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História
Por: Museu da Pessoa, 12 de junho de 2026

O Paraquedas que Eu Ainda Estou Tentando Abrir

Esta história contém:

O Paraquedas que Eu Ainda Estou Tentando Abrir

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Vê se o paraquedas abre

Quando eu cheguei no Doroteia, cheguei meio em cima da hora, porque eu fui só conhecer os bastidores. A Giovanna me paramentou, colocou retorno, colocou microfone, me deu uma camiseta atochada. Eu falei: "Não. O que você está fazendo?" "Não, o Ron falou que você vai trabalhar". Fui chamado para conhecer os bastidores e, quando pisei lá, o Ron olhou na minha cara e falou: "Faz seu nome, garoto!". E minha vida na várzea começou.

Foi assustador. Eu nunca tinha reportado na minha vida. Fui literalmente, como se fala, me jogaram lá de Boituva, do teco-teco, e falaram: "Estevão, vê se o paraquedas abre". Aí eu estou tentando abrir o paraquedas até hoje.

Eu gostaria que as futuras gerações soubessem que a várzea não é o semiprofissional, o amador das grandes Copas. A várzea é uma cauda longa, gigantesca, que começa na quebrada, na comunidade, com campo de terrão, que é cada dia mais raro. Ali existe uma vida que é invisível para a maioria da população, mas que acontece. Eu gostaria que as futuras gerações soubessem o que é periferia, porque hoje os adolescentes não sabem nem o que são populações periféricas. Se você não é da quebrada, ou se ela não está próxima da sua realidade, você não sabe o que é periferia. E se não sabe o que é periferia, como vai saber o que é várzea? Eu gostaria que tirassem essa capa de invisibilidade que existe em cima do brasileiro pobre, que talvez tenha, no time dele jogando no final de semana, o pouco de lazer que alimenta a alma para mais uma semana de trabalho e dificuldade.

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