Eu era ainda uma menina e já lecionava. Fui para uma escola para trabalhar com adultos, que mais pareciam meus professores a tratar-se da idade. Envergonhada entrei tentando não demonstrar desespero. Acho que consegui. Eles me olhavam ansiosos como se eu fosse à solução para todos os seus problemas, como se não saber ler e escrever fosse o único problema do mundo.
Sem saber o que fazer, apresentei-me e pedi que fizessem o mesmo. Foi quando um homem com sotaque nordestino levantou o braço lá do fundo e disse com um tom grosseiro: - Quero tirar minha carteira pra dirigir e tenho que saber ler. Você vai me ajudar? Naquele momento eu percebi a responsabilidade que assumi. No fim daquele ano todos agradeceram à “professorinha pequeninha”, como eles me chamavam, e o “Paraíba” fez uma cópia da carteira de motorista e me entregou dizendo que eu contribuí para este passo em sua vida. E eu, como fiquei? Emocionada como estou agora contando esta história.