P - Érica, você poderia começar dizendo o seu nome completo, data e local de nascimento? R - Érica Heloisa Petrúcio, 16 de março de 1977. Eu nasci em Ilha Solteira, estado de São Paulo. P - E você foi para Presidente Epitácio? R - Isso. Meu pai ele trabalhava na Cesp [Companhia Energética de São Paulo], aí ele teve a transferência de Ilha Solteira para Presidente Epitácio, eu tinha 15 anos. P - 15 anos? R - Foi com 15 anos, aí com 18 anos eu estudei até o segundo grau completo. Quando eu fiz 19 anos, meu pai separou da minha mãe, foi embora, deixou a gente sozinho, a gente passou bastante dificuldade. Em Presidente Epitácio não tem emprego, é muito complicado a falta de emprego em Presidente Epitácio. No começo trabalhei de doméstica, aí em conheci o meu ex-marido, eu tinha 21 anos quando eu casei com ele, tenho duas filhas, uma de 6 anos hoje, uma de 5. Tem 2 anos que nós nos separamos e, com a separação, eu tinha a dificuldade da minha família, meu pai tinha ido embora, já tinha passado bastante tempo, mas... Não tinha onde trabalhar, ficava o dia inteiro dentro de casa, dependia do que o meu ex-sogro dava para mim sobreviver, quando foi formada a Associação de Reciclagem, os Catadores lá em Presidente Epitácio. Já havia os catadores, eles trabalhavam no aterro, que era a beira do rio, que hoje é a orla, eles já estavam lá há um bom tempo, catavam lá, sobreviviam daquilo, eu não tinha parte dessa parte, comecei a tomar parte depois quando eu entrei na Associação. Aí a prefeitura de Presidente Epitácio, vendo aquela situação foram tirar aquelas pessoas dali, fizeram um novo aterro e com a ajuda do governo formou a coleta seletiva. E com a falta de emprego eu fiquei sabendo, eu dependia dos outros. A coisa mais difícil na vida da gente é a gente depender dos outros para colocar comida na casa da gente, eu principalmente, com duas filhas. As meninas são pequenas, mas elas pedem, quando aprende a...
Continuar leituraP - Érica, você poderia começar dizendo o seu nome completo, data e local de nascimento? R - Érica Heloisa Petrúcio, 16 de março de 1977. Eu nasci em Ilha Solteira, estado de São Paulo. P - E você foi para Presidente Epitácio? R - Isso. Meu pai ele trabalhava na Cesp [Companhia Energética de São Paulo], aí ele teve a transferência de Ilha Solteira para Presidente Epitácio, eu tinha 15 anos. P - 15 anos? R - Foi com 15 anos, aí com 18 anos eu estudei até o segundo grau completo. Quando eu fiz 19 anos, meu pai separou da minha mãe, foi embora, deixou a gente sozinho, a gente passou bastante dificuldade. Em Presidente Epitácio não tem emprego, é muito complicado a falta de emprego em Presidente Epitácio. No começo trabalhei de doméstica, aí em conheci o meu ex-marido, eu tinha 21 anos quando eu casei com ele, tenho duas filhas, uma de 6 anos hoje, uma de 5. Tem 2 anos que nós nos separamos e, com a separação, eu tinha a dificuldade da minha família, meu pai tinha ido embora, já tinha passado bastante tempo, mas... Não tinha onde trabalhar, ficava o dia inteiro dentro de casa, dependia do que o meu ex-sogro dava para mim sobreviver, quando foi formada a Associação de Reciclagem, os Catadores lá em Presidente Epitácio. Já havia os catadores, eles trabalhavam no aterro, que era a beira do rio, que hoje é a orla, eles já estavam lá há um bom tempo, catavam lá, sobreviviam daquilo, eu não tinha parte dessa parte, comecei a tomar parte depois quando eu entrei na Associação. Aí a prefeitura de Presidente Epitácio, vendo aquela situação foram tirar aquelas pessoas dali, fizeram um novo aterro e com a ajuda do governo formou a coleta seletiva. E com a falta de emprego eu fiquei sabendo, eu dependia dos outros. A coisa mais difícil na vida da gente é a gente depender dos outros para colocar comida na casa da gente, eu principalmente, com duas filhas. As meninas são pequenas, mas elas pedem, quando aprende a pedir é mais complicado ainda, quando elas não pediam nada eu fazia o que podia, o que chegava até mim, mas a partir do momento que elas começaram a aprender a pedir: “ó mãe eu quero, mãe dá”, aí foi mais complicado. Aí, foi formada a coleta seletiva, em três meses de coleta seletiva eu falei: “como que eu faço para entrar?”, tinha que dar o nome, tinha um apoio da prefeitura que dava o nome para eles, eu dei o nome. Depois de três meses que estava aberto eles me chamaram para trabalhar, a principio eu comecei trabalhar no barracão. P - E como é que foi quando eles ligaram para você? R - Eles ligaram para mim, pediram para eu ir até o escritório onde é a Comtur [Conselho Municipal de Turismo], onde eles faziam toda a parte burocrática, cuidavam de tudo para os catadores. Eu fui chamada depois de três meses da Formação da coleta seletiva, então eles cuidavam de tudo, a prefeitura, eles deram a infra-estrutura, mas também providenciavam material, os catadores trabalhavam, fazia a negociação com os compradores, com os atravessadores, vendiam também. No dia da venda eles estavam lá presente, o apoio da prefeitura, vendiam o material, pegavam o dinheiro e dividiam pra eles, falavam por produção. Na questão de produção em um ano que eu fiquei na coleta seletiva, depois que eu entrei, depois de um ano, nunca passou de R$ 10,50 o dia, ganhava R$ 10,50 o dia, sendo que a gente via, trabalhava no barracão fazendo a separação do material, sair cargas e cargas de material. Teve uma vez que saiu oito caminhões fechado de material reciclável, e exigiam da gente o material bem separado, quando trabalhava no barracão a gente tinha que separar muito bem separado o material em um dia seis, oito caminhão fechado, caminhão trucker, carga de caminhão fechada e a gente ganhava R$ 10,50 o dia, está entendendo? O pessoal via aquilo acontecer, mas se um falava era mandado embora. P - Então não era comandado pelos próprios catadores? R - Não. A gente estava ali, a gente trabalhar, muito. P - Era com carteira assinada? R - Não. Não, porque a gente é uma Associação, nós somos associados. Só que era assim, como associação, tudo que a gente coletava na rua com o pessoal porque eram duas equipes uma pessoa trabalhava na rua catando e outro ficava no barracão o mês inteiro fazendo a triagem do material, para adiantar a produção. A gente ganhava por produção, sentava todo dia lá, vamos, trabalha, faz, tem que fazer, a gente está devendo para o banco, tem que sair outra carga semana que vem, e a gente naquele sufoco, “então nesse mês a gente vai ganhar mais”, pagava o banco, não sobrou nada. Vamos, tem que fazer. P - E como você se sentia com isso? R - Escravizada, até tem umas pessoas que satirizavam a coisa, ria, aí falava assim: “olha lá vem a capataz, corre gente, trabalha, trabalha, tem que trabalhar, vamos fazer”, outros cantavam: “ lêlê, lêlê, lêlêlê...” Aí quando eles estavam chegando, a gente ria, acho que era uma força para a gente agüentar aquela situação. Para eles não, eles saiam para a população, “nós estamos ajudando os catadores” Sim, eles ajudavam, eles davam infra-estrutura, o barracão fica 7 quilômetros de lá da cidade, eles davam ônibus para levar e buscar todo mundo. Os catadores trabalhavam no barracão, uma semana no mês vinha todo mundo para lá para terminar, montando material, separar, para vender e fazer o pagamento, mas a gente nunca passou de R$ 10,50 o dia, em um ano e três meses de coleta seletiva, era a revolta, a gente via sair aquelas carga, a gente se sentia orgulhoso de ver um caminhão sair carregado, com material bem separado, porque tinha exigência também do material estar sempre bem separado, “ó esse mês vamos tirar um dinheiro bom, vamos levar para a casa.” Mas, nunca passava de R$ 10,50, teve época da gente receber R$ 190 e cala a boca, porque quando um abrir a boca a gente manda todo mundo embora, a gente manda 35 embora e pega 35 de volta, aquilo foi uma revolta. Eu não tinha medo, mas os outros morriam de medo de falar alguma coisa e perder o serviço, falava: “Érica, você quer manter o seu emprego, você quer manter o seu serviço aqui?”, mas eu não tinha consciência do catador, a força que o catador tinha então eu ficava quieta. Eles nunca deixavam a gente ir em nenhuma reunião do movimento na região, iam sempre eles, o apoio e alguém que estava a parte disso, era complicado. Aí teve há cinco meses atrás uma reunião em Álvares Machado, na região de São Paulo. E eles na bobeira deles, levou eu, uma outra colega minha, que trabalhava hoje na rua catando, e levou uma que não sabe nem ler nem escrever, mas catadora também. E nessa reunião, a gente estava lá no meio da reunião eles tiraram a gente para a gente ir embora. Mas com isso a gente conversou com o Jéferson, que ele é articulador lá da nossa região e conversamos com umas pessoas do movimento e a gente pediu para o Movimento Nacional de Catadores ir na nossa região fazer um movimento, fazer uma reunião lá com nós, catadores, que eles estavam de olhos fechado. Aí foi quando começou a coisa, a gente começou com apoio, ele acho que no momento para não passar vergonha de falar “não, não vai fazer lá”, disse: “pode ir”. Foi onde começou a nossa luta, a gente tem até hoje... P - Isso há quatro meses? R - Isso há quatro meses atrás, teve a reunião do Movimento em Presidente Epitácio, nós sempre tivemos a coleta seletiva implantada na cidade, ônibus para levar e trazer a gente do barracão para a cidade, um caminhão, que é doado pela prefeitura, motorista, eles pagam a nossa luz, diesel, mas eles eram como nossos patrões, nós éramos como empregados dele. Eles não aceitam a gente falar isso, mas é uma realidade que a gente vê hoje com a força do movimento. Aí com a reunião que teve lá com o movimento, foi a Ruth, a Valdirene, o Carlão e a Nanci, eles sentaram lá na frente perante o grupo e começaram a falar sobre omovimento, sobre os catadores, quais eram os nossos direitos, que a gente tinha força junto para lutar. O grupo ficou espantado com aquilo, eles achavam que não, que eles tinham direito de pegar a gente como catadores e fazer o que quisesse. A partir daquele momento, o apoio se sentiu indignado na época, tanto que a Priscila, que faz parte da secretaria, falou para a Ruth: “ô, fica quieto”. Aí a Ruth falou, mas eu não posso deixar eles ficarem do jeito que eles estão, não é justo, aí eles foram embora. A partir daquele momento o grupo começou a ver a realidade, ver o que acontecia, ver que não era justo acontecer aquilo com a gente. A gente trabalhar um ano e três meses, naquela época e ganhar R$ 10,50, ver o nosso material sair, deu o nosso suor lá. Aí com aquela revolta, o que eles fizeram? Me colocaram para trabalhar na rua catando, eu não ficava mais na triagem. Eles acharam que com aquilo eu ia sair e não ia trabalhar, eu falei: “não, eu não vou, eu vou mesmo batalhar, eu vou para a rua catar.” O grupo que trabalhava na cidade tinha medo e com a minha ida naquilo e com a reunião do movimento eles falaram: “Érica, é certo o movimento?” Eu falei: “gente está na nossa cara, o lixo é nosso, a reciclagem é nossa, então a gente tem que brigar por ele”. Aí eles falaram: “É.” Foi onde que eles tinham um quadro de Administração formado por eles, então só o presidente do Conselho Fiscal podia abrir uma assembléia. Com isso, a gente chegou até os vereadores e os vereadores pediram prestação de conta de tudo, sobre a coleta seletiva, como era o quadro, a Administração. E esses vereadores passou para nós tudo, a gente descobriu que uma catadora que estava do nosso lado pela luta era presidente do Conselho Fiscal e a gente nem sabia. Por onde a gente: “não, você tem a força que você vai fazer por nós, vai abrir uma assembléia”, “Érica como a gente faz isso”, eu falei: “não sei (risos), mas a gente vai lutar para isso.” Foi onde a gente descobriu a fazer uma assembléia a gente tinha que editar no jornal, em dois jornais da cidade, a gente começou a fazer e brigar por aquilo ali, editamos no jornal, passou o tempo certo, abrimos assembléia, a gente destituiu o presidente anterior, todo cargo de Administração, todo cargo de Conselho Fiscal... P - Ai, que legal R - Foi muito bom e nessa assembléia a gente formou um novo quadro, e tem duas mulheres da Secretaria do Estado, que a gente conheceu lá na rua, vendo a gente trabalhar, ela falou: “eu vou ajudar vocês, vocês chegam lá com a pauta pronta, assusta eles, chega com a pauta pronta do que vocês querem”. E a gente chegou com a pauta, um quadro de Administração, um quadro de Conselho Fiscal. P - Tudo organizadinho. R - Tudo organizado, o que a gente queria mudar no estatuto, a gente tinha até estatuto formado. E a gente não tinha um estatuto, a gente tinha só um regimento interno dos nossos deveres, nem os nossos direitos não tinha ali, só o que a gente tinha de fazer. Você está entendendo? Essas duas mulheres ajudaram a gente a organizar a pauta. Eu falei: “mas e se eles for contra isso?”. Com os papéis que os vereadores do meio ambiente deram para nós da nossa cidade, ela falou: “está aqui nesse artigo, você diz isso”. Tanto que eles ficaram tão desarmado que eles não foram contra nada, não opinaram, nem falaram. “Não, está bom”. Eles viram que atrás da gente tinha alguém que estava ajudando. Tanto o movimento, a gente agradece até hoje o movimento, a gente ter conhecido e participado o Movimento Nacional de Catadores. Essas duas mulheres da Secretaria do Estado, a gente agradece os vereadores do Meio Ambiente que estava lá. A gente falou, a gente não sabia da nossa realidade, hoje a gente está em quatro meses de auto-gestão, foi uma luta muito grande. Nossa, foi muito grande. Porque o grupo resolveu. A gente descobriu que era em assembléia, que tem uma lei de disciplina do cooperativismo e associativismo em que a assembléia é a lei máxima na associação, então é o grupo que resolve o que é melhor, 50% mais um votando, o restante tem que acatar, só que a conseqüência daquilo que a gente fizer, sobra para nós. O grupo resolveu, formou um quadro de Administração, um Conselho Fiscal, aprovou, a gente fez assembléia, foi assinado, foi onde a gente criou força, junto com o Movimento ajudando a gente e instruindo. Nesses quatro meses de auto-gestão foi complicado porque eu não tinha, eu sabia o que? Ir para a rua, catar o material, levar para os pontos de referência, o caminhão vinha pegava, levava para o barracão. Aí veio o peso nas minhas costas, porque o grupo resolveu que eu e a Márcia que correu atrás, mas ou menos iam fazer parte da liderança, cuidar da equipe da rua, cuidar do barracão e teve uma parte burocrática que o apoio continuou tomando conta, a gente que decidia o que tinha que ser feito, a gente que tinha que correr atrás. No primeiro mês eu fiquei doente, tanto problema que eu não sabia que existia (riso), mas eu falei: “não, eu vou lutar, é o justo para nós, eu vou lutar”. Aí depois eu me acostumei, com o que a gente tinha que fazer, correr atrás, quando surgia um problema onde a gente tinha que correr, quem a gente tinha que recorrer. O apoio hoje está lá, ele continua com a gente, porque ele que foi atrás do projeto da coleta seletiva, só que hoje ele tem a consciência e a Prefeitura, que eles vão andar do lado dos catadores. Nós, catadores, hoje, somos patrões de nós mesmos e a Prefeitura anda do nosso lado, ajudando a gente. Nós resolvemos o que é melhor para nós. Nós temos o aterro, o aterro é a 500 metros do barracão. Pelo que eu aprendi hoje aqui, nosso aterro é tratado, vai só material orgânico para lá, tem esgoto, tem a parte de Santa Casa, tem tudo separadinho, é aterrado semanalmente. É assim: leva o lixo para lá, se tem algum reciclável tem outras pessoas que tiram, mas o nosso aterro é tratado, nós temos coleta seletiva implantada. Os catadores hoje estão se organizando, nós estamos nos tornando organizados através do movimento que mostrou para nós a força que a gente tem como catador. E temos a Prefeitura do nosso lado, ajudando a gente, a gente tem a Fehidro [Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Hídricos de São Paulo] que ajuda a gente através da Cetesb [Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental]. A gente não pode falar ainda que estamos num mar de rosas porque a gente tem ainda os atravessadores. P - Aham. R - Tem os atravessadores que vão lá pegar o nosso material por nada. Mas a gente briga, a gente aprendeu a brigar com eles também. E fala assim: “ó, se for por isso, deixa o nosso material aí”. A gente não vende. “Não, Érica”. “Não, a gente não vai vender, a gente deixa aí, a gente não vai vender o nosso material por nada, por um preço de nada”. Eles: “não, então deixa aí que depois a gente vende a um preço bom.” Eu estou contente, mas eu sei que a nossa luta está começando e a gente vai chegar muito longe. Eu sou uma catadora, trabalho na rua, debaixo de sol, de baixo de chuva, amo a catação, amo demais. Se hoje eu sair, falar assim: “não, Érica, vamos fazer uma assembléia e tirar você e você não vai ficar mais no grupo da associação”, eu vou para a rua sozinha, e vou me organizar com outros catadores na rua, amo o que eu faço, tá bom. P - Ai que legal. P - Vocês notaram diferença financeira depois desses cinco meses para cá. R - Muuuita diferença. P - Você pode falar? R - Posso. Eles sempre pagavam assim R$ 10,50 o dia. Atestado eles não pagavam para nós, se a gente ficasse doente a gente perdia o dia, se a gente ficasse 15 dias doente, era 15 dias perdido e era só R$ 10,50, foi um ano e três meses disso. Com a nossa auto-gestão e prestação de conta - a gente nunca teve prestação de conta, eles sempre falavam assim: “vai lá no escritório que a gente passa para vocês”, mas todos aqueles que iam no escritório eles pressionava, pressionava, pressionava, a pessoa acabava saindo - com a nossa auto-gestão, hoje a gente tem uma prestação de conta aberta, o caminhão chegou no barracão, a gente vai fazer a venda, tem eu e a Márcia, eu sou liderança da rua, a Márcia é liderança do barracão. Eu como presidente, ela como tesoureira da associação, terminou de sair a carga pegamos o cheque ou dinheiro, nós passamos para o grupo quanto saiu, nós temos um formulário que a gente coloca todo mês lá para o grupo: “ó lá, saiu tanto”. No final tem a prestação, o extrato do banco a gente tira semanalmente para eles. E outra coisa a gente era em 35, hoje, estamos em 39 associados e aumentamos a nossa renda de R$ 250, R$ 260 para R$ 350. E temos pretensão ainda maior. Nós aumentamos a nossa renda para R$ 350, temos uma poupança, temos uma conta aberta. Nós temos uma poupança onde a gente vai prever o nosso 13º salário, nunca tivemos INPS pago, a nossa pretensão ainda vai mais além: pagar INPS para o grupo de catadores que está lá, porque o nosso serviço, por mais que é reciclagem, material reciclável, é de risco, nós mexemos com lixo, reciclável não é lixo, a gente tem que ter a segurança do INPS. Mantemos a poupança, começamos esse ano com a poupança, porque eles não tinham lavrado a ata, eles enrolou para lavrar a nossa ata, porque tem que ser lavrada a ata. Mas no momento que lavrou a ata, nós já mudamos a conta no banco, temos a nossa conta, pagamos já R$ 300, R$ 350 dentro desses dois meses para o grupo todo, abrimos uma poupança e ainda temos fundo de caixa. P - Olha (risos) R - Temos um fundo no banco para qualquer despesa que acontecer eventual, de precisão. E o atual prefeito que entrou agora falou: “Érica, o que vocês fazem pelo município”, o atual prefeito de agora que entrou nessa gestão, “o que vocês fazem pelo município é uma coisa muito grande”, eu falei: “é a troca de favor”, ele: “não, é nossa obrigação ajudar vocês”. Então estamos hoje com um prefeito com consciência do catador, da catação na cidade. A gente quer crescer mais, porque a gente tem um pequeno probleminha: os catadores individuais. Eles nunca querem se juntar a Associação ou a uma Cooperativa, o pessoal ainda ri de mim, a minha pretensão junto com a Márcia, que é a outra parte da liderança, é trazer esses catadores, a gente tem intenção de trazer um e mostrar para eles que vale a pena e esse um passar para o outro que vale a pena estar organizado. P - Ah, legal. R - Legal. P - E qual é então o seu grande sonho? R - Meu grande sonho é esse, trazer esses outros catadores que está lá, eles não estão mais no aterro, uma parte do grupo que vivia na rua sozinho, está com a gente, na coleta seletiva que foi implantada lá. Mas o meu grande sonho é trazer esses catadores que são sozinhos, os carrieiros sozinhos, que trabalham o dia inteiro, que ainda passam por essa fase, trabalham o dia inteiro, vendem o seu material por nada, para os atravessadores dos ferro-velho para comer. Não, eu quero eles junto com a gente, eles se organizando, e acabar com os atravessador, vender direto para as fábrica, para aumentar mais a renda e trazer um pouco mais de dignidade. P - Certo. R - Legal. P - Legal, parabéns... R - Obrigada. P - Bonita a sua história, legal.
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