Aquilo que buscamos entender e compreender pode falar muito sobre quem buscamos ser. Qual é a sua bagagem de experiências ? A única forma de obtermos compreensão a respeito da vida e das pessoas é através das experiências que reunimos.
Nasci numa quarta - feira, no dia 21 de março do ano de 2001. Tive uma infância alegre e feliz. Eu era só energia, sempre inventando uma brincadeira nova. Presumo que por eu não ter tido irmãos na minha infância, e por não ser uma criança com habilidades de sociabilidade, eu acabava criando novas brincadeiras, e até criando algumas histórias para que eu pudesse ter um entretenimento. Ainda na creche, sem ao menos saber ler, minha mãe me deu alguns livros de presente. Lembro que uma das histórias em especial, era a de uma raposa. Diferente de outros livros, essa específica tinha uma raposinha vermelha, que estava sempre sozinha. Anos mais tarde, tomei conhecimento de que as raposas não vivem em bando, geralmente se agrupam em pequenas famílias, e algumas até ficam completamente sozinhas. Algumas vezes eu via as figuras do livro, e inventava diversas versões semelhantes ligadas àquelas ilustrações. Até que eu comecei a ler e encontrei nos livros e nas palavras a minha parte mais sincera. Eu passava horas pensando e imaginando novas histórias, em que eu era a protagonista.
Havia algumas pessoas conhecidas da minha família que diziam para a minha mãe que eu sofria de Hiperatividade, e que eu não era uma criança normal, já que até os três anos de idade eu ainda não falava. Ao mesmo tempo em que eu era muito agitada, havia uma forte distração em mim. Algumas coisas simples de rotina, sempre acabava tendo que me ensinar novamente - repetidas e repetidas vezes. Era o estereótipo de criança ansiosa e impulsiva, que só fazia besteira. Acredito que eu só não era severamente punida pelas coisas que fazia, porque acima de tudo eu era uma criança educada e gentil, que apesar de muito...
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Aquilo que buscamos entender e compreender pode falar muito sobre quem buscamos ser. Qual é a sua bagagem de experiências ? A única forma de obtermos compreensão a respeito da vida e das pessoas é através das experiências que reunimos.
Nasci numa quarta - feira, no dia 21 de março do ano de 2001. Tive uma infância alegre e feliz. Eu era só energia, sempre inventando uma brincadeira nova. Presumo que por eu não ter tido irmãos na minha infância, e por não ser uma criança com habilidades de sociabilidade, eu acabava criando novas brincadeiras, e até criando algumas histórias para que eu pudesse ter um entretenimento. Ainda na creche, sem ao menos saber ler, minha mãe me deu alguns livros de presente. Lembro que uma das histórias em especial, era a de uma raposa. Diferente de outros livros, essa específica tinha uma raposinha vermelha, que estava sempre sozinha. Anos mais tarde, tomei conhecimento de que as raposas não vivem em bando, geralmente se agrupam em pequenas famílias, e algumas até ficam completamente sozinhas. Algumas vezes eu via as figuras do livro, e inventava diversas versões semelhantes ligadas àquelas ilustrações. Até que eu comecei a ler e encontrei nos livros e nas palavras a minha parte mais sincera. Eu passava horas pensando e imaginando novas histórias, em que eu era a protagonista.
Havia algumas pessoas conhecidas da minha família que diziam para a minha mãe que eu sofria de Hiperatividade, e que eu não era uma criança normal, já que até os três anos de idade eu ainda não falava. Ao mesmo tempo em que eu era muito agitada, havia uma forte distração em mim. Algumas coisas simples de rotina, sempre acabava tendo que me ensinar novamente - repetidas e repetidas vezes. Era o estereótipo de criança ansiosa e impulsiva, que só fazia besteira. Acredito que eu só não era severamente punida pelas coisas que fazia, porque acima de tudo eu era uma criança educada e gentil, que apesar de muito distraída, eu me esforçava em prestar atenção.
Na escola, eu tirava as melhores notas, exceto por matemática. Seguidas vezes eu pensava que não conseguiria aprender nada, e que eu tinha uma dificuldade absurda na matéria. Era o que eu pensava, e acabava inventando minhas limitações. Durante boa parte do ensino fundamental, minhas notas não eram das melhores na matéria, e depois de um tempo chegou a piorar. Certo dia, eu cheguei em casa com uma prova de peso dez, e a minha média tinha sido cinco. Meus pais acharam inaceitável, e eu tive que estudar por uma semana seguida a mesma matéria que eu estava com "dificuldades". Foi então que eu decidi que não teria mais dificuldades, e que eu não iria mais me limitar. A partir dessa decisão, passei a tirar as melhores notas em matemática, que porventura se tornou uma das minhas matérias preferidas. Nunca tive habilidades nos esportes, mas gostava de participar dos jogos que as professoras de Educação física criavam para a gente fazer torneios entre turmas. Eu entendia que os esportes e jogos eram importantes, não só para a saúde, mas também reforçava os laços de amizade entre os alunos, treinando também para o trabalho em equipe. Mas para mim, eram apenas dois períodos por semana em que eu poderia fazer um exercício, já que eu tinha o costume de passar muito tempo sentada. Essa era a minha motivação para participar. Até que em um jogo de handebol eu acabei fraturando um dedo, e nunca mais participei de nenhum tipo de esporte.
Ter uma personalidade introvertida não me prejudicou na infância, já que eu nem sabia que esse termo existia, e nunca me senti inadequada por ser eu mesma. Eu acabava por não perceber que as pessoas me viam com maus olhos. Eu percebia que tinha uma personalidade reservada, mas isso não me fazia sofrer. Mas com a chegada da adolescência, professores, colegas, e até parentes me faziam acreditar que ser introvertido é ser fraco, tímido, indiferente, rude ou egoísta. Isso, de certa forma, machucava profundamente a minha autoestima.
Acredito que a adolescência não foi fácil para ninguém. Não é fácil para os pais e nem para os professores, muito menos para os próprios adolescentes. Mas não é fácil ser uma jovem introvertida. Somos bombardeados de expectativas e exigências. Há quem diga que nunca seremos pessoas de sucesso, que estamos perdendo a nossa vida e juventude, mas eu digo que não estamos perdendo nada. Queremos ter a nossa própria personalidade, sonhar os nossos sonhos, deixar a nossa marca, ter a nossa voz. É o nosso modo de ser e viver a vida. Todas as pessoas na qual eu me inspiro e sinto orgulho são pessoas que são introvertidas, assim como eu. Foram pessoas incríveis que a humanidade conheceu e que aceitaram o seu modo de ver a vida, e seguiram orgulhosas por serem quem são.
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