Olá, meu nome é Valkmar Ferreira Lima,tenho 46 anos e sou natural de Forteleza-Ce. Sou de uma humilde família de nove irmãos e eu sou o sétimo, sendo que o nôno morreu com meses de vida.
Bom, na década de de 60 e 70 principalmente no Norte e Nordeste do país ainda se mantinha a triste idéia de que os pais preferiam que os filhos trabalhassem do que estudassem, e nessas circunstâncias fui crescendo e quando comecei a estudar num colégio de verdade, eu tinha 10 anos e ainda ia fazer a primeira série e sem saber lêr. Ou seja, já comecei atrasado nos estudos.
Como todo mundo era aprovado na primeira série, assim o fui.E na segunda série da mesma forma. Mas...o bicho começou a peh=gar na terceira série e eu fui reprovado. Na quarta série também reprovei. Mas na quinta série foi diferente. Fui reprovado duas vezes. Hoje descobri que eu tinha essa doença que hoje chamam de DISLEXIA. Eu era hiperativo, era bom em educação física e educação artística, mas nas outras matérias não conseguia me concentrar, era inquieto e me destraia com qualquer coisa. Na quinta série piorou tudo, pois eu já era adolescente e me paixonei por uma garota da minha classe. Eu só tinha cabeça para aquela menina e ficava a aula toda com a mão no queixo olhando e sonhando acordado com ela, e lógico fui reprovado. Eu não era um menino danado ou de mau comportamento, apenas nada entrava na minha cabeça sonhadora e distraída, e ao reprovar pela segunda vez na quinta série e já para completar 17 anos, meu pai resolveu me tirar da escola, pois era uma escola particular e cara. Foi então que a diretora que era amiga de meus pais, ao saber que minha matrícula não tinha sido feita, foi em minha casa e perguntou se eu não ia estudar naquele ano. Falei que não pois havia reprovado. E ela falou que ele poderia fazer a matrícula na sexta série que ela me aprovaria.Fiquei muito feliz pois só assim poderia ver aquela garota novamente. Meu pai fez minha...
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Olá, meu nome é Valkmar Ferreira Lima,tenho 46 anos e sou natural de Forteleza-Ce. Sou de uma humilde família de nove irmãos e eu sou o sétimo, sendo que o nôno morreu com meses de vida.
Bom, na década de de 60 e 70 principalmente no Norte e Nordeste do país ainda se mantinha a triste idéia de que os pais preferiam que os filhos trabalhassem do que estudassem, e nessas circunstâncias fui crescendo e quando comecei a estudar num colégio de verdade, eu tinha 10 anos e ainda ia fazer a primeira série e sem saber lêr. Ou seja, já comecei atrasado nos estudos.
Como todo mundo era aprovado na primeira série, assim o fui.E na segunda série da mesma forma. Mas...o bicho começou a peh=gar na terceira série e eu fui reprovado. Na quarta série também reprovei. Mas na quinta série foi diferente. Fui reprovado duas vezes. Hoje descobri que eu tinha essa doença que hoje chamam de DISLEXIA. Eu era hiperativo, era bom em educação física e educação artística, mas nas outras matérias não conseguia me concentrar, era inquieto e me destraia com qualquer coisa. Na quinta série piorou tudo, pois eu já era adolescente e me paixonei por uma garota da minha classe. Eu só tinha cabeça para aquela menina e ficava a aula toda com a mão no queixo olhando e sonhando acordado com ela, e lógico fui reprovado. Eu não era um menino danado ou de mau comportamento, apenas nada entrava na minha cabeça sonhadora e distraída, e ao reprovar pela segunda vez na quinta série e já para completar 17 anos, meu pai resolveu me tirar da escola, pois era uma escola particular e cara. Foi então que a diretora que era amiga de meus pais, ao saber que minha matrícula não tinha sido feita, foi em minha casa e perguntou se eu não ia estudar naquele ano. Falei que não pois havia reprovado. E ela falou que ele poderia fazer a matrícula na sexta série que ela me aprovaria.Fiquei muito feliz pois só assim poderia ver aquela garota novamente. Meu pai fez minha matrícula e comecei a sexta série. Mas no primeiro dia de aula me deparo com meu professor que havia me reprovado, e ele questionou o porque eu estava na sexta série. Eu falei que fui aprovado. Ele com cara de bravo falou-me que naquele ano eu já estaria reprovado. Aquilo foi um balde de água fria na minha grande cabeça de cearense, e no meio do ano desistí de estudar e resolvi me preparar para entrar nop exército brasileiro, que era meu sonho. Passei ame cuidar, malhava muito, corria e cuidei dos meus dentes. Enfim em 1985 onseguí entrar no exército. Foi a maior alegria que tive em toda a minha vida. Me sentia importante e útil a nação. Eu era um soldado sempre vibrante e realizado. Nada me cansava e não reclamava de nada. Mas o triste dia da baixa chegou. tentei fazer carreira, mas só com a quinta série mal concluida, não fui selecionado.
Foi quando dei por mim que eu era um Zé ninguém. Sem emprego, sem estudo, sem futuro, sem dignidade. Foi então que meu pai que era chef de cozinha de um hotel quatro estrelas, me levou para trabalhar com ele. Era o Colonial Praia Hotel. Lá trabalhava meu pai e mais dois irmãos. Um era barman e o outro era garçon e eu era auxiliar de cozinha. O trabalho era muito puxado, tinha que trabalhar todos os dias por dez horas. Meu pai era muito bravo, e ter que aguentar meu pai em casa e no trabalho era muito complicado.
Um dia comecei a refletir sobre minha vida ao ver um senhor de cabelos brancos e com um semblante bem judiado fazendo a mesma função que eu. Então pensei: Será que meu futuro vai ser isso? O que há de errado em minha vida? Comecei a analisar: Não bebo, não fumo, nunca usei drogas, não tenho deficiência física. O que há de errado em mim? Daí percebí que meu único problema ara a falta de estudo e resolví estudar de verdade. Naquele mesmo ano me matriculei numa escola pública, pois o ano letivo já havia começado e fui fazer a sexta série com 21 anos em 1987. Neste mesmo ano me escreví para estudar num colégio interno particular Adventista que fica em Pernambuco, e para a minha alegria, fui selecionado. Foi a minha segunda maior alegria depois da alegria do exército. E lá fui fazer a sétima série aos 22 anos. O colégio era muito caro e eu era aluno industriário, ou seja , eu teria que trabalhar na escola ´para pagar os estudos. Trabalhava pela manhã e estudava a tarde, ou vice versa. Só tínhamos 15 diasde férias por ano. Nas férias do meio do ano ficavamos trabalhando o dia inteiro.As vezes\eramos gari daescola, as vezes vaqueiro, as vezes jardineiro e as vezes servente de pedreiro. Mas eu trabalhava com muito ânimo e alegria. Meu lema era: Se o trabalho não me honra, hei de honrar o trabalho.
O diretor da escola era um Suiço chamado Samuel Porchet, e ele gostava do meu trabalho e me convidou para ajudá-lo a reformar uma casa que ele tinha na França, e de imediato aceitei, pois meu sonho era andar de avião. Então fomos eu ele e a família dele. Ficamos dois meses e tive o prazer de conhecer Portugal, França e Suiça. Trabalhamos muito, mas foi muito divertido. Depois de dois meses retornamos para o colégio em Pernambuco.
Fui aprovado na sétima, oitava e primeiro ano do segundo grau e agora eu teria que decidir qual curso profissionalizante fazer junto com os dois anos que faltava. Lá tinha contabilidade, enfermagem, científico e magistério,. Tudo à nível técnico. Eu resolví fazer enfermagem, e em 1992 concluí meu sonhado segundo grau e ainda sair com uma profissão de tecnico em enfermagem. Foi aí que resolví vir trabalhar em São Paulo. A escola tinha convênio com a Golden Cross e eu vim trabalhar direto no hospital de Goldem Cross. Nunca havia ganhado tanto dinheiro por um trabalho tão leve. Depois conseguí outro emprego e as coisas foram melhorando. Trabalhava doze horas por dia em dois empregos, mas tinha a noite livre. Então resolví fazer outro curso, o de técnico em radioplogia. Na minha formatura fui escolhido para ser o orador, o qual o fiz com muita alegria. Agora eu era o único funcionário no hospital que tinha essas duas profissões, daí me mandaram para trabalhar no centro de diagnóstico do hospital o qual me apaixonei pelo setor e pela minha atual esposa.
Fiquai sabendo que chegou em São Paulo a faculdade de Tecnologia em Radiologia Médica e ia abrir inscrições para a primeira turma. Resolvi fazer o vestibular e passei. Até então nunca havia pensado em fazer uma faculdade. Antes mesmo de concluir, fui convidado pelo meu professor que era diretor secretário do CRTR (conselho regional de técnicos e tecnólogos de Saõ Paulo) para assumir a cadeira dele, pois ela passou a ser o diretor presidente do conselho. De imediato aceitei o desafio e também fui o presidente da comissão de ética do mesmo conselho. Fui o primeiro nordestino tecnólogo em radiologia médica, pois ainda não havia esta faculdade lá. Na minha formatura fuoi o juramentista. A alegria foi muito grande e mais um sonho realizado.
Tinha um tempo livre e resolvi fazer faculdade de enfermagem para ampliar meu leque de oportunidades de emprego. E em seguida a faculdade de tecnílogo resoví emendar a de enfermagem. As duas faculdades foram mais fáceis que a quinta série. rsrs Passei em todas as matérias das duas faculdades na primeira, sem dependências. Fui o escolhido para ser o juramentista da faculdade. Agora eu era o primeiro profissional do Brasil a ter essas duas profissõe.
Fui convocado a participar uma seleção para comandar uma equipe para cuidar dos pais do Abílio Diniz. O dono da rede Pão de Açúcar, fui aprovado e comandei uma eaquipe de 12 auxiliares para cuidar do Seu Santos e da D.Florípides. Eles gostaram muito de mim.Achavam que eu era um dos filhos deles que havia morrido a muito tempo e eles achavam que ele estava em viagem à europa. Infelizmente seu Santos veio a falecer e nãoprecisaram mais de meus serviços.
Fiz uma Pós graduação na UNIFESP no ramo de cuidados de idosos em resudência, e hoje sou funcionário concursado pelo estado de São Paulo. Trabalho no Hospital de Vila Penteado, sou chefe do meu setor, sou casado com uma enfermeira e temos uma filha linda de 9 anos
Continuo trabalhando com a mesma garra que trabalhava no colégio e sou muito grato à Deus, minha família, ao Dr. Milton Afonso dono da Golden Cross, a cidade de Sâo Paulo e a minha esposa.
Que a minha história sirva de inspiração para muitos que se sintam um Zé ninguém, e que se conscientize de que o nosso futuro só depende de nós, nossa garra e nosso esforço.
Que Deus abençoe cada leitor.
Com carinho: Valkmar Ferreira Lima
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