O salame rosa
Macio, aromático e saboroso, assim era o “salame rosa” do açougue Aurora, ali na esquina da Santos Dumont com Doutor Collares, onde o balcão refrigerado, com a frente de vidro, exibia pendurados em grandes ganchos de metal as muitas peças de carne. Comércio simples, piso daqueles cimentados quadriculados, uma grande mesa, com o cepo, o batedor de carne, muitas e afiadas facas, as chairas de afiar compunham o cenário.
E era lá que era vendido o famoso salame, por peso, em peças inteiras, pedaços ou até fatiado, ao gosto e pedido do freguês. Quando fatiado, é incrivelmente executado por faca muito afiada e milimetricamente cortado, para depois a porção ser pesada e embrulhada, em papel tirado da bobina no suporte, tempos em que o plástico ainda não imperava.
Fatias que por vezes iriam formar um lanche com um cheiroso e quentinho “pão d’água” ali da vizinha Padaria Glória do Emílio Voigt o Maestro da Sinfônica de Ponta Grossa e mestre padeiro, quem sabe na companhia de uma caçulinha de Guaraná Champanhe da Antárctica ou um gostoso Chocomilk gelado da Batavo…
Ainda vivíamos em tempos de pequenos comércios, as grandes redes se restringiam aos grandes centros, por aqui os armazéns e pequenos mercados eram uma realidade.
Lembro bem de dois deles, que frequentei na companhia de meus pais, um com maior intensidade o armazém do Maneco Nejm, ali na General Carneiro, quase na frente da casa do Zeca Craveiro de Sá, pai da Claudia, da Rosângela e do Rui, e do Luís Frederico Daistchmann o “Nhô Fidêncio” do rádio, marido da Dorá, pai da Guta, da Teresa Jussara e do Moisés o “Moshe”.
Nos armazéns, comprava-se o básico, arroz, feijão, açúcar, farinha, óleo, sal, banha, sabão em barra, querosene, cera, vela, peixe salgado em caixas, algumas bebidas como vermute e cachaça e tantas outras coisas, quase tudo a granel. Não havia o apelo visual de hoje, nem a profusão de marcas e toda essa...
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O salame rosa
Macio, aromático e saboroso, assim era o “salame rosa” do açougue Aurora, ali na esquina da Santos Dumont com Doutor Collares, onde o balcão refrigerado, com a frente de vidro, exibia pendurados em grandes ganchos de metal as muitas peças de carne. Comércio simples, piso daqueles cimentados quadriculados, uma grande mesa, com o cepo, o batedor de carne, muitas e afiadas facas, as chairas de afiar compunham o cenário.
E era lá que era vendido o famoso salame, por peso, em peças inteiras, pedaços ou até fatiado, ao gosto e pedido do freguês. Quando fatiado, é incrivelmente executado por faca muito afiada e milimetricamente cortado, para depois a porção ser pesada e embrulhada, em papel tirado da bobina no suporte, tempos em que o plástico ainda não imperava.
Fatias que por vezes iriam formar um lanche com um cheiroso e quentinho “pão d’água” ali da vizinha Padaria Glória do Emílio Voigt o Maestro da Sinfônica de Ponta Grossa e mestre padeiro, quem sabe na companhia de uma caçulinha de Guaraná Champanhe da Antárctica ou um gostoso Chocomilk gelado da Batavo…
Ainda vivíamos em tempos de pequenos comércios, as grandes redes se restringiam aos grandes centros, por aqui os armazéns e pequenos mercados eram uma realidade.
Lembro bem de dois deles, que frequentei na companhia de meus pais, um com maior intensidade o armazém do Maneco Nejm, ali na General Carneiro, quase na frente da casa do Zeca Craveiro de Sá, pai da Claudia, da Rosângela e do Rui, e do Luís Frederico Daistchmann o “Nhô Fidêncio” do rádio, marido da Dorá, pai da Guta, da Teresa Jussara e do Moisés o “Moshe”.
Nos armazéns, comprava-se o básico, arroz, feijão, açúcar, farinha, óleo, sal, banha, sabão em barra, querosene, cera, vela, peixe salgado em caixas, algumas bebidas como vermute e cachaça e tantas outras coisas, quase tudo a granel. Não havia o apelo visual de hoje, nem a profusão de marcas e toda essa publicidade, comprava-se o que seria consumido em seguida.
Havia sempre algum vidro grande com algum tipo de guloseima, balinhas ou paçoca, e conseguir uma delas era uma vitória!
Maneco era amigo da família, então além dos laços comerciais havia a amizade, e o descendente de libaneses era um bom garfo, comilão, lembro que em certa ocasião, minha avó Nesca em uma de suas visitas à Ponta Grossa fez um jantar e o senhor Maneco e esposa foram convidados e o prato principal servido foi um Tainha recheada com farofa de camarões ao forno, e que nos dizeres se meu pai, “o turco velho comeu de lamber os beiços”.
Assim eram aqueles dias, a vida transcorria com menos pressa, sem a corrida dos atuais dias, nessa desenfreada busca sabe-se lá do que…
Comprava-se sem dinheiro e sem cheque, muito menos cartão, havia a caderneta e nela tudo era anotado, para que no dia em que o freguês recebesse o salário a dívida saldasse.
Que o diga meu pai, que em determinado momento de seu início de carreira no magistério, ficou alguns meses sem receber salários do governo estadual durante o período de Moisés Lupion e mesmo assim Maneco Nejm continuou a fornecer tudo o que precisávamos, até que pudéssemos um dia saldar a dívida.
Tempos diferentes, valores distintos.
Na rua Coronel Claudio, o armazém Salomão Tuma, já um pouco maior que o do Maneco e que viria mais tarde se tornar o primeiro mercado da cidade, mas que em seu início também atendia a todos no mesmo velho estilo. Lembro que, voltando do colégio perto do horário do almoço, ao passar pela porta do armazém, via sempre o velho Salomão com seus suspensórios atrás do caixa, e as grandes caixas ou tuias na parte da frente onde se armazenavam cereais.
E tudo, pouco a pouco, foi mudando, a cidade crescendo e tomando novas feições, para alguns de modernidade, para outros nem tanto.
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