Início dos anos 90. Minha mãe e meu pai, pessoas pobres trabalhadoras, não tinham muitas condições financeiras, mas sempre se esforçaram para garantir que eu e minha irmã acreditássemos em fantasias quando éramos crianças. E não foi diferente com o Papai Noel. Como morávamos num bairro distante e com pouca infraestrutura de transporte público, sempre saíamos cedo, no dia 24, para ir para a casa dos meus avós paternos passar a noite de véspera de Natal. Curiosamente, papai sempre esquecia alguma coisa e, quando estávamos caminhando para a parada de ônibus, voltava em casa enquanto mamãe, eu e minha irmã seguíamos. Passávamos a noite na casa dos avós, uma família grande e feliz, comilança e muita música no violão do vovô Lima. No meio da madrugada, voltávamos de táxi. Quando chegávamos, as provas de que o Papai Noel estivera em casa estavam todas lá: a janela do nosso quarto aberta; a cama desarrumada, com uma banda de meia caída bem ao lado; um copo de leite pela metade e um monte de cuís de bolacha em cima da mesa. Mamãe chegava logo falando "O Papai Noel esteve aqui! Ele entrou pela janela! Olha, a cama está desarrumada, ele deve ter tirado um cochilo! Olha aqui o lado da meia dele! Ahh, e ele ainda tomou leite e comeu as bolachas que a gente deixou!" Eu e minha irmã ficávamos empolgadíssimas em saber que ele tinha estado lá, acho que nem faria diferença se ele deixasse presentes... Mas ele deixava! Mamãe falava "Será que ele deixou algum presente? Procurem!" E lá íamos nós, felizes da vida. E quando olhávamos embaixo da cama, estava lá o nosso presente de Natal! Que o Papai Noel havia deixado! Isso aconteceu durante alguns anos, de forma que a partir da segunda vez, eu e minha irmã já chegávamos em casa atrás das pistas de que o Bom Velhinho estivera lá. Foi interessante quando juntamos as peças e percebemos que papai e mamãe armavam tudo pra que nós acreditássemos. Hoje, temos essa lembrança gostosa, a...
Continuar leitura
Início dos anos 90. Minha mãe e meu pai, pessoas pobres trabalhadoras, não tinham muitas condições financeiras, mas sempre se esforçaram para garantir que eu e minha irmã acreditássemos em fantasias quando éramos crianças. E não foi diferente com o Papai Noel. Como morávamos num bairro distante e com pouca infraestrutura de transporte público, sempre saíamos cedo, no dia 24, para ir para a casa dos meus avós paternos passar a noite de véspera de Natal. Curiosamente, papai sempre esquecia alguma coisa e, quando estávamos caminhando para a parada de ônibus, voltava em casa enquanto mamãe, eu e minha irmã seguíamos. Passávamos a noite na casa dos avós, uma família grande e feliz, comilança e muita música no violão do vovô Lima. No meio da madrugada, voltávamos de táxi. Quando chegávamos, as provas de que o Papai Noel estivera em casa estavam todas lá: a janela do nosso quarto aberta; a cama desarrumada, com uma banda de meia caída bem ao lado; um copo de leite pela metade e um monte de cuís de bolacha em cima da mesa. Mamãe chegava logo falando "O Papai Noel esteve aqui! Ele entrou pela janela! Olha, a cama está desarrumada, ele deve ter tirado um cochilo! Olha aqui o lado da meia dele! Ahh, e ele ainda tomou leite e comeu as bolachas que a gente deixou!" Eu e minha irmã ficávamos empolgadíssimas em saber que ele tinha estado lá, acho que nem faria diferença se ele deixasse presentes... Mas ele deixava! Mamãe falava "Será que ele deixou algum presente? Procurem!" E lá íamos nós, felizes da vida. E quando olhávamos embaixo da cama, estava lá o nosso presente de Natal! Que o Papai Noel havia deixado! Isso aconteceu durante alguns anos, de forma que a partir da segunda vez, eu e minha irmã já chegávamos em casa atrás das pistas de que o Bom Velhinho estivera lá. Foi interessante quando juntamos as peças e percebemos que papai e mamãe armavam tudo pra que nós acreditássemos. Hoje, temos essa lembrança gostosa, a gratidão pelo amor de nossos pais por nós e, ainda, a certeza de que fantasias são bem reais... E as responsáveis pro elas são pessoas reais, trabalhadoras, amorosas. Feliz Natal.
Recolher