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Os ciganos

Tu que sabes o que é o medo, a fome e a dor no coração

Não permita que meus inimigos

Riam de mim e me maldigam

Que você seja a minha advogada perante Deus

Que tu me concedas sorte, saúde e que cresça minha vida

Que Deus o faça!

( Trecho de uma oração à Santa Sara Kalli)

Não sei se Santa Sara Kalli

a padroeira dos ciganos,

ainda velaria por esse povo seu

desgarrado sertão adentro.

Seriam eles filhos de Caim?

Os fabricantes dos pregos que lancinaram Jesus?

Por isso carregariam uma cruz

tal qual o Nazareno carregou?

Ou alguém os acusou,

porque a sua alegria os afrontou

ou porque a sua riqueza desejou?

Quando perderam o rumo,

quanto tempo se passou,

nesse inverso caminho das Índias, que nunca chegou?

Por que metem medo os seus olhos

da cor de todos os mistérios

que não ousamos conhecer?

A barra das saias compridas das mulheres

carregava a poeira das estradas

das léguas e léguas vencidas.

As carroças, puxadas por cavalos esfalfados

eram guiadas pelo chefe,

que o destino do bando conduzia.

Era dele a missão de pedir arrancho (só por uns dias)

em sítios onde a sombra das oiticicas,

juazeiros ou quixabeiras

lhes acenava convidativa.

Crianças de cabeleira loura

que contrastava com a pele já emorenecida

pelo sol tresloucado do verão

lambuzavam-se com manguitas e cajus

(quando era tempo).

Os donos das frutas as cediam

menos por caridade que por medo de suas pragas:

“As frutas maduras cairão do pé, sem serventia

O leite azedará na panela, o fogo apagará o tição

Seu coração não sossegará, nem de noite, nem de dia

nem no pingo do meio-dia”.

Fechem as portas, prendam as galinhas,

amarrem os cavalos, cerrem a janela,

pra que ela, moça inda donzela,

não caia na esparrela de um amor de mazela.

Não faça negócios com ciganos

São sabidos, roubam-nos os sentidos

não lhes dê ouvidos.

Vejam o exemplo do cavalo cego

vendido na feira de animais

“o defeito está à vista”...

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