Estava tão quente que o mormaço do verão atingia a todos nós sem piedade entrando pelas janelas escancaradas sem quais quer sinais de uma brisa
As crianças inquietas saltavam de suas carteiras atirando bolinhas de papel em total alvoroço
Para conte-las Dona Dulce falou em tom mais alto pedindo que todos tirassem uma folha de papel e descrevesse um acontecimento entusiástico.
As melhores descrições iriam ser colocadas no quadro de honra no mural da escola.
O silencio fez presença dando lugar ao som enfadonho do eixo de uma carroça que atravessava o vilarejo, era Bastiao, o verdureiro/leiteiro residente na zona rural .
Sim, iria fazer uma redação sobre ele, sua esposa Rita e sua trajetória em nossa cidade.
Poema para Basriao
Rita minha muié
Oh muie impertinente
Tava tudo tão contente e de repente
Vinha Rita protestando
Bastiao não me apulguenta
Que sô pior que pimenta
Quando me zango e me dano
Daí vinha a brigaiada
Era palavrão, xingo e pancada
Mas o dia que eu tava risurvido
Quis prová que era marido
E mostra minha corage
Arregaçei a manga furioso
Pedi ajuda ao tinhoso
Pra dá uma surra na muie
Mas quá, a muie é tão danada
Que me deu uma bofetada
Que não me contive de pé
Foi daí que resorvi me separa
Saí caminhando a esmo
Prá nunca mais vortá
Até que num certo lugá
Garrei a imagná
E falei cumigo mesmo
Bastião tu deve vortá
Deve reconciliá
E manter teu nome de pé
Este caso já é sabido
Um home pra sê bom marido
Tem que apanhá da muie
Com certeza ganhei lugar de destaque no quadro, só não contava que todas as crianças da escola após lerem resolvesse fazer um coro atra s da carroça de Bastiao gritando
Bastiao tu deve vortá
Bastiao tu deve apanhá
Rita com tua fúria de mulher colérica, exigiu uma retratação diretamente na porta de minha casa com meu pai.
Sempre que vou lá relembro estes momentos e
confesso que foi o pedido de desculpas mais feliz que fiz em toda minha...
Continuar leitura
Estava tão quente que o mormaço do verão atingia a todos nós sem piedade entrando pelas janelas escancaradas sem quais quer sinais de uma brisa
As crianças inquietas saltavam de suas carteiras atirando bolinhas de papel em total alvoroço
Para conte-las Dona Dulce falou em tom mais alto pedindo que todos tirassem uma folha de papel e descrevesse um acontecimento entusiástico.
As melhores descrições iriam ser colocadas no quadro de honra no mural da escola.
O silencio fez presença dando lugar ao som enfadonho do eixo de uma carroça que atravessava o vilarejo, era Bastiao, o verdureiro/leiteiro residente na zona rural .
Sim, iria fazer uma redação sobre ele, sua esposa Rita e sua trajetória em nossa cidade.
Poema para Basriao
Rita minha muié
Oh muie impertinente
Tava tudo tão contente e de repente
Vinha Rita protestando
Bastiao não me apulguenta
Que sô pior que pimenta
Quando me zango e me dano
Daí vinha a brigaiada
Era palavrão, xingo e pancada
Mas o dia que eu tava risurvido
Quis prová que era marido
E mostra minha corage
Arregaçei a manga furioso
Pedi ajuda ao tinhoso
Pra dá uma surra na muie
Mas quá, a muie é tão danada
Que me deu uma bofetada
Que não me contive de pé
Foi daí que resorvi me separa
Saí caminhando a esmo
Prá nunca mais vortá
Até que num certo lugá
Garrei a imagná
E falei cumigo mesmo
Bastião tu deve vortá
Deve reconciliá
E manter teu nome de pé
Este caso já é sabido
Um home pra sê bom marido
Tem que apanhá da muie
Com certeza ganhei lugar de destaque no quadro, só não contava que todas as crianças da escola após lerem resolvesse fazer um coro atra s da carroça de Bastiao gritando
Bastiao tu deve vortá
Bastiao tu deve apanhá
Rita com tua fúria de mulher colérica, exigiu uma retratação diretamente na porta de minha casa com meu pai.
Sempre que vou lá relembro estes momentos e
confesso que foi o pedido de desculpas mais feliz que fiz em toda minha vida.
Fernanda Queiroz
Todos direitos reservados
Recolher