P – Gostaria que você dissesse o seu nome completo, local e data de nascimento. R - Bom, o meu nome é Ricardo de Andrade. Sou de Campinas, nasci em Campinas, em 23 do 12 de 1972. P – Como é que você entrou no Aché, Ricardo, e quando aconteceu isso? R - Olha, posso dizer que foi até engraçado a forma pela qual eu entrei no Aché. Eu tinha na época 23 anos, quando eu tomei conhecimento do que era o Laboratório Aché. Eu estava namorando e o tio dessa minha namorada, em um bate-papo informal na casa dela, me conheceu e falou: “Puxa, eu acho que você tem condições de desenvolver um trabalho de propagandista.” Aí eu perguntei: “O que é isso?” Porque eu não sabia. Aí ele me explicou mais ou menos como é que era. Eu falei: “Poxa, legal, gostei. Se houver uma oportunidade eu gostaria de estar fazendo pelo menos um teste para ver.” E aí ele falou: “Fica tranqüilo. Quando tiver alguma coisa...” Ele era do ramo, né? Ele ficou sabendo da vaga, indicou meu nome. O supervisor me chamou para fazer as entrevistas. Só que eu era novo, né? O perfil do funcionário na época, há 5 anos atrás, eles pediam com um pouco mais de idade. Ainda hoje, se não me engano, também pedem. E eu fui. Mesmo assim, eu fui. Participei de todo o processo seletivo, fiz as entrevistas, fui continuando no processo e de 100 candidatos ficaram apenas dois. E eu fui um dos dois. E nós fizemos, é feito um dia de trabalho normal com os candidatos para saber se eles gostam do trabalho e nós também podemos identificar se este candidato está apto ou não para desenvolver essa função. Uma forma da gente conseguir pegar informações desse candidato. E eu nesse processo fui bem. Tudo tranqüilo. Participei de um dia de trabalho. Vi como é no campo o trabalho de um propagandista. Adorei. Gostei. Só que no finalzinho do dia, o gerente chamou os dois últimos candidatos, eu e um outro colega. E esse...
Continuar leituraP – Gostaria que você dissesse o seu nome completo, local e data de nascimento. R - Bom, o meu nome é Ricardo de Andrade. Sou de Campinas, nasci em Campinas, em 23 do 12 de 1972. P – Como é que você entrou no Aché, Ricardo, e quando aconteceu isso? R - Olha, posso dizer que foi até engraçado a forma pela qual eu entrei no Aché. Eu tinha na época 23 anos, quando eu tomei conhecimento do que era o Laboratório Aché. Eu estava namorando e o tio dessa minha namorada, em um bate-papo informal na casa dela, me conheceu e falou: “Puxa, eu acho que você tem condições de desenvolver um trabalho de propagandista.” Aí eu perguntei: “O que é isso?” Porque eu não sabia. Aí ele me explicou mais ou menos como é que era. Eu falei: “Poxa, legal, gostei. Se houver uma oportunidade eu gostaria de estar fazendo pelo menos um teste para ver.” E aí ele falou: “Fica tranqüilo. Quando tiver alguma coisa...” Ele era do ramo, né? Ele ficou sabendo da vaga, indicou meu nome. O supervisor me chamou para fazer as entrevistas. Só que eu era novo, né? O perfil do funcionário na época, há 5 anos atrás, eles pediam com um pouco mais de idade. Ainda hoje, se não me engano, também pedem. E eu fui. Mesmo assim, eu fui. Participei de todo o processo seletivo, fiz as entrevistas, fui continuando no processo e de 100 candidatos ficaram apenas dois. E eu fui um dos dois. E nós fizemos, é feito um dia de trabalho normal com os candidatos para saber se eles gostam do trabalho e nós também podemos identificar se este candidato está apto ou não para desenvolver essa função. Uma forma da gente conseguir pegar informações desse candidato. E eu nesse processo fui bem. Tudo tranqüilo. Participei de um dia de trabalho. Vi como é no campo o trabalho de um propagandista. Adorei. Gostei. Só que no finalzinho do dia, o gerente chamou os dois últimos candidatos, eu e um outro colega. E esse colega, na época, tinha 28 anos. E eu apenas com 23. E aí o gerente falou: “Olha, eu vou optar por ficar com o Valmir porque ele tem 28 anos e você tem 23. Então você é muito novo. Você vai ter n oportunidades e ele está dentro já de uma faixa etária que ou ele é contratado ou de repente ele já não vai mais ser, e tal.” Eu não gostei, né? Claro. Mas aceitei. Não tinha opção, né? Então, tudo bem. “Então a próxima vaga eu posso ter certeza que é minha?” Ele falou: “Não, a próxima vaga você está dentro.” E aí eu passei a ligar para ele de 15 em 15 dias (risos) perguntando como é que estava a minha vaga, quando é que eu ia entrar. E aí eu participei de mais dois processos, eles me enrolaram mais um pouquinho porque eu era novo. E com 24 anos eu entrei. P – Está certo. E aí você começou a trabalhar em que região? R - Campinas. Campinas, na cidade onde eu tenho residência. P – Onde você nasceu. E você está até hoje? R - Exato. P – Mas você trabalha na cidade inteira ou tem uma área da cidade? R - Hoje no momento, eu estou trabalhando em duas áreas. Eu trabalho no Guanabara, que é um bairro que tem uma concentração de médicos bem grande, e atuo também na Unicamp. Na faculdade da Unicamp. P – Mudou muito o dia-a-dia de propagandista de quando você entrou para hoje? R - Olha, assim, o dia-a-dia, as tarefas, as rotinas, até que é um padrão. Não mudou muito. Eu tenho de arrumar minhas amostras, eu tenho de arrumar meu carro. Elaborar os roteiros. O trabalho em si, não acho que mudou muito. Mas mudou muito o mercado aonde a gente está atuando. Então o genérico, a disputa pela receita, o problema da receita ser trocada na farmácia. Então hoje o mercado é muito mais complicado do que era há 5 anos. E não é um tempo tão grande, 5 anos, né? P – É verdade. Mas como é que você elabora esse roteiro que você estava dizendo? Uma das tarefas que você tem é montar um roteiro. Como é? R - É, o roteiro é desenvolvido a partir do momento que a gente já está conhecendo os médicos. Eu trabalho já há 4 anos no mesmo setor. Então um bom conhecimento desses médicos que eu visito, eu já tenho. Mas a gente monta o roteiro depois de captar as informações de horário de atendimento, melhor dia de atendimento, se é pela manhã, se é a tarde. E aí a gente monta o roteiro visando os horários de atendimento, a proximidade entre um consultório e outro, e dividindo as regiões. Por exemplo, o Guanabara é um bairro, até um bairro pequeno, né? Porque tem representantes que visitam várias cidades. Eu visito só um bairro. Mas mesmo dentro desse bairro, eu subdivido como em micro-setores. Para aproximar um médico do outro e agendando os horários para otimizar meu tempo. Então é montado dessa forma, visando o endereço do médico e o horário de atendimento. P – Uma média de quantas visitas diárias? R - Média de 18 visitas diárias. P – E durante esse tempo algum fato ou algum médico marcou mais? R - Olha, tem inúmeras histórias, a gente acaba até não lembrando de todas. Mas teve, eu até estava comentando há pouco com um colega, teve um fato que aconteceu comigo que eu nunca poderia imaginar que iria acontecer algo daquele tipo. Foi até muito estranho, mas aconteceu. Eu estava visitando uma médica em um pronto socorro, e o médico de pronto socorro é... É um trabalho corrido, é desgastante. E aí eu falando com a médica, percebi que ela estava com um olhar meio pálido, assim. Sabe quando a pessoa está... Não estava bem, eu percebi que ela não estava bem. E essa médica teve uma atitude que eu... Todo mundo acha que o médico é um ser humano diferente, não é. É um ser humano como qualquer um. E ela falou assim: “Espera um pouquinho.” E puxou a lata de lixo e vomitou no lixo. Eu falei assim: “Poxa vida.” Eu fiquei olhando aquilo, né? Ela olhou para mim: “Pode falar.” Eu falei: “Ah, doutora, não tem condições. Eu acho até que a senhora deveria cancelar esse plantão e ir embora, se medicar, descansar e ter um repouso.” E ela falou assim: “Olha, médico não pode ficar doente. Eu não posso sair do meu plantão.” Eu falei: “Poxa, mas isso não está correto.” E ela brincou comigo, falou: “Ah, mas funciona desse jeito.” E ela insistiu para que eu continuasse a propaganda. Eu continuei, mas eu saí de lá e falei: “Pô, que esquisito. Que coisa estranha. Diferente do que eu podia imaginar que acontecesse, né?” E foi logo quando eu comecei, estava fazendo 8 meses de trabalho. Então eu ainda estava novato. E aí depois a gente vai aprendendo que médico é um ser humano como nós, que tem também os seus problemas, assim como nós temos. E não podemos tratá-los diferentes disso, né? Então a gente aprende. P – Você acha que essa idéia ou essa visão sobre o médico é um diferencial do propagandista do Aché, em relação aos outros laboratórios? Em enxergar o médico como ser humano? R - Olha, eu nunca trabalhei em outro laboratório. Então eu não saberia te dizer se... P – Mas você convive um pouco com propagandistas de outros laboratórios? R - Sim. Isso, sim. P – Você acha que tem uma diferença do acheano em relação aos outros? R - Existe. Essa diferença existe. Da forma como eles vêem o médico, se é uma pessoa mais humana ou não, aí eu já não posso te dizer. Mas o que eu percebo da diferença do propagandista Aché para outros laboratórios, é a garra e a vontade que a gente tem na hora de desenvolver nosso trabalho. Então, realmente, quando você compara, até em um bate-papo informal, conversando, você percebe que o propagandista Aché acaba sendo muito mais comprometido com o seu dia-a-dia, com o seu trabalho, do que o que eu vejo de outros representantes em outros laboratórios. A gente vive muito mais focado para o nosso objetivo do que os outros laboratórios. Dá para perceber isso. P – E alguma campanha mais marcante nesses anos? Um produto? R - É, teve um produto que eu acabo lembrando mais. Foi o Artrosil, que é um anti-inflamatório. E eu participei da campanha de lançamento. Foi logo quando eu entrei no laboratório. Então eu estudei muito esse produto, eu participei do lançamento. Era um produto com que eu gostava muito de trabalhar. Hoje não faz mais parte da minha linha. Justamente por isso: porque eu comecei a trabalhar logo que o produto foi lançado. E aí quando a gente vê uma receita cair na farmácia, vê que o produto vendeu, isso é muito gostoso. Dá para mensurar que seu trabalho está surtindo um efeito. Ao contrário de pegar um produto que já existe no mercado, já tem um trabalho. Claro, você tem algumas ferramentas para mensurar se o seu trabalho está ou não está surtindo efeito. Mas não é tão evidente quanto uma receita de um produto novo, que você sai dali e já consegue ver que o médico aceitou. Você vendeu uma idéia, vendeu um produto. P – Você lembra de alguma iniciativa sua para propagar algum medicamento que você acha que tenha dado muito certo? R - Ah, durante os 5 anos que eu estou no Aché, quase 5 anos, daqui a 4 meses vai fazer 5 anos, eu tive algumas idéias e implementei. Algumas deram certo, outras não. Por exemplo, cartão de desconto. Eu fiz com vários produtos. Não deu muito certo, não. Não funcionou. Mas eu já cheguei a oferecer para a médica prescrever um produto, e eu comprar com desconto na farmácia para levar na casa do paciente. Fiz isso com o Osteoral, que era um produto que eu não tinha um resultado bom. E durante alguns meses eu desenvolvi esse trabalho em conjunto com a equipe. Então cada um da equipe morava em uma região da cidade, e a gente conseguiu fazer isso sem alterar a nossa rotina de vida e nem atrapalhar o dia-a-dia de trabalho normal. E deu certo, a gente conseguiu buscar algumas receitas a mais do que existia. E foi até engraçado, porque teve uma paciente que todo mês eu ia lá, né? Então, depois de um certo período de tempo, ela comprou um vinho, embrulhou esse vinho. Um vinho simples. Mas aí na hora em que eu levei o medicamento ela me pagou, me deu o dinheiro. E me entregou a garrafa de vinho. Falou: “Olha, isso aqui é em agradecimento, você vem aqui todo mês.” Eu achei aquilo muito legal. Muito bacana. Foi uma forma dela agradecer. Ela foi muito simpática, né? Na verdade eu estava fazendo o meu trabalho. Eu quero e preciso vender os produtos. Mas ela achou que o fato de eu estar indo ali todo mês era uma atenção que eu estava dando para ela e me deu um vinho. P – Legal. E aí você falou da tua equipe, ou da equipe que você faz parte. Vocês se encontram? Tem um lugar especial aonde vocês batem papo aqui em Campinas? R - As equipes durante esse período foram mudando, né? Sempre muda a equipe. Acaba mudando a gerência. Alguns ficaram, outros foram para outros laboratórios. Mas a gente procura estar trocando informações, batendo um papo, até tendo um vínculo de amizade. Porque afinal de contas, a gente passa mais tempo juntos, assim no dia-a-dia, (risos) trocando informação, não sei o quê, até mais do que com a família, né? Então acaba tendo esse vínculo de amizade também. Mas, atualmente, como eu trabalho no Guanabara e no Guanabara tem um shopping, localizado na Avenida Brasil... É um shopping pequeno, mas é um local seguro que dá para a gente se encontrar, bater um papo. E acabou virando uma rotina nossa toda semana. Duas ou três vezes na semana a gente almoça juntos. Ou no final da tarde, em uma sexta-feira a gente vai lá. Toma um chopinho e bate um papo. É gostoso. P – Legal. A conversa geralmente gira em torno do quê? R - Ah, de tudo. (risos) A gente conversa de trabalho, conversa de estudo. Porque eu voltei a estudar e tem alguns colegas que também estão fazendo faculdade. E conversa sobre médicos, e conversa sobre idéias. E sobre lazer, de tudo. P – De futebol e tudo o mais, não é? R - É, de tudo. P – Ah, legal. E o que mais te agrada no Aché, Ricardo? R - Olha... P – São quase 5 anos, né? R - São quase 5 anos. Dá para dizer que assim: tem duas fases da vida do Ricardo. Uma fase antes do Aché, e a fase depois do Aché. Então, antes de entrar no Aché, eu ganhava muito menos. Eu tinha um perfil profissional bem mais simples do que eu tenho hoje. Então eu me desenvolvi muito no Aché. A parte profissional. Por exemplo, para essa entrevista que nós estamos fazendo agora, há 5 anos atrás você veria uma pessoa acanhada, assim... E eu não conseguiria estar me comunicando com você dessa forma tranqüila e a gente estar fazendo essa entrevista. Então, o que eu gosto no Aché? Muita coisa eu gosto no Aché. Porque o Aché mudou muito a minha vida. Então, eu acho que antes de eu entrar no Aché, eu talvez não tivesse, assim, um direcionamento. Assim: “O que é que você quer ser na vida?” “Não sei.” E hoje, se você perguntar para mim, eu já tenho uma direção aí para estar seguindo a minha caminhada. P – Legal. E por fim, eu queria saber o que você achou dessa experiência curtinha de contar um pouco da sua história? R - Olha, é muito gostoso. É legal, né? Porque todo mundo, todo propagandista, eu contei algumas histórias, né? Tem muito mais. Já trocaram a minha pasta. Já entrei para fazer propaganda com pasta errada. Médicos já aprontaram... No mês passado, o médico escondeu a minha pasta no consultório para ver o que é que eu ia fazer sem a pasta. Então tem inúmeras histórias. Todos os outros propagandistas têm também. E é gostoso poder estar registrando isso, e outras pessoas estarem participando desse tipo de acontecimento. Porque, de repente, as pessoas não sabem. P – É isso mesmo. R - Acho que a maior parte das pessoas vêem o propagandista como alguém que só vai lá, entrega alguns produtos para os médicos e fala alguma coisa a respeito deles. Mas tem muito mais. Muita coisa legal e muitas histórias, né? P – Com certeza. R - Eu contei algumas. P – É verdade. Então, é isso. Muito obrigada. R - Eu é que agradeço. Obrigado.
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