Página Inicial | História de vida
Nascido em 1952, ingressou na Petrobras como estudante estagiário de Geologia em 1978, na Bacia de Campos, através da então unidade de Vitória (Casa Mil). Sua ligação com a Petrobras é profunda, remontando à sua infância e à fundação do Conselho Nacional de Petróleo, do qual seu pai foi fundador, além de a empresa ter sido criada no ano de seu nascimento.
Áudio na íntegra
(não disponível)
Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de Osvaldo Luiz Queiroga da Fonseca
Entrevistado por Miriam Macael
Macaé, 26 de março de 2003
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB108
Transcrito por Transkiptor
00:00:44 P/1 - Como foi que você entrou na Petrobras?
00:00:46 R - A minha história com a Petrobras é uma história de longa data, é uma história praticamente que insere dentro da minha vida. Eu entrei na Petrobras ainda estudante, como estagiário do curso de Geologia. E como estudante estagiando fiquei um ano. Em 1978. Quer dizer, completam aí em torno de 26 anos de vida aqui dentro da companhia.
00:01:11 P/1 -Então, conta um pouco da tua trajetória.
00:01:13 R - É, eu entrei na Petrobras, coincidentemente, na Bacia de Campos, quando não existia a unidade de Macaé. Era uma pequena casa com 30 funcionários em Vitória. Uma casa chamada Casa Mil. Uma casa branquinha, de dois andares, na beira da praia. E lá nós tínhamos... Toda a atividade da Bacia de Campos era nessa casa. Nós tínhamos uma secretaria, tínhamos engenheiros, tínhamos técnicos. E foi ali o meu primeiro contato com a Petrobras e, diga-se de passagem, parece que dei sorte, porque de lá para cá, essa casa que nós tínhamos na época 30 funcionários, passou até hoje, como vocês podem ver aqui, 35 mil funcionários, nós temos 5 mil Petrobras e 30 mil contratados. e era o início da exploração da bacia de campo. A primeira exploração, o primeiro poço se deu em 74, até 1978, foi o campo de enxova, e eu tive a oportunidade de estar presente nos primeiros poços exploratórios na bacia de campos, quando, nessa época, eu exercia o estágio como geólogo de poço, e tive a oportunidade de ver o testemunho de uma coluna de órgãos de quase 40 metros do campo de namorado, isso em 1978. Eu lembro bem, era a plataforma Sético 765, uma plataforma toda vermelha. Foi uma experiência maravilhosa ver aquela coluna de óleo saindo de quase 40 metros. O...
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Depoimento de Osvaldo Luiz Queiroga da Fonseca
Entrevistado por Miriam Macael
Macaé, 26 de março de 2003
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB108
Transcrito por Transkiptor
00:00:44 P/1 - Como foi que você entrou na Petrobras?
00:00:46 R - A minha história com a Petrobras é uma história de longa data, é uma história praticamente que insere dentro da minha vida. Eu entrei na Petrobras ainda estudante, como estagiário do curso de Geologia. E como estudante estagiando fiquei um ano. Em 1978. Quer dizer, completam aí em torno de 26 anos de vida aqui dentro da companhia.
00:01:11 P/1 -Então, conta um pouco da tua trajetória.
00:01:13 R - É, eu entrei na Petrobras, coincidentemente, na Bacia de Campos, quando não existia a unidade de Macaé. Era uma pequena casa com 30 funcionários em Vitória. Uma casa chamada Casa Mil. Uma casa branquinha, de dois andares, na beira da praia. E lá nós tínhamos... Toda a atividade da Bacia de Campos era nessa casa. Nós tínhamos uma secretaria, tínhamos engenheiros, tínhamos técnicos. E foi ali o meu primeiro contato com a Petrobras e, diga-se de passagem, parece que dei sorte, porque de lá para cá, essa casa que nós tínhamos na época 30 funcionários, passou até hoje, como vocês podem ver aqui, 35 mil funcionários, nós temos 5 mil Petrobras e 30 mil contratados. e era o início da exploração da bacia de campo. A primeira exploração, o primeiro poço se deu em 74, até 1978, foi o campo de enxova, e eu tive a oportunidade de estar presente nos primeiros poços exploratórios na bacia de campos, quando, nessa época, eu exercia o estágio como geólogo de poço, e tive a oportunidade de ver o testemunho de uma coluna de órgãos de quase 40 metros do campo de namorado, isso em 1978. Eu lembro bem, era a plataforma Sético 765, uma plataforma toda vermelha. Foi uma experiência maravilhosa ver aquela coluna de óleo saindo de quase 40 metros. O óleo praticamente brotava da rocha. Uma coisa que até me arrepiou. Fascinante, realmente, para um estudante de geologia. E foi considerado até um pé quente, porque nos meus dois embarques que fiz, nós tivemos êxito no Poço Exploratório. E, poucos anos atrás, eu sei isso.
00:03:19 P/2 - Que foi uma história que se contava.
00:03:22 R - Eu praticamente vivia a descoberta da bacia, Porque o nosso saudoso e querido Carlos Walter, na época gerente da unidade, a gente chamava naquela época superintendente, hoje é que mudou para gerente. Ele foi uma pessoa muito incisiva, obstinada até certo ponto em descobrir a bacia de campos. Parece que ele sentia, tinha o feeling do exploracionista. O Carlos Walter era uma pessoa que a gente realmente tem que dar muito mérito, porque ele, como exploracionista, a gente deve praticamente a ele a descoberta de todo esse complexo petrolífero brasileiro. Ele pediu que fossem feitas três locações de petróleo. Estou falando muito? Porque realmente essa fase que eu vivi lá em Vitória foi uma fase muito embrionária da Bacia de Campos. Então a fase que eu acredito, talvez seja dessa época de 74, na bacia lá em Vitória, é um dos poucos remanescentes ainda desse período. A maioria já se aposentou, já saiu da empresa. Então é bom lembrar, e aí eu faço até não só uma homenagem ao Carlos Walter, mas também ao geofísico que descobriu a bacia de Campos, que a gente não cita. e foi o geofísico Makoto. O geofísico Makoto era uma pessoa que quase não falava. Muito pouca coisa de comunicação. Ele chegava ao ponto, como é seu nome? Miriam. Se você estivesse em uma sala e o telefone tocasse e o interlocutor do outro lado da linha falasse, a Miriam está? E você não estivesse na sala, ele abanava a cabeça assim, dizendo não, e desligava o telefone. Ele fazia assim e desligava. Ele não falava. Muitas vezes, pessoas ligavam para mim e falavam, poxa, Queiroga, eu desliguei e aí atendeu uma pessoa e eu perguntava para você e a pessoa desligava. Era ele que tinha esse hábito de abanar a cabeça e dizer que não e tal, tal, tal. E essa pessoa, o Makoto, ele é um geofísico muito calado e, na oportunidade, a nossa experiência dos geofísicos de Horus era uma experiência mais terrestre. As linhas sísmicas terrestres eram pedaços de papel, no máximo um metro e meio de papel, onde se colocava em cima da mesa e com o lápis de cor ia se pintando o embasamento, que era o lápis vermelho, os arenitos, que eram com lápis amarelo, os carbonatos com lápis azul. Tinha uma simbologia para fazer o mapeamento das camadas. E eu lembro bem essa história que se contava na época, que as primeiras linhas que chegavam dos navios de exploração na nossa costa da Bacia de Campos eram rolos de papel que tinham dezenas de metros. E não tinha como botar aquilo na mesa para interpretar. E a sala lá em Vitória era uma sala pequena. Então, o que é que se fazia? Pegava, botava-se no chão. Eu presenciei isso no edifício sede, muitas vezes no corredor. ficava a mulher do café passando, as pessoas passando e os geofísicos interpretando as linhas no corredor da empresa, de tão grande que era. E havia uma encomenda do então Carlos Walter para que se fizessem três locações exploratórias na Bacia de Campos, que eram as explorações pioneiras. Então, o Makoto, com aquela característica peculiar dele, com o lápis, vermelho aqui, que era o que marcava o embasamento, olhou, observou a seção sísmica no corredor, no corredor não, dentro da sala, no chão, e o geofísico normalmente ele procura na seção sísmica, situações que a gente chama de trapas geológicas, que podem ser estruturais, estratigráficas, aí já é uma conotação mais técnica. Mas se procura, no linguajar popular, armadilhas onde se possa ver a acumulação do hidrocarboneto. Então o Makoto, ele observou naquelas quilômetros e quilômetros de linha no chão, que haviam três situações que eram interessantes e marcou com a bola. Não se havia tempo, não tem. Pra você ter uma ideia, eu quando vi naquela época, aí vai uma coisa de história, Muito interessante. O primeiro fax que saiu, ninguém acreditou. Aquele fax, o papel saindo de dentro do telefone, para mim foi um choque aquele. Eu fiquei ali durante quase duas horas olhando o telefone por dentro para saber de onde saía aquele papel ali dentro. Era o início da época do fax. Não existia isso, fax. Hoje a gente tem salas de visualização 3D. softwares de alta tecnologia, mas naquele tempo era tudo feito na mão. A gente tinha uma régua de tempo que tinha que marcar o tempo para coletar, os mapas eram todos feitos na mão e tal. Hoje nós temos aplicativos que geram mapa em dois, três minutos, mapas super complexos, coloridos. Mas, naquela época, a pessoa, além de ser geofísica, tinha que ser excelente desenhista para fazer as curvas de contornos, eram todas feitas manualmente. Então, era um trabalho exaustivo de fazer a interpretação da linha, depois coletar os tempos. depois pegar aqueles tempos, jogar numa planilha, depois pegava um mapa à base onde estavam as linhas, jogava os valores daqueles tempos do ponto, depois ficava ali em cima do mapa para fazer o contorno, tipo um mapa topográfico, para gerar um mapa estrutural em profundidade. Então isso demandava meses, meses. E o Carlos volta sempre daquela forma sempre, vamos dizer assim, não autoritária, mas tinha prazos, porque a sonda era uma fortuna. Ainda é hoje. Então, o Makoto fez essas três bolas, foram conhecidas como as bolas do Makoto. O primeiro furo que se fez em cima dessa estrutura que o Makoto apontou, deu seco. Aí é que vem a grande obstinação do Carlos Gualta, o feeling do exploracionista, mais uma vez falando, de ter mandado forar o segundo poço, que se fosse outro falava, não, não ia sair. Porque a Bacia de Campos não era vista como uma bacia promissora. Nós tínhamos outras situações até mais atraentes, como a região lá de Sergipe, a própria região do Recôncavo, a parte marítima da Bacia de... de Jequitinhon, essas bacias mais ao norte do Brasil, fora do Amazonas. Mas não, ele mandou furar o segundo e o segundo deu um bom indício de óleo. Aí foi que despertou, furou-se o terceiro, pegou-se uma coluna de óleo e foi então o início desse boom da bacia de Campos em função dessa interpretação feita numa sala com um geofísico que não falava nada com um superintendente que tinha um feeling para isso. Na oportunidade, acho que ele nem era superintendente. Porque, antigamente, as denominações de departamento eram outras. Gerou-se o DEPRO, o DEPEX, mas isso foi anterior. A exploração e a produção da perfumeração eram juntos, eram expropé. Parece que eram juntos. Depois, em 1980, que desmembrou. Mas era um segmento grande e o Carlos Volta já exercia um cargo gerencial nessa época. Então, o início da história do Óleo na Bacia é justamente essa. Foi feita numa sala, numa casa pequenininha de dois andares, com 30 funcionários que hoje dê. E tem um outro caso que eu vou te contar que você vai achar que é mentira. Nessa oportunidade, Já em 78 pensavam já em partir para uma grande base. Já tínhamos uma estrutura comprovada de jazidas. Então foi feito um estudo para a base, essa base atual aqui de Imbetiba. Precisávamos mudar de Vitória para cá. E na oportunidade foi feito um planejamento da base. Você tem ideia de quantas vagas de carro existia para o projeto inicial aqui dessa unidade? Você tem ideia? Quantas vagas? Duas vagas. Hoje a gente coloca carro desde lá da estrada até aqui, um problema seríssimo de vaga aqui para a unidade, justamente por isso, porque a gente, na oportunidade, não pensava que fosse ter uma explosão tão grande a unidade. Isso tem, são 25 anos. Não tinha, realmente não tinha. Mas isso também foi... Aí que vem um outro aspecto que eu devo colocar. Toda essa história que eu conheço no Brasil também devo a uma pessoa que.
00:13:12 P/2 - Eu tenho que citar, que eu não posso deixar de citar.
00:13:14 R - O professor Oswaldo Duarte. Foi meu grande mestre. Ainda trabalha no Petrobras. Se você tiver a oportunidade de entrevistá-lo, é o funcionário talvez mais antigo da empresa. se não for um dos mais, ele deve estar na faixa dos 40 anos de Petrobras. Ele é professor de geofísica da Universidade Corporativa no Rio, trabalha na Canabarro, quarto andar, telefone dele é pela rota interna é 861 50 Professor Oswaldo Duarte, conhecido como professor Oswaldão. O professor tem toda uma história de Petrobras com essa... Essa história mesmo da sala foi ele que me contou.
00:14:14 P/2 - Porque eu não estava presente na sala.
00:14:16 R - Mas foi ele que me contou. E eu, graças a Deus, tive uma felicidade de trabalhar quase dez anos.
00:14:23 P/2
Mesma sala com ele.
00:14:24 R - Então, tudo que eu sei muito.
00:14:26 P/2 - História do Petrobras deve ser a ele.
00:14:28 R - Porque ele é o retrato ainda vivo de toda a exploração de petróleo na Petrobras. Ele é professor de geofísica, como eu fui durante muitos anos.
00:14:39 P/2 - Ainda sou, ainda tenho alguns projetos de geofísica junto à Universidade Corporativa. Então, foi essa a história. Nós estávamos falando sobre tecnologia, sobre... Você me perguntou? Bem, justamente, a tecnologia. A tecnologia, naquela época, não permitia um avanço em lâmina d'água superiores a 500 metros. O avanço da exploração na bacia se deveu muito ao avanço tecnológico de exploração em águas profundas. Porque o nosso limite operacional, quando a bacia começou, era na ordem de 300, 400, 500 metros. Conforme foi evoluindo a tecnologia, nós começamos então a avançarmos para águas profundas e super profundas. E agora já estamos quase em hiper profunda. E esse avanço tecnológico permitiu, então, a descoberta das grandes nasidas na década de 80 e 90, que foram os supercampos gigantes de Marlim e Albacora, mais recentemente Roncador. ao norte da bacia. Então, não se esperava realmente esse sucesso extraordinário. Agora, isso se deve também a toda uma condição geológica. que os geólogos podem melhor do que eu explicar. A bacia de Campos tem características geológicas especiais de geração e de reservatórios. Você consegue colocar de uma forma praticamente ideal a geração do petróleo com o reservatório de petróleo, que são os dois fatores preponderantes para a jazida. Aí entram outros fatores como a trapa geológica e os fatores também de migração e a qualidade do óleo. A bacia de campos reúne praticamente de uma forma excepcional todos esses parâmetros para o sucesso de uma jazida, que são no caso um excelente reservatório através dos seus turbiditos, suas areias são lentes de areia, com boa permeabilidade e porosidade, você tem condições de geração extraordinárias, quer dizer, você teve durante um período geológico a geração de matéria orgânica considerável, a migração do óleo das rochas geradoras para rocha reservatório, condições de temperatura e pressão favoráveis, porosidade, permeabilidade, boa geração de óleo de boa qualidade. Então, tudo isso faz parte, também, de.
00:17:50 R - Um dedozinho ali de Deus em cima dessa área para que ela tenha sido propícia. E não foi à toa que o Marcoto, lá com a sua bolinha, conseguiu ir em cima e o Carlos Valls.
00:18:00 P/2 - Tem nós aqui, né? Porque, também, todo sucesso não só depende deles, sucesso depende de todos os funcionários envolvidos nessa atividade exploratória e de produção, né? E os funcionários colaboradores que não tem uma atuação, vamos dizer assim, tão imediata em relação a esses processos de exploração e produção, mas que fazem parte do processo todo. Alguma outra pergunta?
00:18:28 R - Gostou?
00:18:30 P/2 - Eu estou me detendo mais ao início da história, porque hoje em dia falar do que a gente tem aqui é muito fácil, porque hoje nós temos aqui 70 unidades de exploração atuando, tecnologias de exploração interessantíssimas, temos aqui um processamento geofísico, Com o gerente Contreiras, temos uma sala de visualização espetacular que possibilita administrar de uma forma muito... Vocês deveriam conhecer a sala de visualização. Ela possibilita você administrar um campo, uma jazida. e fazer o monitoramento da jazida de uma forma, se você quiser uma melhor explicação, pode procurar o Marcos Grochal, que é um especialista aí da área, professor também de um dos aplicativos. E o que eu tenho para encerrar é um histórico também da tecnologia.
00:19:32 R - Você gostou quando eu falei da máquina xerox, da máquina fax. Pois bem, eu estava presente também quando chegou o primeiro terminal de computador também lá no Edifício Sede, foi um sucesso aquilo. as pessoas muito resistentes, porque tudo era feito no cartão.
00:19:55 P/2 - Existia o computador central, mas não existia terminal.
00:19:59 R - Os jobs eram escritos em uma linguagem chamada o JCL da IBM, que era terrível. Então, a gente tinha que escrever no papel os programas, e dali ia para um perfurador. Aí o perfurador perfurava, gerava aquele monte de cartão, aí aquele monte de cartão ia pra uma leitora, e de vez em quando o cara batia, caía tudo no chão, tinha que fazer tudo de novo, perfurar tudo de novo, aí rodava o programa, dava erro. que a gente chama de A-Band, dava os A-Band, aí tinha que reestartar o processo todo. Ave Maria, não era brincadeira. Então, quando chegaram os primeiros terminais, eu lembro bem que houve uma resistência danada. Microcomputador foi agora, outro dia, né? Eram os terminais de trabalho, aqueles computadores IBM pesados, né? Então, houve uma resistência danada, ninguém queria. Aquilo era uma coisa do arco do outro mundo, aquele painel verde, aqueles números. Eu lembro bem que o pessoal de nível médio falou assim, vou continuar aqui no meu cartão mesmo. Aí, com o tempo, aquilo foi... entrando na cultura, incorporando na cultura da companhia, até que nós recebemos os micros da EVA, e mais recentemente as estações de trabalho. Hoje, para que você tenha uma ideia, o computador no 15º andar do edifício sédio da Petrobras ocupava o andar inteiro. de computador, de máquina, era de assustar aquele computador cheio de modos, modos. Hoje, se você olhar o computador, os modos se restringem a uma pequena sala como essa. Existem já robôs de alta tecnologia que já pegam a fita. Antigamente, a fita tinha que sair lá da fitoteca, num outro prédio, ou senão num depósito na Praça XV, vinha de cômbio, o cara pegava a fita, Aquele monte de fita no carrinho, saia andando, aí subia o elevador, chegava lá, o operador tinha que pegar a fita, botar na leitora de fita e não sei o que, limpar a fita. Hoje em dia você dá um start no seu ambiente de trabalho aqui em Macaé. No Rio de Janeiro, um robô vai lá, puxa o cartucho, já lê e você submete o trabalho e já tem possibilidade de ver o trabalho quase em tempo real ali. interpreta ali mesmo e ali mesmo você já gera os mapas. Os mapas eram gerados, você submetia um mapa hoje, daqui a três, quatro, cinco dias é que você ia ver a primeira prova do mapa. Quer dizer, também durante esses 25 anos houve uma evolução muito grande de tecnologia na área de petróleo, o que foi realmente um grande motivador do desenvolvimento da Petrobras. Foi associado à capacitação técnica e evolução técnica neste período. Positivo?
00:23:06 P/1 - Inclusive, eu quero te perguntar uma outra coisa.
00:23:08 P/2 - Eu queria.
00:23:15 P/1 - Te perguntar porque você falou que teu pai Tinha a ver com o início da Petrobras?
00:23:20 R - Meu pai, como eu te falei, está indo para 101 anos. E meu pai é sergipano e viveu a infância dele toda na Bahia, militar. E meu pai teve a oportunidade de presenciar, na época com Getúlio, a primeiro poço exploratório na região de Lobato, na Bahia, Porque, na verdade, ele morava lá nesse lugar. Lobato, você conhece Salvador? Lobato, ele fica assim numa região... Conhece Lobato? Pô! Ah, esteve lá? Pois é, meu pai morava em um bairro adjacente a Lobato, então ele presenciou todo o início da Petrobras. E eu, quando era pequeno, aí vem uma outra parte histórica, o prédio mais bonito de Salvador, esse aí eu estou com 50 anos, eu tinha 40 anos atrás, era o prédio da Petrobras, que fica ali na na Jequitaia, a gente chamava ali calçada, era a antiga calçada, na estação de trem, e eu tinha uma madrinha que morava no Bonfim, e eu morava no Barbalho, então eu tinha que sair do Barbalho, você conhece Salvador assim, com detalhe? Ah, morou, você conhece o Barbalho? Pois é, eu saía do Barbalho quando era pequeno e passava pela calçada para ir para o Bonfim. Eu vi aquele prédio da Petrobras, ele tinha cinco andares, mas era um prédio mais alto. Tinha alguns prédios na Barra, como o Edifício Oceania e tal, que eram bem antigos, mas ali naquela área, o prédio da Petrobras era, sim, uma coisa, uma... um prédio faraônico para os olhos de uma criança. E meu pai sempre tinha atividades, porque ele pertencia ao exército, e o exército, no início da Petrobras, teve muita atuação com Getúlio, então ele presenciou muito. E eu ficava maravilhado quando meu pai me levava nesse prédio. Primeiro pelo fato de ter elevador, que eu não conhecia elevador, criança, né, olhando. Estão falando coisas de 40 e poucos anos atrás, né? E esse prédio, no Natal, ele colocava as luzes de Natal no prédio e ficava a coisa mais linda. Era ponto turístico de Salvador, o prédio da Petrobras. Então a Petrobras, desde quando eu era pequeno, já me fascinava esse nome Petrobras, Petrobras, Petrobras. Esse é um dos motivos que eu estou até aqui para dar esse depoimento. Porque a Petrobras esteve sempre muito presente na minha vida, mesmo atualmente com a abertura do petróleo. A gente, na área de geofísica, tem muitas propostas para sair da empresa, mas a satisfação que eu tenho da Petrobras transcende o salário. É uma satisfação pessoal de pertencer à Petrobras, aos quadros da companhia. e, como eu, muitas pessoas aqui dentro também, de estar assim ligado à história da Beto Albraz. Então, no meu caso, muito particular, é uma história que vem desde a minha infância, com essa presença do meu pai, do início da companhia, não como petroleiro, mas como um representante do governo, dentro do governo de todo, na formação da empresa, porque antigamente, antes da Petrobras, era o Conselho Nacional de Petróleo, do qual meu pai também foi um dos fundadores. Então, eu tive toda uma, em casa, na família, toda uma vivência da criação da Petrobras. E, além disso, a Petrobras foi criada no ano que eu nasci, 52. Então, ainda tem mais essa coincidência, né? Coincidência. Então, é uma coisa que está realmente muito vinculada uma coisa à outra. E eu gostei dessa pergunta. Pois é. Vou falar com o meu pai, ele mesmo com 101 anos, ele está super lúcido. Eu vou falar sobre a entrevista, citei ele e tal. Se você entrevistasse ele, ele com certeza teria muito mais histórias desse início. Se você for a Salvador, você pode procurar ele. Ele mora ali na Pituba. e vai ser um prazer, é um tremendo contador de histórias, mais do que eu.
00:27:38 P/1 - Então, só um pouco para finalizar, eu queria perguntar o que você achou de ter participado desse programa, de contar a história da empresa.
00:27:46 R - A memória, eu sempre sou a favor de preservar a memória. Eu acho que a memória, ela é um insumo para o futuro aprendizado. Como instrutor e professor há mais de 30 anos, Eu sempre procuro passar sempre um pouco do passado para melhor entender o presente e o futuro. Então, preservar a memória, o próprio memorial Carlos Walter, se você prestar atenção, tem uma placa que foi idealizada por mim lá. Quando a Petrobras fez agora 25 anos, eu pedi ao Belo que se fizesse uma homenagem ao Carlos Walter. Idealizei a placa, escrevi com o professor Oswaldo Duarte os dizeres da placa. E se ela não estiver ainda na sala do memorial, é porque ela está sendo preparada, o suporte para... Mas seria interessante vocês até filmarem essa placa. É uma placa muito bonita. que eu idealizei com o professor Oswald Duarte para marcar a presença do Carlos Walter nos 25 anos de produção da Bacia. Então, eu acho super válido esse trabalho, é preservar para as futuras gerações o que foi a Petrobras, o que está sendo hoje, o que foi ela 25 anos atrás, porque 25 anos passa muito rápido. Parece que foi ontem que eu, cabeludo, Estava embarcando lá para a sede, com o 765, para ver a primeira testemunhagem. Me parece, na minha cabeça, que foi ontem. Eu lembro muito bem até como eu estava vestido, de bermuda, de tênis, subindo com a plancheta na mão, com os livros de geologia na mão, de sedimentologia, porque naquela época o Hallswalt, uma das coisas que ele fazia era botar o pessoal para estudar. Botava muita gente para estudar. Quem não tivesse trabalho não tinha que estar estudando. Porque a cobrança era muito grande em termos de atualização profissional. Hoje é, mas não tão incisivamente quanto era no passado. Mas passa muito rápido. Então, se a gente não perder Se a gente perder esse elo de história, o trem vai passar e a gente vai ficar sem realmente retratar o que foi a empresa, a sua história desses anos de sucesso para as futuras gerações. Porque os garotos estão chegando aí, nós estamos admitindo uma... E é bom repassar pra eles o que foi, porque a pessoa chega aqui e pensa que a coisa aconteceu, que já encontrou isso, é mil maravilhas. Não sabe o esforço que se fez no passado pra se ter esse sucesso que a Petrobras tem hoje, principalmente aqui na bacia de campo.
00:30:30 P/2 - Um esforço extraordinário.
00:30:32 R - Se a sociedade soubesse, assim, o esforço que se é para botar uma gasolina num posto e a pessoa chegar ali, pagar e apertar o botão e sair a gasolina, as pessoas talvez tivessem um pouco mais de consciência sobre o gasto desse precioso bem energético. Ok?
00:30:53 P/1 - Obrigada.
00:30:54 R - Falou, um abraço.
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