O procurador de araque
(Mauro Leal)
Tarde da noite, próximo a uma biqueira, boca de fumo,
policiais com armas em riste, na busca de procurados,
surpreenderam uns suspeitos e aos esculachos os
colocaram virados para parede com mãos para o alto
e pernas abertas. E um dos enquadrados
com cabelos e barba brancos e rosto sulcado,
recusou-se ativamente a cooperar e falou, não sou o Árabe:
- Sou procurador, sou procurador!
Em seguida os agentes determinaram palma com palma e
meteram as algemas, mandou calar a boca e ao
revistá-lo, encontraram na mochila centenas de pinos,
pacote de marijoana e uma garrafa de
pinga estrangeira (leite de camelo),
e o individuo repetidamente dizia:
- Isto não é meu!
- Sou procurador, sou procurador!
E já na delegacia os agentes relatando a ocorrência
disseram ao delegado:
- Este cabeça branca alega ser procurador!
O doutor, o inquiriu:
- O senhor é Procurador de Justiça?
Respondeu o desqualificado:
- Excelência, sou legal, constituído pela senhora Justina,
a minha mãe, de noventa anos!


