Aparecida Rosa Rodrigues é minha mãe. Rosa viveu apenas 36 anos, morrendo de câncer de mama muito cedo. Pouco se sabe de Rosa, pouco se disseram sobre ela. Ainda éramos crianças quando Rosa morreu, eu e minha irmã. A gente não se lembra do sabor de sua comida, nem da sua voz, mas nos lembramos de seu esmalte vermelho, de seu cabelo preto, de seus brincos coloridos e dos passeios no Playcenter.
Rosa nasceu na cidade de Miracatu/SP em 1951. A única memória de suas raízes é uma fotografia de seus pais. Dizem que morreram cedo e Rosa foi "criada" por um casal de irmãos que a levaram para Ribeirão Pires/SP. Um certificado diz que Rosa fez um curso de enfermagem, mas nunca praticou.
Conheceu Tadeu E. Rodrigues, meu pai e tiveram a primeira filha, Patrícia.
Tadeu não teve tempo de revelar as histórias de Rosa, pois perdeu a oportunidade de conversar com suas filhas, isso após o segundo casamento. E levou consigo essas histórias, após sua morte, doze anos após a partida de Rosa.
Uma mulher que passa por esse mundo onde ninguém consegue contar sua história por completo, merece ser lembrada pra não ser mais esquecida.
"Rosa era sorridente!"
"Sua mãe pedia para fazer as unhas dela mesmo quando estava de cama."
"Ah, quando sua mãe chegava nas festas, não queria saber da cozinha, ia logo se sentando com as crianças!"
"Quem vai cuidar das minhas meninas quando eu morrer!?"
"Você é a cara de sua mãe! "
Meu nome é Amanda, sou filha de Rosa. E isso é tudo que sei sobre minha mãe.