Quando a Felicidade Chega em Silêncio, Ela é Explosiva
Para minhas duas meninas,
que me ensinaram muitas formas de felicidade,
e para quem um dia quiser entender o valor de senti-la.
Hoje eu cochilei.
Não foi um sono profundo. Foram poucos minutos, talvez cinco, talvez dez. Apenas um daqueles cochilos rápidos que chegam sem pedir licença.
Mas dentro daquele breve silêncio aconteceu algo que eu não sentia havia muito tempo.
Eu lembrei como é ser feliz.
Não foi apenas uma lembrança da minha vida.
Foi a sensação.
De repente, acordei.
Acordei quase assustado, mas era um susto bom. Um daqueles despertares raros em que o coração parece chegar antes da razão.
Abri os olhos com uma das melhores sensações que já tive o prazer de experimentar.
Eu estava imensamente feliz.
Não porque algo tivesse acabado de acontecer.
Não porque eu tivesse recebido alguma notícia.
Não porque alguma vitória tivesse sido conquistada naquele instante.
Eu estava feliz simplesmente porque, naquele cochilo, algo dentro de mim tinha voltado a lembrar como é sentir felicidade de verdade.
Durante muito tempo eu me perguntei se algum dia eu tinha sido realmente feliz.
A vida foi acontecendo com suas curvas, suas quedas e suas reviravoltas. Projetos nasceram, outros se perderam, caminhos mudaram.
E em meio a tudo isso, às vezes eu me perguntava em silêncio:
“Será que um dia eu já fui feliz de verdade?”
Curiosamente, durante muito tempo eu não encontrava essa resposta.
Até hoje.
Hoje, num cochilo de poucos minutos, uma porta antiga da minha memória se abriu. E por alguns instantes eu senti de novo aquela energia boa, aquela vibração difícil de explicar, mas impossível de confundir.
A felicidade.
Não a felicidade de possuir algo.
Não a felicidade de vencer alguma coisa.
Mas a felicidade simples de estar vivo e sentir que a vida faz sentido.
Uma espécie de vitória silenciosa que não...
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Quando a Felicidade Chega em Silêncio, Ela é Explosiva
Para minhas duas meninas,
que me ensinaram muitas formas de felicidade,
e para quem um dia quiser entender o valor de senti-la.
Hoje eu cochilei.
Não foi um sono profundo. Foram poucos minutos, talvez cinco, talvez dez. Apenas um daqueles cochilos rápidos que chegam sem pedir licença.
Mas dentro daquele breve silêncio aconteceu algo que eu não sentia havia muito tempo.
Eu lembrei como é ser feliz.
Não foi apenas uma lembrança da minha vida.
Foi a sensação.
De repente, acordei.
Acordei quase assustado, mas era um susto bom. Um daqueles despertares raros em que o coração parece chegar antes da razão.
Abri os olhos com uma das melhores sensações que já tive o prazer de experimentar.
Eu estava imensamente feliz.
Não porque algo tivesse acabado de acontecer.
Não porque eu tivesse recebido alguma notícia.
Não porque alguma vitória tivesse sido conquistada naquele instante.
Eu estava feliz simplesmente porque, naquele cochilo, algo dentro de mim tinha voltado a lembrar como é sentir felicidade de verdade.
Durante muito tempo eu me perguntei se algum dia eu tinha sido realmente feliz.
A vida foi acontecendo com suas curvas, suas quedas e suas reviravoltas. Projetos nasceram, outros se perderam, caminhos mudaram.
E em meio a tudo isso, às vezes eu me perguntava em silêncio:
“Será que um dia eu já fui feliz de verdade?”
Curiosamente, durante muito tempo eu não encontrava essa resposta.
Até hoje.
Hoje, num cochilo de poucos minutos, uma porta antiga da minha memória se abriu. E por alguns instantes eu senti de novo aquela energia boa, aquela vibração difícil de explicar, mas impossível de confundir.
A felicidade.
Não a felicidade de possuir algo.
Não a felicidade de vencer alguma coisa.
Mas a felicidade simples de estar vivo e sentir que a vida faz sentido.
Uma espécie de vitória silenciosa que não precisa derrotar ninguém.
Depois vieram momentos que mudaram minha vida para sempre.
Minhas filhas nasceram.
Quando cada uma delas chegou ao mundo, eu senti algo impossível de explicar completamente, mas muito fácil de sentir.
Era como ver um pedacinho de mim chegando à vida.
Naquele instante eu entendi uma coisa simples e imensa: eu já não terminava mais em mim mesmo.
Um pouco de mim acabava de começar outra caminhada.
No nascimento da primeira, eu assisti tudo através de um vidro, do lado de fora da sala de parto. Era novidade, era descoberta, era aquele espanto bonito que a vida nos dá quando nos apresenta algo completamente novo.
No nascimento da segunda, a vida me deu outro presente: eu estava dentro da sala. Vi de perto aquele instante em que mais um pedacinho da minha história chegava ao mundo.
Foram experiências diferentes.
Mas o sentimento foi o mesmo.
O amor que senti quando cada uma delas chegou tem exatamente o mesmo tamanho.
Com o tempo, percebi que grande parte da minha ideia de felicidade começou a morar nelas.
Ver o sorriso delas sempre me trouxe uma alegria enorme. Cada conquista delas eu comemoro como se fosse minha. Cada dificuldade que enfrentam me chama para perto, para ouvir, ajudar, orientar, tentar ser porto seguro.
E existe uma coisa que sempre me emocionou profundamente:
Ver como minhas duas meninas se amam.
Talvez por isso, durante muito tempo, eu tenha confundido a minha própria felicidade com a felicidade delas.
Mas hoje eu entendo algo que quero muito que elas saibam.
Eu não quero que a felicidade delas dependa de mim.
Quero que elas descubram, dentro delas mesmas, essa energia bonita de simplesmente estar felizes.
Aquela sensação de estar bem no lugar que ocupam no mundo. De olhar para a própria vida e sentir gratidão por existir.
Porque a felicidade verdadeira não é uma casa onde a gente mora para sempre.
Ela é mais parecida com uma visita inesperada.
Ela chega, senta um pouco com a gente, ilumina a sala, e depois segue seu caminho.
Mas quando ela passa pela nossa vida, mesmo que por poucos momentos, ela deixa uma marca que nunca desaparece.
Hoje, por causa de um simples cochilo de poucos minutos, eu redescobri isso.
E agora sei, com absoluta tranquilidade:
Eu já fui feliz.
E quem já sentiu isso uma vez sabe reconhecer quando a felicidade resolve voltar a visitar.
Talvez seja isso que a vida realmente nos oferece.
Não uma felicidade eterna.
Mas um conjunto de momentos.
E se existe algo que vale a pena fazer com esses momentos, é vivê-los de tal forma que nunca sejam esquecidos.
10mar26
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