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História
Por: Juliana Afonso Rodrigues , 29 de junho de 2026

Quando os direitos humanos são limitados

Esta história contém:

Quando percebi que os direitos nem sempre alcançam quem mais precisa!

Sempre acreditei que a justiça existia para proteger quem estivesse em situação de maior vulnerabilidade. Mas acompanhar a história da minha mãe mudou completamente a forma como passei a enxergar os direitos das pessoas.

Depois de um primeiro casamento marcado por inúmeras traições, minha mãe se separou e criou sozinha os três filhos. Mesmo quando ainda era casada, era ela quem nos educava, nos dava carinho e assumia a maior parte das responsabilidades da família.

No segundo casamento, parecia que finalmente teria a oportunidade de ser feliz. Ela trabalhava, ajudava financeiramente em casa, cuidava de toda a rotina doméstica, preparava as refeições e as marmitas para o marido, que era caminhoneiro. Quando ele voltava das viagens, ela o ajudava até a descarregar a bagagem, carregando peso e subindo escadas. Muitas vezes passava madrugadas lavando o caminhão porque ele dizia que os lava-rápidos cobravam caro. Ela era uma companheira dedicada em todos os sentidos.

Então veio o AVC. Antes disso, ela já havia enfrentado um câncer de mama e perdido um seio. Mesmo assim, nunca deixou de lutar. Mas, depois do AVC, com as limitações físicas, tudo mudou. O homem que antes recebia seus cuidados passou a tratá-la com desprezo. Começou a humilhá-la, usando até a perda do seio para feri-la emocionalmente. Também desrespeitava sua vontade quando ela não queria manter relações sexuais, ignorando sua condição de saúde e seu direito de dizer "não".

As humilhações levaram à separação. Minha mãe saiu de casa sem patrimônio, sem segurança e sem um lugar para morar. Hoje vive com meu irmão, dividindo as despesas do aluguel com uma pensão muito pequena. Enquanto isso, o ex-marido continua morando na casa, usufruindo dos bens construídos durante a união. Há quatro anos ela espera que a Justiça decida sobre a divisão do patrimônio.

Foi vivendo essa realidade que...

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