Quando pensamos no Outono, o que nos vem à mente são folhas se espalhando pelo chão, tempo escuro como se estivesse prestes a anoitecer. Nasci num final de tarde assim, final de abril. Nasci no final de uma década, final de século, milênio. Nasci antes e depois de tudo. Digo isso por que muita de minhas lembranças de criança parecem ter saídas da Idade Média, afinal o Brasil até bem pouco tempo atrás ainda vivia um período medieval. Eu vivi coisas, apesar de ser relativamente jovem que muita gente não viu, que muita gente acha que é de um passado remoto, mas também sou muito atual, entendo por exemplo, de computador mais que a maioria dos jovens de hoje.
Quando eu era muito criança, eu tinha uma imaginação que ia além dos limites da própria imaginação. Minha imaginação vivia comigo como se fosse realidade, e eu vivia com minha imaginação como se eu fosse uma imaginação. Sempre fui muito calado, quase autista, mas não sou autista e isto refletiu em minha personalidade enquanto eu crescia. Tudo para mim era mágico, cada vez que eu descobria algo, eu viajava para outro mundo.
Nos primeiros anos de minha vida, mudávamos muito, moramos em Mato Grosso do Sul onde nasci e onde a maioria de minha família vive até hoje. Morei em Goioerê no Paraná, época onde comi muito caqui e laranja, tinha um pomar atrás de casa, tempo bom. Depois demos um salto enorme, fomos direto para o Norte, Rondônia. Época muito marcante em minha vida.
A primeira vez que vi alguém se despedindo. A primeira vez que parei de chorar por vontade própria.