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História
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Por: , 3 de outubro de 2025

O leitor voraz que se tornou "um diplomata propenso aos acidentes"

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O leitor voraz que se tornou "um diplomata propenso aos acidentes"

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O preço da insubmissãoEu sempre dei muito mais valor ao meu trabalho intelectual como diplomata independente do que como burocrata da diplomacia brasileira. Quando eu estava servindo em Washington para negociar um tratado sobre circuitos integrados – foi na época da repressão da Praça da Paz Celestial, em Beijing, 1989 –, nessa ocasião, eu e o presidente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial nos revoltamos com as instruções de Brasília, absolutamente absurdas. Falei: “Isso é ridículo”. E fui excluído da delegação.

Fiquei em Washington lendo e assistindo à repressão chinesa pela CNN, à margem de um tratado que, aliás, nunca foi aprovado, porque havia essa divisão entre países em desenvolvimento e países desenvolvidos e queriam proteger a propriedade intelectual dos circuitos integrados por um novo título, não apenas patente ou direito autoral, mas um título expresso para circuitos integrados, meio copyright e meio desenho industrial. Não foi aprovado.

Continuei trabalhando, publiquei vários artigos sem autorização e recebi reprimendas. Houve uma circular do Itamaraty, que a gente chamou de Lei da Mordaça, que era mais repressiva do que o estatuto anterior da carreira diplomática. “Se o diplomata quiser se pronunciar publicamente sobre temas afetos à política externa e à diplomacia, ele precisa ter autorização para publicar um artigo, um livro.”

Eu fiz isso no começo da minha carreira, mas depois eu achei que era um exagero ficar esperando que algum secretário lesse e cortasse frases, como aconteceu em alguns exemplos, inclusive em coisas mesquinhas. Eu tinha muitos convites para seminários em outros países, então pedia licença para viajar e me diziam: “Não, você tem trabalho aqui, fica. Você vai perder uma semana de trabalho”.

Fiquei como um funcionário sem função. Fiz da biblioteca o meu escritório: ia religiosamente ao Itamaraty, ficava na biblioteca lendo, escrevendo artigos,...

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