A mulher que terá sua história destacada chama-se Raimunda Antônia Farias De Lima, ela nasceu em 13 de outubro de 1976, em um seringal na região de Tarauacá. Tendo uma infância não muito diferente de qualquer outra criança da época, sendo a mais velha de cinco irmãos, sempre se ocupou das tarefas domésticas e de cuidar dos mais novos enquanto seus pais trabalhavam, caçavam ou pescavam. Entre tantas responsabilidades que circulam a tenra idade, ela ainda encontrava tempo para brincar e construir suas bonecas com garrafas de plástico que encontrava ao redor de casa quando tinha sorte. Essa vida aparentemente simples e calma encontra sua nova vertente quando eles decidem se mudar para Rio Branco em 1984.
A capital era a derradeira esperança de uma vida melhor nesse momento, sendo assim, essa família de sete membros parte e inicialmente anda por dois dias até Tarauacá. Raimunda destaca como esses dias de caminhada lembram o livro “Vidas Secas" de Graciliano Ramos, ela diz se sentir representada pelo romance que mostra retirantes na jornada de mudança, eles, que não carregam muita bagagem, mas carregam inúmeros sonhos de um futuro melhor, e é isso que os engaja a seguir caminho e ignorar coisas como o desconforto, sede e a fome.
Após esse trajeto eles chegam ao aeroporto de Tarauacá e embarcam rumo a Rio Branco. A entrevistada destaca as náuseas provocadas pelo avião, e como ela achou que nunca chegaria ao destino final. Entre as situações que envolviam a partida, a maior dor foi deixar para trás o seu bichinho de estimação, já que ele não poderia entrar no avião, era um pequeno macaco, sendo ele o seu fiel amigo nas brincadeiras cotidianas lá no seringal. Infelizmente, nem o pobre animal aguentou a dor da despedida. Posteriormente, ela é informada de que ele após sua partida se recusava a comer ou beber água e morreu de tristeza motivado pela ausência de sua querida companheira.
Chegando à capital, eles encontram...
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A mulher que terá sua história destacada chama-se Raimunda Antônia Farias De Lima, ela nasceu em 13 de outubro de 1976, em um seringal na região de Tarauacá. Tendo uma infância não muito diferente de qualquer outra criança da época, sendo a mais velha de cinco irmãos, sempre se ocupou das tarefas domésticas e de cuidar dos mais novos enquanto seus pais trabalhavam, caçavam ou pescavam. Entre tantas responsabilidades que circulam a tenra idade, ela ainda encontrava tempo para brincar e construir suas bonecas com garrafas de plástico que encontrava ao redor de casa quando tinha sorte. Essa vida aparentemente simples e calma encontra sua nova vertente quando eles decidem se mudar para Rio Branco em 1984.
A capital era a derradeira esperança de uma vida melhor nesse momento, sendo assim, essa família de sete membros parte e inicialmente anda por dois dias até Tarauacá. Raimunda destaca como esses dias de caminhada lembram o livro “Vidas Secas" de Graciliano Ramos, ela diz se sentir representada pelo romance que mostra retirantes na jornada de mudança, eles, que não carregam muita bagagem, mas carregam inúmeros sonhos de um futuro melhor, e é isso que os engaja a seguir caminho e ignorar coisas como o desconforto, sede e a fome.
Após esse trajeto eles chegam ao aeroporto de Tarauacá e embarcam rumo a Rio Branco. A entrevistada destaca as náuseas provocadas pelo avião, e como ela achou que nunca chegaria ao destino final. Entre as situações que envolviam a partida, a maior dor foi deixar para trás o seu bichinho de estimação, já que ele não poderia entrar no avião, era um pequeno macaco, sendo ele o seu fiel amigo nas brincadeiras cotidianas lá no seringal. Infelizmente, nem o pobre animal aguentou a dor da despedida. Posteriormente, ela é informada de que ele após sua partida se recusava a comer ou beber água e morreu de tristeza motivado pela ausência de sua querida companheira.
Chegando à capital, eles encontram novos desafios, como a falta de moradia, com isso, a família dorme em alguns lugares diferentes, como varandas de estranhos que, sensibilizados, cediam um espaço para passarem a noite, eles permaneceram assim até acharem um terreno onde ergueram um acampamento. Logo, o tempo passa e o que era uma barraca se transforma em uma pequena casa de madeira. Então seus pais começam a trabalhar e a deixam na posição de dona de casa, uma posição bem exigente para uma pré-adolescente.
Raimunda inicia os estudos atrasada, mas consegue se adaptar como uma ótima aluna, entretanto algum tempo depois uma situação não esperada surge, ela engravida aos 18 anos de seu primeiro filho. Logo, teve que se resguardar aos cuidados do bebê, ela lembra com clareza as dificuldades de ser mãe solteira nos anos 90. Entre preconceitos e conflitos ela da sequência à vida tentando concluir o ensino médio, nesse período ela precisou estudar no turno da noite na escola Heloisa Mourão Marques, fase onde andava uma longa distância a pé às 10h da noite. O medo dos perigos noturnos era gritante a ponto de falar mais alto que o silêncio das ruas vazias e frias, mas ela se manteve constante até a sua formação.
Nessa nova etapa ela inicia um novo relacionamento e se casa, logo tem mais dois filhos; ainda durante a segunda gravidez ela trabalhou em lanchonetes e relata as dores nas pernas por passar várias horas em pé estando grávida, mas, como na vida de qualquer outra Maria, as dores cotidianas fazem parte do processo. Já com o nascimento do terceiro filho, ela não consegue tempo para trabalho. Devido a isso, permanece como dona de casa, já que com duas crianças é extremamente difícil encontrar emprego e conciliar a rotina de fora com a do lar. Entretanto, ela nunca esqueceu a importância do estudo para uma possibilidade de emancipação econômica, dessa forma, Raimunda faz a prova do Enem e estuda francês por dois anos na Ufac, até entrar na faculdade de Português, sendo essa uma fase extremamente difícil, ser mãe de três filhos, dona de casa, passar 15 anos longe de uma sala de aula, e agora repentinamente ter tudo isso de uma vez para dar conta. Com muita luta e tirando forças do cansaço, Raimunda se forma como professora em 2018, e isso abre portas para novas possibilidades de trabalho, garantido melhores condições a ela e seus filhos. Essa história marca principalmente as mães que adentram os campos acadêmicos e lutam contra uma realidade de forças repressoras, mas também marca a força das Marias brasileiras, que, entre suor e lágrimas, desbravam todas as possibilidades e acham seu próprio caminho.
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