Em 2003 quando trabalhava como cobrador de ônibus na linha 690, ( Cidade de Deus X Méier ) no Rio de Janeiro, Fui surpreendido com a entrada de um passageiro, ele era pálido, com manchas azuladas pelo corpo, semblante abatido, era novo, aparentava ter uns 23 anos.
Ele entrou, pagou a passagem normalmente e parou próximo a mim, tentei disfarçar, mas ele percebeu a maneira que eu olhei pra ele.
Pensava comigo : _Ele parece um cadáver. Será que ele saiu de hospital? ou será que ele esta com uma doença terminal.
A viagem continuou normal.
Quando o ônibus chegou no Bairro Cascadura, ele saltou, fiquei atento observando, acompanhando pra que lado ele iria, Fiquei estupefato quando percebi que ele entrou em uma funerária...
...como eu fazia sempre o mesmo horário, no dia seguinte ele entrou novamente, e eu puxei conversa, (pensei é melhor fica amigo dele). Perguntei: _você trabalha naquela funerária, ali né ? Ele respondeu secamente:_ não, eu mora la.
Não houve clima pra mais conversa.. o papo que nem tinha começado , murchou...
Me informei sobre este passageiro com os colegas do trabalho e ninguém o tinha visto,
dai mais uns 2 ou 3 dias ele entrou novamente, mais ai o papo foi melhor , ele explicou que na verdade ele morava em uma casa, nos fundos da funerária, que tinha vindo do Sul, dai a palidez, até ficamos amigos. Mais foi um baita susto.