Programa Mulheres Empreendedoras
Entrevistada por Stela Tredice
Depoimento de Elisana Matos Campos
Rio de Janeiro, 29 de maio de 2012.
Realização Museu da Pessoa.
Entrevista número MEC_HV_042
Transcrito por Iara Gobbo / MW Transcrições (Mariana Wolff)
Revisado por Camila Catani Ferraro
P/1 –Eu queria que você começasse falando seu nome completo, local e a data do nascimento.
R –Meu nome é Elisana Matos Campos, minha data de nascimento, meu local de nascimento é Rio de Janeiro. Nasci no dia 22 de dezembro de 1986.
P/1 – E Elisana, como é que você descreveria seus pais?
R – Eu amo a minha mãe, fui criada por ela desde os meus seis anos de idade. O meu pai é presente, mas quem me criou mesmo foi minha mãe.
P/1 – O quê que ela faz?
R – Ela é dona de casa. Ela me criou. Ela é aposentada agora, ela aposentou devido à questão de doença, mas no momento, de vez em quando ela cozinha, fazendo pra fora bolo, salgado, mas ela é dona de casa na maior parte do tempo.
P/1 – E você sabe a origem dos seus pais?
R – A minha mãe é descendente de índio com negro. Minha avó era cabocla, meu avô era negro, cabelo branco, negro e segundo ela, os meus tataravós, bisavós, eram portugueses com negro. Então é uma mistura mesmo.
P/1 – E a sua mãe cozinha bem?
R – Cozinha, cozinha muito bem, muito bem mesmo. Ela fez o meu aniversário de quinze anos. Ela faz vários casamentos, já fez vários casamentos. Agora ela está um pouco mais ponderada devido à questão de saúde.
P/1 – E você tem irmãos, irmãs?
R – Tenho um irmão de 24 anos, é mais novo que eu, é maravilhoso também, é muito bom. Ele é meu guarda-costas, meu companheiro, foi morar junto comigo e é isso. Eu amo ele.
P/1 – Você mora com a sua mãe?
R – Com minha mãe e com meu irmão. Os dois são solteiros ainda. Moro numa casa lá em Japeri, no Rio de Janeiro. É própria, nossa. Temos tudo que dá pra conviver. Fomos criados nessa casa. Temos, agora que somos grandes, os dois trabalham e ficou melhor ainda. Antigamente era só eu que trabalhava. Há três anos atrás era só eu que trabalhava, agora tem meu irmão trabalhando.
P/1 – E você então passou a infância nessa casa?
R – Sim, desde os meus dois anos de idade eu passei nessa casa, a minha vida toda lá.
P/1 – Como é que era o bairro lá quando você era criança?
R – Japeri sempre foi tranquilo. São pessoas de família. É pobre. Agora há pouco tempo chegou asfalto, o asfalto deve ter uns dois anos de asfalto lá. Perigo, perigo, a gente nunca tivemos penitenciária lá, agora que chegou uma penitenciária. Era mais questão... mais… O bairro é tranquilo em questão de violência. O problema mesmo é questão de estudo, trabalho próximo, é tudo muito distante, mas quanto a isso, quanto à vizinhança, são pessoas simples, pobres, mas que quando precisa de um ovo, desculpe, de um café, estão sempre disposto a ajudar.
P/1 – A vizinhança é amiga?
R – É. Quando um sabe de uma coisa todo mundo sabe. Taí, o pessoal sempre é próximo. Uma vizinhança ainda... hoje não tanto devido a rotatividade, mudança, as pessoas antigas já morreram, mas há uns cinco anos atrás eram bastante conhecidos, assim muito próximas. Agora quase não paro em casa, trabalho, muitos morreram mesmo, muitos mudaram, mas são próximas ainda.
P/1 – E na sua infância, o que você gostava de fazer?
R – De brincar, eu gostava de soltar pipa, bola de gude e jogar bola. Eu sempre fui muito de ler, gostei muito de ler, sempre fui muito de comer, assim, aquela criança que gosta de comer besteira. A minha mãe ela passeava muito com a gente na minha infância, ficava na rua. Ela acordava cedo e aí fazia eu e o meu irmão corrermos sozinhos pela rua pra gente gastar energia, aí depois dava um banho, tava todo mundo cansado e aí ficava o dia todo tranquilo. Aí o restante é escola ensino fundamental, o médio. Que infância é mais até o ensino fundamental. Depois dos 12 anos é pré-adolescente aí não tem como parar mais. Mas a minha infância foi tranquila, sempre senti falta da questão do meu pai de não conviver junto comigo durante o meu crescimento, mas minha mãe sempre esteve presente, mesmo com a doença dela, nas dificuldades, ela deu pra criar a gente, com caráter. O mais importante é... eu não sei, é uma palavra, não sei como dizer... De confiança. Tem pessoas que, graças a Deus, eu acredito que eu e o meu irmão somos de confiança e a melhor coisa que hoje em dia depois de tanto sofrimento, que é uma coisa dela de dizer que graças a Deus ela conseguiu criar os filhos dela. Então minha infância foi maravilhosa, visando pelo lado da minha família, da minha mãe, do meu irmão, foi muito bom, muito bom mesmo. Tem pessoas que me amam por causa dela. As dificuldades vem normalmente, entendeu? Se for falar aqui as dificuldades, vai dar uma fileira, mas tranquilo, muito bom.
P/1 – E você tinha bastante amigos? Você e seu irmão brincavam juntos, como que era?
R – Eu fui criada no meio de homem. Quase não tinha menina na minha rua. Eu sempre, a maioria dos meus primos são homens. É por isso que acho que eu brincava mais de bola de gude e coisas de menino. Tendência de ser menino. Os meus amigos sempre foram homens. Agora há pouco tempo que eu fiz o ensino médio que eu comecei a ter mais contato com meninas. Aquela fase de mocinha. Aí deu pra desenvolver, assim, ser mais formal, delicada. Então fomos aprendendo essas coisas e convivendo, conversando mais com meninas. Porque no início mesmo eu tive mais contato com meninas. Eu fiz normal, fiz curso de normal próximo da minha cidade e lá era maioria era garota. Aí foi, mas a minha infância, os meus amigos eram os meus primos e a maioria dos vizinhos rapazes. Eu sempre tive muito colega.
P/1 – E você tinha algum sonho assim quando criança de quando crescesse quisesse alguma coisa?
R – Duas coisas: eu queria ser professora e queria ser marinheira. Até os 15 anos eu queria ser professora. Aí depois o meu sonho mudou pra ser marinheira. Sempre gostei muito de uniforme e sempre achei que carreira nas forças armadas era algo que poderia modificar alguma coisa ou modificar, ou você... eu não sei a palavra, nem é importante. Fazer a diferença lá no meu bairro, porque normalmente as pessoas que passam no concurso de forças armadas lá na minha cidade, tem uma condição de vida um pouco mais com uma expectativa de vida melhor, entendeu? Acho que eu sempre tive tendência pra esse lado por causa disso. E meu sonho também sempre foi... depois que a inclusão chegou lá na minha cidade, conhecer alguns lugares que eu via assim, de relance, mas agora lembrar o nome, eu não lembro de nomes, mas são lugares que às vezes eu vi e dava vontade de conhecer, mas não tinha como, eu morava muito longe do centro, e eu não lembro se era aqui no Rio mesmo ou se era em outros Estados.
P/1 – E aí na escola, você começou a ir na escola e você se lembra do primeiro dia de aula, como foi?
R – Lembro. Lembro que eu não queria ir pra escola, por causa questão de… isso foi mais no CA. No CA eu não queria ir pra escola por causa que eu não queria ficar longe da minha mãe e meu irmão também não podia estudar junto comigo, eu era muito grudada nele e ele tinha só cinco anos, aí não deixaram ele estudar junto comigo. E no ensino fundamental eu tive dificuldade na escola porque minha mãe ficou internada. Ela internou uns quatro meses pra começar o ensino fundamental e o ensino médio. Foi nesse período, tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio, eu tive essa dificuldade. Mas eu sempre tive notas boas, muito boas. Sempre fui melhor em matemática e química. Em português eu não sou… até hoje eu tenho dificuldade de escrever as coisas, pra falar. Eu sempre fui estudiosa, eu sempre fui mais a nerd da sala. Gostava de sentar na frente. Eu chegava na sala e depois ia direto pra casa, nunca fui de ficar na rua, até porque minha mãe me orientava a não ficar na rua. Foi tranquilo, foi tudo tranquilo. Eu me lembro de muita coisa, mas são coisas de convivência de jovens, do dia a dia, do estudo, da dificuldade, mas são coisas questão de adolescente. Mas no mais, foi uma experiência normal. Nunca tive um problema, questão de nada assim referente a escola.
P/1 – Teve alguma professora que te marcou especialmente?
R – Uma professora que me marcou? Teve uma professora que era da oitava série, que ela marcou por causa da opinião dela. Tinha muita coisa no livro que ela não concordava, mas ela explicava e dava os pontos, mas com base no que ela achava que estava errado. Mas aí na prova, era o que o livro… entendeu? Então ela me marcou porque a opinião dela, como que eu posso dizer? Ela não nos deixava só com uma visão. Ela dava uma visão e dizia: “Vocês têm vários métodos, eu to dando várias opções pra vocês. Então eu to explicando. Está escrito aqui, mas aqui tá assim. Eu vou te dar a…” ela me marcou por causa da opinião forte dela. Eu achava muito legal. Toda aula dela ela era assim. Por isso que ela me marcou.
P/1 – Você tinha bastante amigos na escola?
R – Eu tinha facilidade de montar meu grupo porque eu era boa na sala de aula e eu sempre fui muito de, eu não gostava de entregar trabalho atrasado e fazia trabalho na casa dos meus colegas, meus colegas faziam na minha casa. Sempre foi difícil por causa que a questão do dinheiro lá, alguns tinham computadores, eu não tinha, no grupo não tinha, mas eu sempre tive facilidade e montar grupos, de ter colegas. Só que eu sempre fui muito reservada. Sempre fui muito tímida, então às vezes eu tinha dificuldade. Hoje em dia eu vejo algumas pessoas que estudaram comigo no ensino fundamental falam: “Poxa, mas naquela época…”, ah, na época eu era muito tímida. Agora eu tenho que ser mais solta. Se eu não for mais solta, fica difícil, mas eu sempre tive um bom convívio em questão de sala de aula, eu quase não discutia também, eu evitava discutir. Eu já vi situações que as pessoas discutiam, eu evitava problemas. Eu já tinha os meus problemas em casa e não tinha tempo pra ficar preocupada em arranjar confusão na rua.
P/1 – E aí você passou pra juventude, pra adolescência. O que mudou na sua vida da infância pra adolescência?
R – Olha, eu sempre achei, eu nunca tive, quando eu… Até no fundamental, eu pensei que as coisas iam ser mais fáceis. Aí conforme fui fazendo o ensino médio, eu comecei a desistir de muitas coisas: vestibular, trabalho, estudo e eu fui estagnando, fui parando, meu semestre foi muito empurrado com a barriga. O que eu dei no fundamental eu não dei no ensino médio. Por quê? Porque eu já não tinha mais perspectiva. Eu achava as coisas difíceis, achava que… Eu não tinha acesso a algumas coisas, entendeu? Eu não sabia que existia internet, eu não sabia de muita coisa e eu fui parando. Eu acho que eu retrocedi. Teve um retrocesso na minha vida no fundamental. Foi no ensino médio que eu regredi. Não teve uma mudança boa, positiva em questão de estudos nem questão de trabalho. Até porque graças a Deus, minha mãe nunca me forçou a trabalhar. Ela sempre se preocupou que nós estudássemos e eu acredito também que eu fui muito… deixei muito meus estudos de lado no ensino médio por causa da doença da minha mãe. Que eu parei pra pensar nisso agora, por causa disso, entendeu? Por causa disso. Foi uma parte do ensino médio com esse processo. Hospital, casa, internação, então desanimei.
P/1 – Você tinha que cuidar da sua mãe?
R – Parcialmente, porque ela ficava muito no hospital e eu não tinha contato com ela. E eu fiquei muito na casa dos meus familiares que não moravam perto. Depois eu fiquei com meu irmão. A gente ficou um bom tempo… acho que uns seis ou sete meses com ela no hospital eu e o meu irmão em casa e foi, eu terminei o ensino médio, parei. Não quis mais estudar, não quis pensar em trabalho também. Quis mais ficar em casa com ela e meu irmão também. E aí depois, muito tempo depois, que quando eu terminei o ensino médio eu terminei de 17 pra 18, depois de cinco anos eu fui pensar em estudar de novo. Aí eu comecei fazendo o normal. Eu, quando criança sempre quis dar aula, mas eu via que o sistema, eu via que eu não ia conseguir continuar pra dar aula, tive que abandonar muitas coisas. Eu acredito que a criança tem o seu direito, então eu acredito que eu ia morrer se eu continuasse, se eu fosse professora. Posso estar errada, mas eu preferi não ligar pra que eu não me aborrecesse mais na frente. Aí depois eu comecei a fazer contabilidade, na minha cidade mesmo, básica, contabilidade básica. Eu pensei: “Vou procurar pra fazer”. Aí foi quando eu tava fazendo curso de contabilidade que eu conheci o Enter Jovem, que apareceu, chegou a diretora da escola falando que quem não tivesse carteira de trabalho assinada que tava tendo oportunidade. Falei: “Legal, vou começar a trabalhar.” Aí nos inscrevemos, aí fomos chamados depois de um tempo, comecei o curso, aí fiquei sem material. No início eu não entendi o curso, eu não sabia, acredito que também só comecei realmente conhecer o curso depois que eu comecei a trabalhar. Eu vi o que realmente é o Enter Jovem, mas enquanto aluna eu comecei a ter mais contato com computador. No meio tempo eu consegui fazer um curso pelo ensino de informática, e aí começaram a falar de vestibular, começaram a falar de um monte de coisas. Falei: “Legal Então tá!”. Aí comecei a voltar a estudar mais, me esforçar um pouco mais. Isso no período de 2009, 2010. Aí graças a Deus sempre tiveram paciência comigo porque eu não sei, além de tímida eu fiquei muito emburrada. Eu era muito fechada. Além de tímida eu comecei a ficar muito fechada. E comecei a fazer o curso. Sempre teve muita palestra, sempre teve muito.. teve essas oportunidades. Nunca que eu ia conhecer a Chevron depois que eu fiz uma pesquisa, foi assim. Fui no centro do Rio, toda boba que eu não sei… nunca tinha… aqui no centro, fui no… (choro), desculpa.
P/1 – Não, imagina. Quer parar um pouquinho? Não, tudo bem.
(pausa)
P/1 – Retomando o interesse em voltar a estudar e aí você começou a se interessar de novo pelas coisas.
R – Comecei a me interessar de novo pelo estudo. Eu pensei que eu tava velha pra fazer muitas coisas, eu achei que com 23 anos eu tinha passado do mercado e como eu, foi uma época que eu comecei a procurar trabalho e sempre recebi muito não. Eu não sei se é porque eu não sabia me vestir, eu não sei se é porque eu não tinha uma qualificação, não sei, não sei. Eu tinha estagnado. Aí eu… é porque quando eu falo as pessoas não acreditam, só eu sei o sentimento que eu tenho dentro de mim. E todo esse processo leva tempo e quando, eu sentada aqui, quando eu olho pra trás, olha, eu nunca, sabe, nunca imaginei tá conhecendo cada canto do Rio de Janeiro, ter falado com pessoas que são de outros países, eu to até com esse meu sotaque, não sei se você percebeu. Nunca imaginei que eu… Eu achei que eu ia ficar presa a vida toda na minha cidade, sem perspectiva, que eu ia virar dona de casa. Eu acho, é a melhor profissão que existe, só que eu queria ter mais opção e eu não conseguia acessar essas opções e quando eu conheci o Enter Jovem, eu senti que eu tivesse mais opções. Eu, se tiver em particular com uma pessoa, eu consigo convencer ela que vale a pena. Eu já fiz, graças a Deus, teve uma palestra que teve pros jovens, em Belford Roxo, que me deram a oportunidade de falar com os jovens, e até hoje essa aluna tava lá. Necessariamente eu reconheci ela, aí fui vendo, aí lembrei que conheci de lá, ela tava lá na palestra. De vez em quando tem uns que falam comigo: “Eu amei quando você falou”. Eu fiquei: “Nossa!, nunca que eu imaginei que eu… e eu nem falei da minha vida assim”. Eu falei em dezembro, quando eu comecei a estudar, nunca me imaginei dando palestra. E olha que eu nem falei os bocados que a gente passa por essa vida. Todo mundo tem esses problemas. Só contei os sonhos que tinham ficado para trás e depois acordaram. Ainda estão acordando que ainda tenha muita coisa pra fazer. Agora eu acredito que com 50 anos ainda posso fazer muita coisa. Não cheguei lá ainda, mas quando chegar, vou chegar chegando, coisa que… engraçado.
P/1 – E você, nesse período que você teve no Enter Jovem, Elisana, como é que foram as coisas que pra você foram muito interessantes, que você viu, que você sentiu meio que modificou alguma forma de ver alguma coisa da sua vida?
R – Eu sempre achei que, eu nunca acreditei que eu tivesse potencial. Até hoje ainda é difícil quando eu to na frente do computador, mas sempre sabe,de fazer as coisas, sempre me achei muito ignorante, muito… uma palavra bonita para não ter que falar uma palavra forte. Sempre me achei um pouco ignorante, não na questão de… era questão de educação, de estudo. Eu sempre achei que eu não era digna de assumir um cargo, de ter responsabilidade. Por um momento, eu acreditei que eu teria que viver a minha vida passando roupa, cozinhando, isso foi uma das coisas que mudaram. E hoje, graças a Deus, eu choro de felicidade porque, se eu fizer um relatório pra você das coisas que hoje, hoje eu não to sofrendo, graças a Deus, que eu já fiz desde… E eu não tenho medo de fazer, de falar o que eu pensava. Há cinco anos atrás, seu eu mostrar foto, como eu era, você não vai acreditar. Então mudou a maneira de pensar em relação a isso, em relação a eu. Me dava uma nota muito baixa. Não sei se era uma questão de preconceito, de que eu aprendi, por eu ser negra, eu ser um pouco mais escura, isso não quer dizer que eu tenho que ocupar, que eu tenho que tomar a posição que foi escolhida pra mim. Eu tenho direito de escolha. Então eu sofri muito isso. Questão também de ser mulher. Tenho direito também a ter os melhores salários, as melhores oportunidades. É só me qualificar. Isso mudou muito em mim. Ainda tenho muito o que mudar, mas isso ninguém me tira hoje.
P/1 – E nos conteúdos que você via no curso, durante o período que você teve no Enter Jovem, teve alguma coisa assim que você aprendeu, que foi muito especial pra você, realmente te ajudou?
R – Como me portar na entrevista. Lá me explicaram como eu não devo ficar sempre na mesma posição. Eu devo ficar... Eu sempre fui muito… eu ficava assim, séria, tremia muito, gaguejava, não sabia me vestir. Entrevistas que eu, nossa! Foi uma comédia!
P/1 – Por quê?
R – Porque eu… Gente, não é possível que eu era daquele jeito. São conteúdos que tão incluídos no programa do caderno de atividades. Em 2010 modificou muito, mas é o mesmo cronograma, que fala sobre como se portar, como fazer um currículo e eu acho que isso foi minando mais atenção, até pras outras pessoas que estavam ao meu lado. Eu não era tão ruim, mas eu tinha um senso de… não é moda não, é de vestimenta que era um absurdo. E o modo de me comportar, eu não era ignorante, não era ignorante, não era agressiva, não era faladeira eu só não sabia que numa entrevista é diferente. Teve uma matéria, eu não me lembro de cor, foi essa matéria, como se portar numa entrevista, como se vestir pra uma entrevista, e algumas oportunidades foram se abrindo. Não foram as oportunidades. Foi aí que eu vi que eu tinha opção de escolha também, que nessa época eu tive duas oportunidades de trabalho, que depois no Enter Jovem enquanto eu estava fazendo o curso, que era trabalhar de telemarketing e trabalhar numa loja. Eu consegui as duas vagas, mas eu não queria trabalhar. Aí eu expliquei uma vez. Então foi esse conteúdo que modificou assim, que me chamou a atenção foi esse. Porque antes é nada, é não, não, não o tempo todo. E depois, duas oportunidades na mesma semana.
P/1 – Vocês faziam muitos trabalhos em grupo. Tem alguma experiência assim que tenha sido marcante pra você, de algum desses trabalhos?
R – É porque infelizmente ou felizmente, eu sempre fui muito fominha. Então eu gosto muito de fazer isso de, por exemplo, tinha um computador e três pessoas, por exemplo pra fazer um trabalho e eu sempre gostava de colocar logo uma ideia no papel, aí eu sempre fui de a gente sentar eu sempre fui muito, não é mandona: “E aí gente, vamo, vamo…” E a experiência marcante foi que eu tentava o máximo possível, coletar o máximo de informação. Teve uma vez que eu fiz um trabalho de propaganda de um remédio. Mas eu queria fazer uma propaganda engraçada e os meus colegas concordaram, mas riram tanto, tanto da propaganda, que depois eu vi, não fugiu ao contexto, porque as outras propagandas também eram boas, só que, não é que me empolguei não, até acredito que uma agência de publicidade ia comprar ela,modificar algumas coisas, mas foi muito engraçado. O pessoal ria, ria, e foi uma experiência assim que, em grupo, trabalho em grupo, e deu o que falar, ficou um bom tempo falando. Não sei se tá salva, pelo que eu me lembro eu passei pra minha professora, mas eu não salvei, nem lembro o nome da apresentação, mas foi engraçado.
P/1 – E você fez amigos durante o curso?
R – Fiz. Eu tenho contato com alguns deles até hoje, especialmente dois lá da minha cidade. Eles ainda não estão trabalhando. Um é porque no ano passado ele era menor de idade, eu não sei se ele… e a outra não conseguiu ainda trabalho. Mas eu tenho contato com alguns, tenho contato próximo a minha casa com outros. E é sempre assim, falando um oi, é ex-Enter Jovens, não sei se existe essa palavra, eu tenho contato assim, são colegas, amigos são mais próximos, mas tenho mais contatos. Sempre encontro no trem condução, falo, sempre tem um assunto novo pra trocar. Adquiri sim novos colegas, pessoas, no meu ciclo de convivência.
P/1 – E a sua mãe, seu irmão, sua família, seus amigos, o que acharam de você fazer esse curso na época?
R – Minha mãe não queria que eu desistisse das coisas. Eu vivia muito trancada. Era muito casa, dormia, e quando eu comecei a fazer o Enter Jovem, foi o processo de curso à noite, ela também já tinha perdido o costume de me ver assim e ela ficou feliz. Sinceramente ela ainda não acredita que eu to aqui também, porque quando eu consegui ela achou bom eu começar a fazer o curso. O meu irmão, no início como ele também não entendia o Enter Jovem, ele não quis fazer o curso. Hoje ele se arrepende. A minha família sempre foram eles, a minha mãe e o meu irmão. As pessoas só vêem hoje o fruto do que é o Enter Jovem. Quando alguém fala, eu conto a história: “Ah, eu era aluna neste projeto” Tem algumas informações que eu deixei muito tempo também no meu Orkut, no meu Facebook. Minha mãe sempre apoiou. Ela só não esperava que eu fosse me trazer aonde eu estou agora, nem eu. Como eu estou aqui é mais fácil de acreditar. Como ela não tá me vendo, ela ainda não acordou, eu acho muito bom pra minha vida.
P/1 – E você sente que você superou alguns obstáculos? Teve algum desafio assim que você viveu durante esse período fazendo o curso?
R – Teve. Teve o desafio financeiro que era pra responder as chamadas de entrevista. Teve o desafio de eu não querer fazer uma coisa que eu não gostasse, que eu sabia que eu não ia ser uma boa profissional. Graças a Deus eu ainda tinha como escolher não trabalhar por um tempo, entre aspas, porque minha mãe só ganha um salário, mas eu ainda tinha um tempo. São tantas coisas, eu esqueço da maioria. Eu só vejo um filme na minha cabeça. Então e difícil colocar em palavras o que eu quero dizer. Se você colocasse um medidor na minha pressão, no meu coração, mede só o nervosismo, e eu vi que eu não tenho palavras para descrever muitas coisas. Essa pergunta então, eu to tentando descrever, mas eu não consigo.
P/1 – Tudo bem, vamo indo, também não precisa… vamos conversando. Assim, o que te motivava, o que que você, qual que era a motivação que você tinha de estar fazendo esse curso? Que perspectivas que você via, que ele poderia te trazer assim?
R – Trabalho, porque depois que eu soube que eu poderia voltar… É que eu tava pensando mais em estudar, pra ser sincera, e eu vi que o que me motivou era a leitura, era o acesso, a internet. Eu nunca fui de ir à lan house, eu não tinha condição. É dois reais? É, mas são dois reais que na época fazia uma diferença. São dois reais. Hoje, graças a Deus, eu tenho acesso à internet, todo dia. E eu tenho acesso à internet quando eu levo o notebook no escritório. O que me motivou foi eu ter inclusão. É um outro mundo você tá em contato com supervisores, pessoas de fora. Foi isso, eu não sabia, eu não tinha noção. Não adianta falar: “Ah, você sabia…”, eu não sabia! Eu acreditei quando desse quatro meses já tinha uma explicação. “Olha, não garantimos o trabalho”, mas e daí? Eu vou fazer o curso, vou ter uma qualificação, vou ter um certificado de depois eu vou e faço outro. Foi isso que me motivou a estudar, entendeu? Estudar, estudar, estudar. Eu não tenho uma outra motivação maior que essa.
P/1 – Você disse que conheceu, você tava mostrando as fotos você conheceu grupos de estudantes que vieram de fora. Como é que foi essa experiência?
R – Olha, como eu falei pra você, na época eu não falava inglês, ainda não falo,tô estudando ainda, não sou boa em conversação, ainda. Na época eu fui convidada e eu rejeitei o convite por três vezes. Por quê? Eu ainda tava me acostumando com aquela mudança de estar preparada pro mercado de trabalho. Agora, conhecer um grupo de Boston, se eu não falava inglês, prá quê? Eu vou me sentir uma formiguinha de novo. Mas graças a Deus eu aceitei, consegui vir. Eu nunca fui de andar sozinha aqui no centro, hoje eu ando cada canto, graças a Deus aprendi a andar e quando eu conheci o grupo, pessoas simpáticas, eu achava que eu só veria pessoas assim… Quando falam que no Brasil, principalmente minha cidade, minha cidade é maravilhosa, eu amo minha cidade, mas quando falam de lugares distantes, de outros países, penso logo em pessoas metidas, frescas, nariz empinado. Eu vi um grupo misto de pessoas, de faculdade, que eles estavam em faculdade, maravilhosas. Paciência, um respeito, não me olhando como se eu fosse um índice de desenvolvimento, de baixa renda. Me olhando como se eu fosse uma pessoa normal e impressionada em conhecer o lugar que eu ainda não tinha conhecido e não tava nos meus planos conhecer. E quando começamos, eu me apresentei, em inglês, falei algumas coisas que eu gostava, em inglês, e a intenção foi muito boa. Foi uma experiência que outras pessoas… Foram sete estudantes do Enter Jovem contemplados. E eu estava no meio daqueles jovens, uma jovem. Gente, é como se eu tivesse ganhado uma medalha de ouro na olimpíada. É muito bom e isso não vão sair da minha mente tão cedo. Foi muito bom. Eu não sei, eu são sei dizer, é isso, é uma experiência… se você quiser eu posso repetir os pontos que eles falaram, mas descrever a sensação de estar lá, não tem…
P/1 – Conta um pouquinho dessa experiência que acabou te proporcionando o que você me contou sobre o Pão de Açúcar e tudo o mais.
R – Pão de Açúcar. Eu, quando subi no teleférico, me deu vontade de balançar o teleférico pra lá e pra cá. Me deu vontade de ficar olhando, porque eu pensei que eu não tinha medo de altura. Nunca eu vi o chão debaixo do meu pé daquele jeito, nunca. E eu queria tirar foto de tudo quanto é lugar. Graças a Deus que tiveram paciência. E a imagem, a visão, a foto que você viu? Linda! Você sabe o que é ver aquilo pela primeira vez? E aquela visão? Aquela visão não é em qualquer lugar não. E quando eu voltei pra casa, voltei sonhando. Cheguei em casa, nossa! E a minha mãe então? Ah nem te mostrei as fotos, que eu tirei algumas fotos no celular. Andei de táxi, quase que eu não andava de táxi. É coisa de… eu me senti uma criança porque, a pessoa, ocorre que uma jovem de 23 anos, hoje no meu trabalho tem três pessoas com 25 anos e ainda acontecem coisas comigo que são novidades. E as pessoas olham pra uma jovem que tem 23 anos não acreditam como é, algumas coisas, pequenas pra algumas pessoas. Pra mim são grandes. Eu conheci um instrutor que era de São Paulo e falava inglês. Era o representante de pessoas que vieram de fora, do Brasil, ele é brasileiro. Fala dois idiomas, se duvidar fala até mais. Aí já pensei lá: “Imagina eu aqui, brasileira. Foi muito bom. Tirei foto, peguei e-mail, anotei e-mails de algumas pessoas de lá. Foi bom.
P/1 – Se você pensasse em termos de marcos, assim, nesse período que você fez o Enter Jovem, que marcos assim você poderia colocar dessa sua experiência na sua vida?
R – Eu não sei. A minha vida toda mudou. Não tem um exemplo, parece até algo decorado, mas eu não… A minha vida, eu não tenho uma imagem, eu não tenho uma história específica pra você. Tudo mudou! Se você me fizer uma pergunta, se você me disser qual é o exemplo que você quer, eu posso fazer seleção de um exemplo, mas agora eu não tenho um exemplo específico pra te dar. Só que eu teria que mostrar um antes e depois pra você e aí você entenderia bem o que eu to querendo dizer.
P/1 – E hoje o que que você faz?
R – Eu não gosto da palavra assistente administrativo, que parece que eu to sendo metida, eu ainda acho que “Ai meu Deus do Céu!”, eu sou da área administrativa. Estou aqui já, fiz um ano dia 14 de Fevereiro, no Instituto Empreender. Eu cuido do grupo que fala, é parte administrativa, prestações de conta. Como eu fiz o curso de contabilidade foi bem mais fácil lidar com essas coisas, eu estudo, faço preparatório. Ainda não consegui passar numa faculdade pública e ganhar uma bolsa, mas vou passar, tô estudando pra isso agora.
P/1 – O que que você quer cursar?
R – Eu vou cursar Contabilidade. Que é meu sonho lidar com números. Quem cursa Contabilidade também pode trabalhar um pouco na área administração, contabilidade pega administração, então eu quero fazer contabilidade. E por aí vai, tô estudando, estudando, até me formar. Eu, é que eu não consigo detalhar o que eu faço. É tão difícil falar, é tão difícil fazer um histórico. Se eu escrevesse e você pedisse pra eu listar, eu faria uma lista e te daria, sou assistente administrativo, recebi a promoção agora no final do ano. To muito feliz.
P/1 – E você sente que você conseguiu esse trabalho em função do curso que você fez no Enter Jovem? Como que foi isso?
R – Eu fiz o curso no Enter Jovem e eles queriam proporcionar a um estudante que, olha, eu até entendi, na época eu entendi que eles falam com a outras empresas, hoje nós falamos pras outras empresas que devem contratar os jovens para trabalhar. Mas a própria empresa tá abrindo uma vaga e não dá oportunidade ao jovem? Por quê? Vamos abrir uma seleção. Então abriu a seleção foram mais de dezenove jovens. Como eu te falei, infelizmente eu fiquei em terceiro lugar devido à questão eliminatória, o inglês. Eu não tinha inglês. Aí os jovens que começaram a trabalhar aqui conseguiram outras oportunidades mais próximas das casas deles, melhores, e me chamaram. Eu levei um susto porque quando eu vim pra cá eu pensei que fosse fazer outra coisa. Pensei que eu ia divulgar o programa lá na minha cidade. E quando eu cheguei aqui, a minha chefe, Marisa Soares, ela nem esperou eu respirar assim. Ela chegou e virou assim: “Tá contratada”. Eu me senti com cara de choro assim. “O que? Vocês tão de brincadeira? Nunca!” Aí eu sei que tinha, quando na primeira entrevista eu fui embora arrasada. “Ai, não passei. Eu sabia! Por que eu vim? Não tinha inglês!” Mas eu vim, questão de experiência aprendi que por mais que eu receba não hoje, eu vou me esforçando, outro dia eu posso receber sim. Nunca que eu podia imaginar que viesse aqui dia três de Fevereiro – lembro da data até hoje, minto, dia três de Fevereiro fui chamada pra vir numa entrevista dia oito. Aí comecei trabalhar dia 14. Dia 14 foi segunda feira. Aí vim dia oito. Aí a Marisa falou que eu tava contratada, que eu tinha, ela falou assim: “Você tem três dias pra ajeitar a sua documentação e começar a trabalhar” Olha, eu só sei que eu virei, fiquei parada um gelo. Quando eu saí de lá eu gritei muito, no elevador, ainda bem que eu tava sozinha. Nossa! Aqui você conhece, mais ou menos o centro, eu fui andando daqui até a estação sem me preocupar com bandido, carro. Tava tão feliz!
P/1 – E a sua mãe e seu irmão?
R – Eu cheguei em casa, eu demorei pra contar a notícia. Cheguei, chorando, fingindo que tinha sido uma coisa ruim pra dar um impacto, tipo de novela né, nessa época meu irmão tava no trabalho. Aí eu cheguei: “Mãe, não acredito mãe!” “O que foi filha?” “Ah, mãe, fui contratada” Ela ficou séria, ela também levou um susto “Eu nem sabia, minha filha vai começar a trabalhar. E agora?” “Agora que eu vou começar a trabalhar!”; “Aonde?”, “No centro do Rio”. Porque se somar tudo, eu demoro em torno de duas horas e meia, três horas pra chegar no trabalho. É longe. Eu gasto quase cinco horas e meia da minha vida dentro da condução. E eu nunca tinha saído da minha cidade pra trabalhar De onde? O Enter Jovem. Gente, não tem outra explicação! Se alguém virar e falar: “Não foi o Enter Jovem”, foi ué! Eu to aqui. Minha mãe ficou muito feliz. Até hoje de vez em quando eu falo: “Ah mãe, eu to cansada. Quero trabalhar mais não”, fala: ”O que? Vai jogar isso fora? É ruim, heim”, brincando pra ver o que ela diz. Ela gosta, ela gosta muito.
P/1 – E hoje Elisana, quais são as coisas mais importantes pra você?
R – Você já me viu eu falando da minha mãe. Minha mãe é mais importante. Se eu ficar desempregada, eu posso perder tudo. Isso não é nem questão de apoio financeiro, é questão de apoio emocional. A minha família que é o meu irmão. Em primeiro lugar é Deus, e as demais coisas vem. Não vou dizer que são fáceis, mas são mais fáceis do que eu imaginava. E é claro, eu aprendi uma palavra num workshop que teve, que é uma palavra em inglês que fala sobre contatos.
P/1 – Network?
R – Isso. Tenho graças a Deus, muitos mais contatos agora. É muito mais… Aí tudo é só sorriso. Eu não tenho…Eu tô feliz. Eu não sei o que que vai sair, o que que vai acontecer daqui a um ano, daqui a dois anos, eu não sei quem que vai ter a oportunidade de ouvir, eu só sei que eu to feliz, tô saudável, e não é propaganda. Ninguém me forçaria a sentir aqui e falar bem do Enter Jovem, eu estou falando de coração. Eu não tenho, é só suspirar, eu não tenho palavras, só agradecer.
P/1 – E os seus sonhos, quais são agora?
R – É aqueles do início da conversa, que eu tinha deixado de lado. É estudar. Eu to com 25 anos e eu tenho, eu to planejando passar na faculdade esse ano, fazer o Enem pelo menos. Eu planejo fazer uma faculdade. Como aqui eles incentivam a sempre estudar, passar num concurso, fazer uma faculdade, pós e vai, uma pós, eu tenho a oportunidade. É meu plano, estudar pra continuar tendo opções e ter uma condição de vida melhor. Ou pelo menos, quando eu falo assim melhor parece que antes eu não tinha, eu tinha uma condição de vida boa, ótima. Mas estudo é sempre mais difícil quando a gente não tem dinheiro, quando a gente não tem certos acessos. Agora graças a Deus, fica mais no prático a palavra, acessível, fica mais… as coisas ficam mais… e também não é fácil, não são fáceis. Se fossem fáceis, vem e vai da mesma maneira que vem. As coisas ficam, as coisas não vão, não passam por mim as oportunidades. Eu tento agarrar o máximo que eu posso, que eu consigo. Não tem uma frase.
P/1 – Não? Você está descrevendo muito bem seus sentimentos. Tá bom. Tem alguma experiência, alguma outra coisa que você gostaria de falar do Enter Jovem que eu não tenha te perguntado, que você acha importante falar? Também se você achar que falou tudo também, tá tudo certo.
R – É… experiência do Enter Jovem que eu deveria deixar guardada? Eu acho que eu já falei tudo.
P/1 – Então só pra encerrar, o que você achou de contar sua história aqui pra gente?
R – Foi bem resumido, eu achei muito bom. Eu resumi bastante pra não dar excesso de choradeira, senão eu não vou sair daqui hoje. Eu achei bom, não esperava porque eu cheguei de férias, tinham me avisado antes de eu sair de férias, achei bom. Espero que isso faça diferença na vida de alguém, de algum jovem. Achei bom. Se um dia eu ver essa entrevista, quem sabe eu ache ótimo, maravilhoso, excelente, mas eu achei bom. Uma experiência, vou poder dizer agora que eu dei entrevista. É muito bom, pra mim. É porque na sua frente to sentadinha, to tranquila. Chega em casa eu vou abrir um refrigerante e cortar uma pizza, vou fazer a festa. Às vezes eu fico tranquila, é bom não tem noção de quanto é bom isso pra mim.
P/1 – Coma um pedaço de pizza por mim. Também to muito feliz de ter conversado com você, foi um prazer ouvir sua história. Acho que você merece todo sucesso aí que você tá colhendo.
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