Eu costumo dizer que os cães não entraram na minha vida. Eles reorganizaram ela inteira.
Sou formada em engenharia química. Trabalhei em multinacionais no Brasil e nos Estados Unidos. Vivi anos dentro de uma lógica extremamente racional, técnica e acelerada. Planilhas, metas, desempenho, produtividade. Tudo muito controlado. Ou pelo menos parecia.
Até a Bella chegar.
A Bella não foi apenas minha cachorra. Ela foi a grande ruptura da minha vida. Uma Samoieda que, sem qualquer pretensão, me apresentou um universo inteiro que eu desconhecia: o universo do vínculo verdadeiro entre humanos e animais. Foi através dela que nasceu meu olhar para o mercado pet, para comportamento animal, para bem-estar e, principalmente, para a relação emocional profunda que existe entre espécies.
Ela literalmente abriu portas profissionais, emocionais e humanas.
Graças à Bella, fundei o Cachorródromo®. Graças à Bella, me tornei treinadora de cães. Graças à Bella, encontrei propósito. E talvez o mais importante: graças à Bella, comecei a encontrar a mim mesma.
Com o passar dos anos, entendi que ela não estava apenas me acompanhando. Ela estava me ensinando.
Bella envelheceu.
E envelhecer um cão que amamos é uma experiência silenciosamente brutal. Porque eles continuam abanando o rabo mesmo quando o corpo começa a falhar. Vi a Bella começar a ter dificuldade para subir escadas, sentir dores, cansar após atividades simples. Busquei exames, fisioterapia, fortalecimento muscular, adaptei rotinas e aprendi que amar também é aceitar os limites naturais da vida enquanto fazemos absolutamente tudo para oferecer dignidade e conforto.
Existe uma frase que nunca saiu da minha cabeça:
“Eu sofreria muito mais sabendo que ela precisava de ajuda e eu não tentei.”
Então tentei tudo que estava ao meu alcance. E continuo tentando.
Nesse caminho vieram outros encontros transformadores.
Hero entrou na minha vida carregando um papel...
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Eu costumo dizer que os cães não entraram na minha vida. Eles reorganizaram ela inteira.
Sou formada em engenharia química. Trabalhei em multinacionais no Brasil e nos Estados Unidos. Vivi anos dentro de uma lógica extremamente racional, técnica e acelerada. Planilhas, metas, desempenho, produtividade. Tudo muito controlado. Ou pelo menos parecia.
Até a Bella chegar.
A Bella não foi apenas minha cachorra. Ela foi a grande ruptura da minha vida. Uma Samoieda que, sem qualquer pretensão, me apresentou um universo inteiro que eu desconhecia: o universo do vínculo verdadeiro entre humanos e animais. Foi através dela que nasceu meu olhar para o mercado pet, para comportamento animal, para bem-estar e, principalmente, para a relação emocional profunda que existe entre espécies.
Ela literalmente abriu portas profissionais, emocionais e humanas.
Graças à Bella, fundei o Cachorródromo®. Graças à Bella, me tornei treinadora de cães. Graças à Bella, encontrei propósito. E talvez o mais importante: graças à Bella, comecei a encontrar a mim mesma.
Com o passar dos anos, entendi que ela não estava apenas me acompanhando. Ela estava me ensinando.
Bella envelheceu.
E envelhecer um cão que amamos é uma experiência silenciosamente brutal. Porque eles continuam abanando o rabo mesmo quando o corpo começa a falhar. Vi a Bella começar a ter dificuldade para subir escadas, sentir dores, cansar após atividades simples. Busquei exames, fisioterapia, fortalecimento muscular, adaptei rotinas e aprendi que amar também é aceitar os limites naturais da vida enquanto fazemos absolutamente tudo para oferecer dignidade e conforto.
Existe uma frase que nunca saiu da minha cabeça:
“Eu sofreria muito mais sabendo que ela precisava de ajuda e eu não tentei.”
Então tentei tudo que estava ao meu alcance. E continuo tentando.
Nesse caminho vieram outros encontros transformadores.
Hero entrou na minha vida carregando um papel que poucas pessoas compreendem completamente. Ele não é “apenas um cachorro”. Hero se tornou meu cão de serviço. Como pessoa autista diagnosticada tardiamente, precisei revisitar toda minha história para entender quem eu era. E nesse processo, Hero se tornou apoio, previsibilidade, segurança e regulação emocional em momentos em que o mundo parecia excessivamente barulhento e difícil de interpretar.
Muitas vezes as pessoas enxergam apenas um Labrador bonito ao lado de alguém. Elas não enxergam o trabalho invisível que existe ali. Não enxergam o vínculo construído em silêncio. Não enxergam o quanto um cão pode devolver autonomia para uma pessoa.
Uidi chegou trazendo sua própria personalidade e seu próprio espaço dentro da família. Cada cão tem uma função emocional na nossa vida, mesmo quando não percebemos imediatamente. Alguns chegam para nos desafiar. Outros para nos ensinar leveza. Outros para equilibrar a casa inteira sem fazer esforço algum.
Dude veio como aquele respiro delicado que lembra que alegria também mora nas pequenas rotinas. Nos detalhes. Nos hábitos simples do cotidiano.
E então veio Big.
Um pequeno Pomerânia resgatado que chegou carregando marcas invisíveis e, ao mesmo tempo, uma capacidade absurda de seguir em frente. Como quase todo animal resgatado, Big não trouxe apenas carência. Trouxe também resiliência. Trouxe a lembrança de que cães continuam confiando nos humanos mesmo depois de terem todos os motivos para não confiar.
Isso sempre me desmonta.
Ao longo da vida, percebi que cada um deles encontrou uma versão diferente de mim. E talvez eu também tenha encontrado versões diferentes de mim através deles.
Os cães me ensinaram sobre responsabilidade, comunicação silenciosa, presença, paciência e vulnerabilidade. Me ensinaram que cuidado não é discurso bonito de internet. É rotina. É consistência. É acordar cansada e ainda assim administrar remédio, fisioterapia, treino, adaptação, consulta, exame e acolhimento emocional.
Eles me ensinaram que amor não está nas frases prontas do mercado pet. Está no compromisso diário.
Hoje entendo que minha trajetória profissional, meus projetos sociais, a fundação da Ação em Prol dos Animais (APA) e minha atuação no mercado pet nasceram do mesmo lugar: gratidão.
Gratidão por todos os cães que passaram e permanecem na minha vida.
Gratidão pela Bella ter iniciado tudo.
Gratidão pelos encontros que os animais proporcionaram.
Gratidão por compreender que proteger animais nunca foi apenas sobre salvar vidas. É também sobre preservar vínculos, memórias, dignidade e transformação humana.
Muita gente acredita que nós resgatamos os cães.
Mas olhando honestamente para minha própria história, eu sei que eles me resgataram primeiro.
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