Museo da Pessoa - Américo Nunes Neto
Américo Nunes Neto é uma referência incontornável na história da luta contra a epidemia de HIV/aids no município de São Paulo e no Brasil. Sua trajetória é marcada pelo compromisso inabalável com a defesa da vida, da dignidade e dos direitos humanos, especialmente das pessoas que vivem com HIV, adoecidas por aids e de seus familiares. Ao longo de mais de três décadas de ativismo, articulação política e trabalho comunitário, Américo consolidou-se como uma liderança que não apenas testemunhou importantes ciclos da resposta brasileira ao HIV/aids, mas que foi e continua sendo protagonista ativo em sua transformação.
Vivendo com HIV desde 1988, Américo inicia sua história de resistência a partir da dor — e a transforma em força. Foram nos corredores da ONG Projeto Esperança, em São Miguel Paulista, que ele encontrou acolhimento e condições de seguir vivendo, num período em que o estigma e o medo eram tão mortais quanto o próprio vírus. A partir daí, sua vida passa por um ponto de virada. Em 1989, apenas um ano após o diagnóstico, ele retorna à instituição não apenas como usuário, mas como voluntário. Era o início de uma caminhada que o levaria a assumir a coordenação da organização e, posteriormente, a vice-presidência. Com sensibilidade, firmeza e determinação, Américo ajudou a estruturar ações que garantiam cuidado, informação e esperança às pessoas da Zona Leste — um dos territórios mais fortemente impactados pela epidemia.
Sua atuação se amplia de forma orgânica. Ele se torna membro da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+) e, em momento posterior, assume a representação da RNP+ na cidade de São Paulo, fortalecendo a participação social e a presença das pessoas vivendo com HIV nos espaços de formulação de políticas públicas. Em maio de 2000, num gesto visionário e profundamente comprometido com a justiça social, funda o Instituto...
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Museo da Pessoa - Américo Nunes Neto
Américo Nunes Neto é uma referência incontornável na história da luta contra a epidemia de HIV/aids no município de São Paulo e no Brasil. Sua trajetória é marcada pelo compromisso inabalável com a defesa da vida, da dignidade e dos direitos humanos, especialmente das pessoas que vivem com HIV, adoecidas por aids e de seus familiares. Ao longo de mais de três décadas de ativismo, articulação política e trabalho comunitário, Américo consolidou-se como uma liderança que não apenas testemunhou importantes ciclos da resposta brasileira ao HIV/aids, mas que foi e continua sendo protagonista ativo em sua transformação.
Vivendo com HIV desde 1988, Américo inicia sua história de resistência a partir da dor — e a transforma em força. Foram nos corredores da ONG Projeto Esperança, em São Miguel Paulista, que ele encontrou acolhimento e condições de seguir vivendo, num período em que o estigma e o medo eram tão mortais quanto o próprio vírus. A partir daí, sua vida passa por um ponto de virada. Em 1989, apenas um ano após o diagnóstico, ele retorna à instituição não apenas como usuário, mas como voluntário. Era o início de uma caminhada que o levaria a assumir a coordenação da organização e, posteriormente, a vice-presidência. Com sensibilidade, firmeza e determinação, Américo ajudou a estruturar ações que garantiam cuidado, informação e esperança às pessoas da Zona Leste — um dos territórios mais fortemente impactados pela epidemia.
Sua atuação se amplia de forma orgânica. Ele se torna membro da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+) e, em momento posterior, assume a representação da RNP+ na cidade de São Paulo, fortalecendo a participação social e a presença das pessoas vivendo com HIV nos espaços de formulação de políticas públicas. Em maio de 2000, num gesto visionário e profundamente comprometido com a justiça social, funda o Instituto Vida Nova — Integração Social, Educação e Cidadania, organização que se tornaria um marco no enfrentamento às vulnerabilidades sociais e à epidemia de HIV, com ações voltadas à promoção da saúde, prevenção, assistência e fortalecimento comunitário.
A liderança de Américo logo o leva a outros espaços estratégicos do movimento social. Ele é eleito presidente do Fórum das ONG/Aids do Estado de São Paulo, representando centenas de organizações que historicamente sustentaram a resposta comunitária ao HIV no país. Também é eleito representante das ONG/Aids na 1ª Comissão Municipal de HIV/Aids da Cidade de São Paulo, um marco na institucionalização da participação social na gestão das políticas de saúde. Em outro momento, assume a coordenação do Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids (Mopaids), contribuindo para fortalecer a mobilização local, qualificar o debate público e garantir a defesa dos direitos das populações mais vulneráveis.
Sua atuação também ultrapassa fronteiras. Representando o movimento brasileiro de luta contra a Aids em instâncias governamentais, Américo integra o Fórum Mercosul de Aids, ampliando o diálogo regional sobre direitos humanos, políticas de saúde e cooperação entre países. Em seguida, contribui para a Comissão de Articulação com Movimentos Sociais, espaço estratégico de interlocução entre Estado e sociedade civil. E, por diversas vezes, compõe a Comissão Política do Encontro Nacional de ONG/Aids (ENONG) — um dos mais importantes espaços democráticos do movimento de aids, onde se constroem pautas, estratégias e resistências.
Ao longo de toda essa caminhada, Américo desenvolveu um conjunto de habilidades e competências que o tornaram reconhecido nacional e internacionalmente: conhecimento sólido em saúde pública e políticas sociais; domínio sobre metodologias de mobilização comunitária; capacidade de articulação em redes; habilidade para construir pontes entre diferentes setores; ética, transparência e dedicação integral à defesa dos direitos humanos. Soma-se a isso sua experiência como mentor em elaboração e gestão de projetos sociais, que fortaleceu inúmeras iniciativas e formou novas lideranças.
A dimensão humana de seu trabalho talvez seja seu maior legado. Américo é reconhecido como alguém que escuta, acolhe, incentiva e orienta — alguém que compreende que a luta contra o HIV não é apenas sobre medicamentos, protocolos e políticas, mas sobre gente. Sobre garantir que cada pessoa seja enxergada, protegida, respeitada e tenha o direito de viver plenamente.
Nas comunidades onde atua, seu impacto é profundo: ele transforma trajetórias individuais, fortalece coletivos, constrói pertencimento e abre caminhos. Seu trabalho inspira uma geração inteira de ativistas, profissionais de saúde e lideranças comunitárias. E seu exemplo demonstra, diariamente, que a luta contra a Aids é também uma luta contra desigualdades, contra o racismo, contra a LGBTfobia e contra todas as formas de injustiça social.
Este memorial reconhece Américo Nunes Neto como um guardião da vida e um agente indispensável de mudança, cuja história se confunde com a própria história da resposta brasileira à epidemia de HIV/aids. Celebra sua coragem, sua sensibilidade e a força com que, há mais de trinta anos, ele afirma o direito de existir, amar, cuidar e lutar.
Seu legado permanece vivo em cada ação comunitária, em cada política pública conquistada, em cada vida que encontrou acolhimento por meio de seu trabalho. É um legado construído com dignidade e generosidade — e que seguirá inspirando o presente e o futuro da resposta ao HIV/aids em São Paulo, no Brasil e na América Latina.
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