Não me recordo da data exata, mas lembro que foi em julho de 2013. Estava fazendo plantão em uma clínica particular, por volta das 00:30, quando um veículo parou em local proibido para veículos particulares, exceto os de emergência. Abordei a motorista, uma senhora, com bom humor, pedindo que retirasse o carro. Caso não o fizesse, mencionei que ficaria de castigo. Ela riu e pediu à sua suposta filha, que estava no carro, para movê-lo.
Abri uma exceção permitindo que parassem no estacionamento da clínica. Ambas entraram no estabelecimento. Cerca de 40 minutos depois, a motorista, que eu presumi ser filha da senhora, veio até mim chorando, explicando que não estava em condições de dirigir e que enviaria alguém pela manhã para buscar o carro. Apenas a observei e mantive silêncio, respeitando a perda, permitindo que ela desabasse em lágrimas.
Desde então, essa lembrança permanece como uma cicatriz em meu peito, recordação de uma doce senhora que partiu com um sorriso.
