*voos tão complexos e distintos*
Peguei dois fragmentos de mim, dois retalhos de reflexão que publiquei no site Pensador. Desde que resolvi maturar minha nova versão, neste ano de 2026, busco textos antigos para reformulá-los com uma escrita mais concisa e moderna. Intuitivamente, pensei: por que não transformá-los em uma crônica? Com essa nova fase, as palavras não saem mais tímidas; vêm ousadas, exigindo continuidade.
Ao revisitar esses fragmentos, percebi que todos contavam a mesma história: a da nossa estranha dificuldade de "aterrissar".
Impressionante como conseguimos voar e pousar em lugares distantes — em projetos, ambições e horizontes longínquos — mas, inacreditavelmente, nossas asas parecem quebrar ao chegar em lugares tão perto.
A maternidade atípica é esse voo constante com as asas avariadas. É a força silenciosa do impossível, o cuidado que não segue manual, a busca incessante por um horizonte que muda de rota a cada segundo. Ali, o voo não é sobre a altitude, mas sobre a resistência de se manter no ar quando o céu exige uma engenharia que ninguém nos ensinou a montar.
É um paradoxo da liberdade diante do caos interno de nossa mente. Quando os pensamentos ficam prolixos e se perdem em direções difusas, agem como pássaros atônitos e dispersos dentro de nós. Com o filho neurotípico, o voo é longo e sereno, quase como o de uma fênix que sobe ao alto da montanha para renascer, abrindo suas asas majestosas para a vida, observando a paisagem com a certeza de que a gravidade está sob seu controle.
Esse pouso que flui, previsível em sua beleza, é o contraste que me instiga. O filho neurotípico é o pouso longo, a pista segura que me oferece o conforto da normalidade; a maternidade atípica é a asa que precisa aprender a voar de um jeito novo, entre redemoinhos.
Às vezes, a liberdade também é uma forma de prisão. O horizonte infinito do "normal" pode ser um convite à reflexão...
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*voos tão complexos e distintos*
Peguei dois fragmentos de mim, dois retalhos de reflexão que publiquei no site Pensador. Desde que resolvi maturar minha nova versão, neste ano de 2026, busco textos antigos para reformulá-los com uma escrita mais concisa e moderna. Intuitivamente, pensei: por que não transformá-los em uma crônica? Com essa nova fase, as palavras não saem mais tímidas; vêm ousadas, exigindo continuidade.
Ao revisitar esses fragmentos, percebi que todos contavam a mesma história: a da nossa estranha dificuldade de "aterrissar".
Impressionante como conseguimos voar e pousar em lugares distantes — em projetos, ambições e horizontes longínquos — mas, inacreditavelmente, nossas asas parecem quebrar ao chegar em lugares tão perto.
A maternidade atípica é esse voo constante com as asas avariadas. É a força silenciosa do impossível, o cuidado que não segue manual, a busca incessante por um horizonte que muda de rota a cada segundo. Ali, o voo não é sobre a altitude, mas sobre a resistência de se manter no ar quando o céu exige uma engenharia que ninguém nos ensinou a montar.
É um paradoxo da liberdade diante do caos interno de nossa mente. Quando os pensamentos ficam prolixos e se perdem em direções difusas, agem como pássaros atônitos e dispersos dentro de nós. Com o filho neurotípico, o voo é longo e sereno, quase como o de uma fênix que sobe ao alto da montanha para renascer, abrindo suas asas majestosas para a vida, observando a paisagem com a certeza de que a gravidade está sob seu controle.
Esse pouso que flui, previsível em sua beleza, é o contraste que me instiga. O filho neurotípico é o pouso longo, a pista segura que me oferece o conforto da normalidade; a maternidade atípica é a asa que precisa aprender a voar de um jeito novo, entre redemoinhos.
Às vezes, a liberdade também é uma forma de prisão. O horizonte infinito do "normal" pode ser um convite à reflexão sobre esses lugares distantes que, absurdamente, às vezes não conseguimos alcançar; por isso, o voo se paralisa no ar. Congelamos diante do óbvio. É mais fácil cruzar oceanos mentais em busca de respostas para o filho atípico do que aceitar a quietude do filho que segue o fluxo esperado.
No fim das contas, a nossa maior aventura não está em quão longe conseguimos chegar. Está em reconciliar esses dois voos. É entender que as asas quebradas, que tanto se esforçam para não cair, são as que nos dão profundidade; e que o pouso longo e seguro é o que nos dá o fôlego necessário para, amanhã, retomar a jornada. É ali, onde os pássaros ébrios da incerteza e a calmaria da previsibilidade finalmente descansam, que a nossa história — com todas as suas escalas e turbulências — ganha o seu verdadeiro sentido, em filhos tão diferentes, em seus voos tão complexos e distintos.
Lu Lena / 2026
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