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Personagem: Anônimo
Por: Anônimo, 30 de novembro de 2025

Racismo Estrutural

Esta história contém:

Racismo Estrutural

RACISMO ESTRUTUTAL

Eu sou o oitavo filho de 18 filhos de uma mulher empregada doméstica, casada com um pedreiro. A vida da minha mãe foi trabalhar como empregada doméstica, e o tempo todo eu via as humilhações. Minha mãe não tinha horário de chegar: tinha hora de sair e hora de chegar, mas não tinha folgas. Sempre trabalhou em casa de família.

Eu quis estudar. Entrei na escola tarde, mas estudava para que as histórias não se repetissem. Fui pai muito precoce e tinha muito medo de ficar desempregado. No início dos anos 2000, em vez de ir para a universidade, eu tive que trabalhar como empregado doméstico: eu fui caseiro. E nessa casa eu vivenciei todo tipo de humilhação. Mas sempre fui firme nos meus posicionamentos. As regras e as orientações eu seguia, mas eles podiam me humilhar — eu é que não me fazia humilhado.

Havia uma regra na casa: no fim de semana, quando eles viajavam, a gente não podia sair. Lá eu ocupetizei muitas meninas. Eu vi meninas sendo estupradas. Ao mesmo tempo, eu vivia maus-tratos. A casa era pensada como uma casa de engenho: a casa do patrão ficava bem acima; depois vinha o quarto das empregadas domésticas (a babá e a cozinheira); depois o canil; e depois, só então, a minha casa, o quartinho. Era tudo bem pensado. Qualquer barulho ou movimento de violação passava primeiro pelo meu quarto. Os cachorros ainda estavam em situação de privilegiados em relação a mim.

Mas eu sempre observava a estrutura e dizia: “Isso não vai ser pra mim.”

Quando era feriado prolongado — por exemplo, a partir de uma quinta-feira —, na quarta-feira à noite começava o ritual do “separativo”: eu descia mochilas e malas para o carro do patrão. Eles deixavam minhas comidas congeladas de quinta, sexta, sábado e domingo. Quando ele saía, me mostrava as regras, e eu observava. Depois que ele partia, eu dava uma hora, tirava galinha, frango ou carne para descongelar e fazia o meu almoço: meu banquete....

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