Meu nome é Krichina, e ele carrega uma história que a maioria não imagina. Quando me perguntam sobre sua origem, quase sempre vem junto um pressuposto: que meus pais eram da religião Hare Krishna ou hippies. Afinal, a pronúncia é a mesma, e por coincidência ou não, sou praticante e professora de yoga.
Bem, minha mãe se chama Vera. Numa realidade mais dura, trabalhou ainda na infância. Durante a adolescência, era assistente de uma fotógrafa chamada Nilda — uma mulher que a levava para todos os cantos de moto, de casa em casa, fazendo retratos. Minha mãe devia ter uns quinze anos e se divertia com ela.
Num desses trabalhos, fotografaram uma menina que se chamava Krichina. Minha mãe gostou muito do nome. E havia um detalhe que ela sempre menciona com ênfase quando me conta essa história: a menina era bailarina.
Ali mesmo ela prometeu a si mesma: se um dia tivesse uma filha, se chamaria Krichina. Passaram-se alguns anos, e eu cheguei. O nome ficou guardado com ela, à minha espera.
Meu pai queria Karine. Então ficou Krichina Karine.