: Isso. Primeiro de abril de 1991.
P/1: Me conta, desse primeiro tempo seu aqui em Brasília. Foi o seu retorno também pra cidade.
R: Isso.
P/1: Como é que foi também voltar e chegar aqui na BR?
R: Porque assim, eu tinha voltado, quando eu comecei a ver a vinda pra Brasília foi logo que a gente retornou pra Empresa. Nós retornamos em setembro, e levou praticamente uns quatro meses até conseguir acertar essa vinda nessa seção da Petrobras para a Petrobras Distribuidora.
P/1: Todo o processo...
R: É. Então eu trabalhei muito pouco tempo no Rio. Quando eu voltei, retornei pra Petrobras, para a Comunicação em 2002. Então, até aquela data, eu tinha um ano de Petrobras e 11 anos cedidos a Distribuidora aqui em Brasília. Eu vim pra trabalhar na área comercial. Eu trabalhava com apoio ao gerente de distrito na época.
P/1: E você pediu pra vir para Brasília ou foi por um acaso?
R: Foi por um acaso. Eu queria voltar pra Brasília, só que não havia vaga na Petrobras, no escritório. E eu comentando um dia com uma colega ela disse: “olha tem uma vaga em Brasília”. Na realidade ela tinha passado num concurso pra Câmara dos Deputados e ela comentando com uma outra colega ela disse: “olha, me deu vontade de ir pra Brasília”, ela disse: “ah tem uma vaga lá”, “não, mas eu quero ir pra Brasília pela Câmara”, “agora, eu tenho um colega que ele é de Brasília e talvez ele tenha interesse”. Foi como eu consegui. Foi por acaso.
P/2: E como é que é o seu cotidiano de trabalho na empresa?
P/1: Espera aí só um minutinho. Como é que estava a BR no momento que você pegou aqui? Quando você chegou. Como é que estava o movimento de distribuição?
R: Na época a estrutura era bem diferente da de hoje. A BR tinha na época 12 distritos de atuação. O distrito de Brasília abrangia Distrito Federal, Goiás, parte de Minas, Mato Grosso. Aí logo em seguida ela passou por uma reestruturação, e já foram, durante o período que eu estava lá, pelo menos umas quatro mudanças de estrutura. Aí, nós começamos a pegar algumas áreas que não eram daqui. Na época, extinguiu a área de Belém. A gente absorveu aqui. Manaus depois foi extinto, foi absorvido por aqui.
P/1: E dessas mudanças, qual é a sua apreciação sobre todo esse processo de mudança de distrito? Você acha que melhorou?
R: Em alguns aspectos melhorou, agora em outros eu acho que a estrutura ficou um pouco confusa. Que antigamente você tinha um gerente aqui em Brasília. Nos locais que tomava as decisões. Hoje, você tem, na BR pelo menos, você tem varias gerências. Uma está no Rio de Janeiro, a outra está aqui, então você não tem essa... Nem sempre funciona essa integração.
P/2: O seu cotidiano de trabalho na empresa, como é atualmente? Nessa área atual que você está?
R: Hoje, eu trabalho na Área de Comunicação Institucional, a nossa Regional. E a gente tem uma área muito grande de atuação, porque a gente pega toda região norte, centro-oeste e mais Minas Gerais. Então, é um trabalho assim bem...
P/1: Mas a área de comunicação da BR ou da Petrobras?
R: Da Petrobras. Eu retornei pra Petrobras em 2002. Foi quando foi criada a Gerência Regional aqui, surgiu a vaga na Petrobras, e eu retornei pra Empresa. Porque até então, eu estava cedido.
P/1: Você preferiu voltar?
R: Preferi. Até porque eu era empregado do Rio de Janeiro. A cada dois anos você passava por aquele estress de não poder... Às vezes o gerente lá não queria renovar a secção. Então você sempre ficava na expectativa de ter que voltar pro Rio.
P/1: E aí você agora então, sua função na área de comunicação é administrador também.
R: É administrador. Isso. Hoje eu trabalho com a Área de Planejamento da Comunicação Regional.
P/1: Então como que é essas funções que a Priscila perguntou do seu cotidiano?
R: Até bem pouco tempo eu trabalhava com atendimento aos projetos, como executivo de compras da região: Pará, Amapá, Tocantins, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul. Mas com a vinda de novos empregados a gente redistribuiu a área, eu fiquei com a área de planejamento, e eu ainda faço algum acompanhamento de um projeto grande que a gente tem na região do Mato Grosso do Sul. Mas é bem dinâmico e tem sempre...
P/1: E você acompanhou aqui, o que você nos conta da própria presença da BR aqui na região? Como é que você percebe? Qual a importância dela?
R: A Petrobras tem uma presença importante em Brasília. Hoje ela tem a maior participação de mercado aqui em Brasília, principalmente aqui no Distrito Federal ou na área do Plano Piloto. Ela domina o mercado, até porque ela tem a maioria dos postos, e é uma área tombada que não tem mais como surgirem novos postos.
P/1: Ah é?
R: É. Então a BR tem uma presença muito forte aqui no Distrito Federal.
P/1: Porque ela já tinha esse trabalho anterior?
R: Sim. Isso, desde a época da criação.
P/1: Como é que é esse processo? Essa área está toda tombada e a criação é limitada?
R: É. Brasília tem uma característica diferente dos outros estados, que você tem, cada área tem uma destinação específica. Quando o GDF lança uma licitação de uma área, se ela for pra posto de gasolina ela vai ser posto de gasolina, se for pra supermercado tem que ser supermercado. Então pra você mudar a destinação você tem que aprovar uma lei.
P/1: GDF é a sigla do Governo do Distrito Federal?
R: É o Governo do Distrito Federal. Isso. Então quando você tem na área do Plano Piloto, como está tombado, você não pode fazer essas modificações. Então não tem como você pegar um terreno e falar: “vou fazer um posto aqui”. Você tem que fazer de acordo como o que está destinado na lei.
P/1: Mas de qualquer forma houve um crescimento da BR nesse tempo?
R: Sim. Houve. Houve. Mas Brasília foi uma... Quando eu comecei a trabalhar,eu trabalhava acompanhando justamente a parte de vendas dos postos de gasolina. A gente acompanhava sempre do Brasil inteiro pra ver qual era a gerência regional que estava vendendo mais. Então, Brasília, antigamente, antes da desregulamentação do mercado, a regional nossa era o sétimo colocado em vendas. Depois que o mercado abriu, que desregulamentou, nós passamos a ser primeiro, segundo, disputando com Minas Gerais. São Paulo e Rio, que eram os maiores, caíram pra terceiro e quarto. Porque o mercado lá é muito mais competitivo e a atuação das pequenas distribuidoras acabou tirando venda. Quando eu saí da BR a gente ocupava um mês primeiro lugar, outro mês segundo, invertia com Minas Gerais.
P/1: Agora, trabalhando no departamento de comunicação, o senhor pode nos contar alguma coisa até da própria presença da BR e da Petrobras aqui no centro-oeste dessa região. Qual é o impacto? O que? O que o senhor também?
R: O que eu percebo assim: a Petrobras hoje, não só na região Centro-oeste, mas na região Norte também. A gente acompanha também região Norte. E tem alguns lugares que se não tiver a Petrobras lá você não tem outra distribuidora. Você não vai ter uma outra bandeira lá atuando por causa das condições de mercado. Você pega na região Norte, por exemplo, a distancia não é medida nem em quilometro. É medida em dias de barco. É a tal coisa, quando a gente absorveu Manaus, que os clientes ligavam reclamando da região Norte: “olha, eu estou a cinco dias de barco e meu preço está mais caro do que o outro que é dez dias de barco”. A gente não tinha a menor idéia do que era isso. Porque lá você não tem estrada, você tem os rios.
P/1: Então Manaus agora está...
R: Não, agora a BR centralizou tudo no Rio de Janeiro.
P/1: Ah centralizou tudo. Mas antes era...
R: Era aqui. A gente tinha uma central de pedidos aqui, que fazia todo o atendimento a região Norte e Centro-oeste.
P/1: E há algum outro trabalho que o senhor tenha noção? Também feito aqui com uma região pela Petrobras, ligada a alguma outra comunidade, ou algum impacto?
R: Não, nos temos muitos projetos na área social. Dentro dessa área que a gente conhece projetos que de comunidade não tem nada. Se não for o projeto pra Petrobras, você não...
P/1: O senhor pode contar pra gente algum?
R: Olha, eu já visitei projetos. A gente tem projetos em Minas Gerais, por exemplo. Betim, que é do lado de Belo Horizonte, que se não fosse a presença da Petrobras naquele projeto, hoje, ele talvez nem existisse. Eu acompanhei desde o começo, e é uma coisa interessante que você começa a ver, quando você acompanha antes do projeto receber o recurso da Petrobras como mudou depois.
P/1: E qual é esse projeto de Betim que você falou?
R: É o Ramacrisna.
P/1: Rama?
R: Missão Ramacrisna. É uma instituição que já tem 48 anos. Que foi fundada por um senhor, que muita gente confunde até com Ramakrishna, mas não tem nada a ver. E, depois do apoio da Petrobras, eles já conseguiram outras parcerias, que hoje o projeto já anda com mais...
P/1: E é um projeto ligado a educação?
R: É educação. Eles construíram também quadras de esportes que não tinham na comunidade. Eles têm um curso de mecânica de automóveis, que eles compraram um automóvel pra dar o curso. E eles têm uma fábrica de macarrão e uma fábrica de tela de arame pra gerar recursos pro projeto.
P/1: Interessante. Daqui do Centro-oeste?
R: Daqui do Centro-oeste a gente tem alguns projetos em Goiás. Há pouco tempo até eu fui visitar um na parte de agricultura.
P/1: Qual é o nome desse?
R: Esse, agora eu não lembro do nome exato. Eles dão treinamento para os pequenos agricultores com o manejo sustentável. Então, eles atendem pequenas propriedades em volta do... Em Goiás, Mato Grosso, aliás, Goiás, Bahia e uma parte de Minas Gerais. Mas eu visitei só o de Goiânia.
P/1: Conta um pouquinho mais desse seu cotidiano mesmo de trabalho. Como é que que é e também o que mudou nesse tempo? Desde que você entrou.
R: Pelo menos na comunicação, eu vim em 2002. A gente tinha a comunicação regional, mas a gente tinha o recurso muito escasso. E de 2002 pra hoje, assim, a cada ano a gente foi ampliando a nossa área de atuação. Principalmente na parte de projetos sociais, ambientais, que a gente atua muito na região. E principalmente depois que a Petrobras começou a fazer a seleção pública, que ela começou a ter projetos em todos os estados. Porque antigamente você tinha um... Você pega uma região como Rondônia, Acre, Roraima, esses não tem nem instituição que consiga fazer o projeto. Agora mesmo nós fomos fazer a doação ao Fundo da Infância e Adolescência, e em alguns municípios a gente tem que montar o projeto pra ele, para ele poder receber o recurso. Porque eles não têm pessoal que consiga montar um projeto, estruturar um projeto.
P/1: Municípios daqui de perto também?
R: É, uns municípios. Esse ano nos fizemos à doação a 41 municípios, alguns em torno das unidades e alguns municípios que tem histórico de prostituição infanto-juvenil. A gente apóia projetos de combate a prostituição infanto-juvenil.
P/1: Isso é bacana.
R: Tem um de Goiânia, que é o Invertendo a Rota, que a gente apoiou muito tempo, que eles...
P/1: Invertendo a Rota?
R: Invertendo a Rota. É um projeto de combate a prostituição.
P/1: E o nome é bom, né?
R: É. E Goiás tem um histórico muito grande. Eles na época, eles detectaram na região de Goiânia e nos municípios em volta, 175 pontos de prostituição infantil.
P/1: O senhor contou que preferiu voltar pra Petrobras né? Como é que o senhor apresentaria pra gente as diferenças entre trabalhar na BR e trabalhar na Petrobras?
R: Hoje, eu digo que você tem mais estrutura dentro da Petrobras. A BR com essa questão da reestruturação, que ela foi separando as áreas, tem hora que você não tem recurso. Então, na Petrobras, pelo menos na área de comunicação, você tem mais um orçamento definido, os projetos que você vai fazer. E principalmente comunicação. Na BR a comunicação é toda centralizada no Rio de Janeiro.
P/1: E aqui em Brasília? O que mudou também? Bem ou mal, do próprio escritório aqui de Brasília nesses anos que o senhor está aqui. De uma maneira geral, do prédio, da estrutura...
R: Primeiro, teve uma reforma do prédio, porque o nosso prédio era muito antigo. Muito tempo sem... Você chega até ter um ambiente que você se sente mal. Quando a gente trabalhava na comunicação, no nosso andar, nem o banheiro funcionava. E depois da reforma, e também o seguinte, hoje o prédio começou a se esvaziar durante um tempo, que ninguém dava importância ao escritório. O escritório chegou a ter... Acho que na época que eu entrei na Petrobras tinha 35, 40 empregados, chegou a ter 15, 16. E depois foi começando, novamente começaram a ver a importância de Brasília.
R: E como é que é essa importância de Brasília? O senhor pode me explicar?
P/1: Brasília, todo mundo diz que Brasília você não tem Petrobras, não tem uma unidade. Mas sim que você tem uma parte de relacionamento governamental.
P/1: Você poderia falar um pouquinho sobre essa parte?
R: Eu não conheço muito bem. Eu sei que você tem que ter o relacionamento. Porque daí, você tem os ministérios todos aqui, a Presidência da Republica, o Congresso, que influem muito no nosso trabalho. O nosso orçamento é aprovado aqui. As leis são editadas aqui. Então tem essa importância que durante um tempo foi esquecido, o escritório era meio...
P/1: O Presidente vem muito aqui?
R: Vem, vem bastante.
P/1: E o relacionamento também do escritório com o Rio, é um relacionamento direto, constante? Tem, vocês...
R: Eu não posso responder muito, porque o escritório é outra área. Nos somos da área de comunicação, Mas eles tem um relacionamento grande com o Rio de Janeiro.
P/1: Desses anos todos de trabalho o senhor saberia me contar uma história? Interessante, engraçada, algo que lhe marcado, um acontecimento extraordinário...
R: Uma historia engraçada que eu digo é que... (risos) Esse prédio é o único prédio que o elevador cai pra cima. Foi um caso engraçado que a gente estava um dia, eu trabalhava no quinto andar, e a gente ouviu um estrondo enorme. Parecia que tinha... Aí alguém disse: “o elevador caiu!”. Aí desceu todo mundo, e aquela confusão lá embaixo, e o pessoal dizendo que a moça do café estava dentro do elevador. Aí um gerente chegou: “gente, vamos fazer silêncio”. Aí: “não, eu estou ouvindo ela gritar aí dentro”. Quando abriram a porta, o elevador não estava no térreo, ele tinha subido. (risos) O pessoal estava dando manutenção e eles soltaram o contrapeso e o elevador bateu no teto. Ele bateu na casa de máquinas.
P/1: Mas não tinha ninguém?
R: Não tinha ninguém porque ele já estava parado. Como estava quebrado, ele já estava parado tinha uns 30 dias, estava em manutenção.
P/1: Estava com o pessoal próprio da manutenção.
R: E foi engraçado porque chamaram o Corpo de Bombeiros. O corpo de bombeiros chegou e isolou a área, subiram com corda, de rapel. E quando conseguiram abrir a porta lá embaixo, cadê? Estava em cima. (riso) E o rapaz da manutenção estava preso no outro elevador do lado e não conseguia falar com ninguém por causa do barulho.
P/1: Imagine. E assim, algo que tenha também lhe marcado pessoalmente? Da sua profissão, do seu trabalho...
R: Daqui do escritório?
P/1: Do escritório não, da Petrobras até como um todo, desde a sua entrada...
R: Eu diria assim, o que me marcou mais, recentemente inclusive, foi essa nossa atuação, aumentar nossa atuação na área social, ambiental. Que são projetos que você vê que se não tivesse a Petrobras ali ele não acontecia. Às vezes emociona de você ver crianças, quando a gente vai nos projetos, que não tinham nada, e depois do apoio da Petrobras o projeto passou a ter uma série de coisas. Eles não tinham mesa, cadeira, não tinham estrutura nenhuma. Isso marca muito, esses projetos sociais, assim, que são bem... E que a gente faz o acompanhamento.
P/1: Está bom. O senhor é sindicalizado?
R: Sou.
P/1: Chegou a exercer algum cargo no sindicato?
R: Não. Eu me sindicalizei quando entrei na Petrobras. Foi na época da nossa demissão, a gente se sindicalizou e...
P/1: E nesse tempo que o senhor está na casa, aqui na Empresa, como é que o senhor entendeu essa relação: Petrobras e sindicato? Mudou?
R: Aqui em Brasília a gente nunca teve um sindicato atuando. Até porque o nosso sindicato aqui hoje a base é de São Paulo. Só a Petrobras Distribuidora que tem um sindicato aqui em Brasília. Mas o nosso a gente nunca teve, está começando agora com o pessoal de São Paulo.
P/1: O pessoal de São Paulo que está vindo aqui ajudar a organizar?
R: Isso. Porque nos somos subordinados, ligados ao Sindicato de São Paulo.
P/1: Está certo. E o senhor saberia me dar uma definição sobre o que é ser petroleiro? Desse espírito do petroleiro?
R: É uma coisa assim...
P/1: Você se sente um petroleiro?
R: Me sinto, me sinto. Eu tenho orgulho de ver a marca da Petrobras. Quando a gente vai num projeto, às vezes você vai ao teatro e tem uma peça com patrocínio da Petrobras, na hora que eles anunciam dá uma... Engraçado que até minha filha ela sente isso.
P/1: Ela se sente uma petroleira?
R: Ela pequenininha uma vez, ela viu não sei o que: “olha pai, isso aqui é lá do seu trabalho, tem o BR aqui”.
P/1: A importância da marca, né?
R: É. A importância da marca. E ela tem assim até na escola mesmo ela...
(pausa)
P/1: Então, retomando a entrevista, o senhor estava falando sobre o espírito de ser petroleiro. Me dá uma definição então desse ser petroleiro no seu coração.
R: Acho que é de ter orgulho da empresa mesmo. Você falar que é uma empresa que promove o desenvolvimento do país. Hoje se a Petrobras não fosse o que é, eu não sei o que seria hoje do país.
P/1: Queria te perguntar se tem alguma outra coisa que o senhor gostaria de deixar registrado?
R: Não.
P/1: E queria terminar então a entrevista perguntando o que o senhor achou de ter participado do Projeto Memória, e se gostou de ter contribuído também com essa história?
R: Foi muito bom. Eu nem tinha... Quando a gente recebeu o correio eletrônico, porque o correio vinha dizendo do início da Petrobras. Então, eu não estou desde o início da Petrobras aqui em Brasília, mas foi muito bom.
P/1: Está Ricardo, gostaria de agradecer.
R: Talvez se eu tivesse me preparado mais, tivesse mais alguma coisa pra dizer, mas...
P/1: Gostaria de agradecer a sua participação.
R: Está ok, obrigado.
P/1: Obrigada.
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