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Personagem: Elisana Matos Campos
Por: Museu da Pessoa, 29 de maio de 2012

O poder da autoconfiança

Esta história contém:

O poder da autoconfiança

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“De pequena, eu queria ser duas coisas: ou professora ou marinheira. Até os 15 anos eu queria ser professora. Aí depois o meu sonho mudou pra ser marinheira. Sempre gostei muito de uniforme e sempre achei que carreira nas forças armadas era algo que poderia modificar alguma coisa. Lá no meu bairro as pessoas que passam no concurso de forças armadas tem uma condição de vida um pouco melhor, com uma expectativa de melhorias. Minha mãe é dona de casa. Ela me criou. Aposentada agora, mas devido a uma questão de saúde. Ela cozinha, faz bolo, salgado, fez várias casamentos já. Eu não queria ir pra escola quando comecei. Tive dificuldade no ensino fundamental porque foi bem a época em que minha mãe ficou internada. Mas sempre tive boas notas: melhor em matemática e química. Português não, eu até hoje tenho dificuldade de escrever as coisas. O que eu dei de duro no fundamental eu não dei no ensino médio. Por quê? Porque eu já não tinha mais perspectiva. Eu achava as coisas difíceis. Eu não sabia que existia internet, eu não sabia de muita coisa e eu fui parando. Eu acho que eu retrocedi. Minha mãe também continuava no hospital e eu não tinha contato com ela. Não quis mais estudar, não quis pensar em trabalho também. Quis mais ficar em casa com ela quando ela voltou. Com dezessete pra dezoito, depois de cinco anos, eu fui pensar em estudar de novo. Quando criança sempre quis dar aula, mas vi como era difícil, que o sistema ia me aborrecer muito. Posso estar errada, mas preferi fazer Contabilidade. Foi quando eu estava fazendo curso de Contabilidade que eu conheci o Enter Jovem*, que a diretora da escola falou que quem não tivesse carteira de trabalho assinada que estava tendo oportunidade. Fiz um curso para ensino de informática, e aí começaram a falar de vestibular, começaram a falar de um monte de coisas. Graças a Deus sempre tiveram paciência comigo porque eu, além de tímida, eram muito emburrada, fechada. Eu nunca...

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Programa Mulheres Empreendedoras

Entrevistada por Stela Tredice

Depoimento de Elisana Matos Campos

Rio de Janeiro, 29 de maio de 2012.

Realização Museu da Pessoa.

Entrevista número MEC_HV_042

Transcrito por Iara Gobbo / MW Transcrições (Mariana Wolff)

Revisado por Camila Catani Ferraro

P/1 –Eu queria que você começasse falando seu nome completo, local e a data do nascimento.

R –Meu nome é Elisana Matos Campos, minha data de nascimento, meu local de nascimento é Rio de Janeiro. Nasci no dia 22 de dezembro de 1986.

P/1 – E Elisana, como é que você descreveria seus pais?

R – Eu amo a minha mãe, fui criada por ela desde os meus seis anos de idade. O meu pai é presente, mas quem me criou mesmo foi minha mãe.

P/1 – O quê que ela faz?

R – Ela é dona de casa. Ela me criou. Ela é aposentada agora, ela aposentou devido à questão de doença, mas no momento, de vez em quando ela cozinha, fazendo pra fora bolo, salgado, mas ela é dona de casa na maior parte do tempo.

P/1 – E você sabe a origem dos seus pais?

R – A minha mãe é descendente de índio com negro. Minha avó era cabocla, meu avô era negro, cabelo branco, negro e segundo ela, os meus tataravós, bisavós, eram portugueses com negro. Então é uma mistura mesmo.

P/1 – E a sua mãe cozinha bem?

R – Cozinha, cozinha muito bem, muito bem mesmo. Ela fez o meu aniversário de quinze anos. Ela faz vários casamentos, já fez vários casamentos. Agora ela está um pouco mais ponderada devido à questão de saúde.

P/1 – E você tem irmãos, irmãs?

R – Tenho um irmão de 24 anos, é mais novo que eu, é maravilhoso também, é muito bom. Ele é meu guarda-costas, meu companheiro, foi morar junto comigo e é isso. Eu amo ele.

P/1 – Você mora com a sua mãe?

R – Com minha mãe e com meu irmão. Os dois são solteiros ainda. Moro numa casa lá em Japeri, no Rio de Janeiro. É própria, nossa. Temos tudo que dá pra conviver. Fomos criados nessa casa. Temos,...

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