Quando percebi que os direitos nem sempre alcançam quem mais precisa!
Sempre acreditei que a justiça existia para proteger quem estivesse em situação de maior vulnerabilidade. Mas acompanhar a história da minha mãe mudou completamente a forma como passei a enxergar os direitos das pessoas.
Depois de um primeiro casamento marcado por inúmeras traições, minha mãe se separou e criou sozinha os três filhos. Mesmo quando ainda era casada, era ela quem nos educava, nos dava carinho e assumia a maior parte das responsabilidades da família.
No segundo casamento, parecia que finalmente teria a oportunidade de ser feliz. Ela trabalhava, ajudava financeiramente em casa, cuidava de toda a rotina doméstica, preparava as refeições e as marmitas para o marido, que era caminhoneiro. Quando ele voltava das viagens, ela o ajudava até a descarregar a bagagem, carregando peso e subindo escadas. Muitas vezes passava madrugadas lavando o caminhão porque ele dizia que os lava-rápidos cobravam caro. Ela era uma companheira dedicada em todos os sentidos.
Então veio o AVC. Antes disso, ela já havia enfrentado um câncer de mama e perdido um seio. Mesmo assim, nunca deixou de lutar. Mas, depois do AVC, com as limitações físicas, tudo mudou. O homem que antes recebia seus cuidados passou a tratá-la com desprezo. Começou a humilhá-la, usando até a perda do seio para feri-la emocionalmente. Também desrespeitava sua vontade quando ela não queria manter relações sexuais, ignorando sua condição de saúde e seu direito de dizer "não".
As humilhações levaram à separação. Minha mãe saiu de casa sem patrimônio, sem segurança e sem um lugar para morar. Hoje vive com meu irmão, dividindo as despesas do aluguel com uma pensão muito pequena. Enquanto isso, o ex-marido continua morando na casa, usufruindo dos bens construídos durante a união. Há quatro anos ela espera que a Justiça decida sobre a divisão do patrimônio.
Foi vivendo essa realidade que...
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Quando percebi que os direitos nem sempre alcançam quem mais precisa!
Sempre acreditei que a justiça existia para proteger quem estivesse em situação de maior vulnerabilidade. Mas acompanhar a história da minha mãe mudou completamente a forma como passei a enxergar os direitos das pessoas.
Depois de um primeiro casamento marcado por inúmeras traições, minha mãe se separou e criou sozinha os três filhos. Mesmo quando ainda era casada, era ela quem nos educava, nos dava carinho e assumia a maior parte das responsabilidades da família.
No segundo casamento, parecia que finalmente teria a oportunidade de ser feliz. Ela trabalhava, ajudava financeiramente em casa, cuidava de toda a rotina doméstica, preparava as refeições e as marmitas para o marido, que era caminhoneiro. Quando ele voltava das viagens, ela o ajudava até a descarregar a bagagem, carregando peso e subindo escadas. Muitas vezes passava madrugadas lavando o caminhão porque ele dizia que os lava-rápidos cobravam caro. Ela era uma companheira dedicada em todos os sentidos.
Então veio o AVC. Antes disso, ela já havia enfrentado um câncer de mama e perdido um seio. Mesmo assim, nunca deixou de lutar. Mas, depois do AVC, com as limitações físicas, tudo mudou. O homem que antes recebia seus cuidados passou a tratá-la com desprezo. Começou a humilhá-la, usando até a perda do seio para feri-la emocionalmente. Também desrespeitava sua vontade quando ela não queria manter relações sexuais, ignorando sua condição de saúde e seu direito de dizer "não".
As humilhações levaram à separação. Minha mãe saiu de casa sem patrimônio, sem segurança e sem um lugar para morar. Hoje vive com meu irmão, dividindo as despesas do aluguel com uma pensão muito pequena. Enquanto isso, o ex-marido continua morando na casa, usufruindo dos bens construídos durante a união. Há quatro anos ela espera que a Justiça decida sobre a divisão do patrimônio.
Foi vivendo essa realidade que compreendi que, muitas vezes, ter direitos reconhecidos na lei não significa conseguir exercê-los na prática. Aprendi que a demora da Justiça pode aumentar o sofrimento de quem já está fragilizado e que pessoas vulneráveis precisam de proteção efetiva, não apenas de promessas.
Essa experiência mudou meu olhar. Hoje acredito que defender os direitos humanos também significa lutar para que dignidade, respeito e acesso à Justiça não dependam da força, da saúde ou da condição financeira de alguém. Porque uma sociedade justa é aquela que protege, acima de tudo, quem mais precisa.
História de Angela Maria de Castilho,relatada por mim,sua filha, Juliana Afonso Rodrigues
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