Puxa, nem sei por onde começar...
Uma vez eu ouvi o Bituca dizer que para ele "cantar é tão importante, é algo sagrado".
Pois é, pra mim é quase isso também, o Clube da Esquina tem um significado ímpar, sagrado.
Aos 17 anos, na casa de uma grande amiga já mais velha que eu, encontrei um monte de discos empoeirados; separei Milton Nascimento - Sentinela.
Ela disse: isso é lindíssimo, profundo demais, espero mesmo que você curta. Levei o vinil pra casa e não deu outra: naquele dia eu viajei pelo som, absorvi a poesia e fiquei encantada pela voz do Bituca. Deste dia em diante procurei tudo que dizia respeito ao Milton, e acabei descobrindo os outros personagens da história, descobria o Clube da Esquina.
Hoje, doze anos depois, recebo em minha casa a visita da grande amiga, discutimos entusiasmadas o rumo de minha pesquisa, que tem como objeto: "Cultura e Arte no Clube da Esquina".
Sou estudante de História, feliz moradora de Belo Horizonte e ao andar pelas ruas da cidade, tento me transportar no tempo. O Edifício Levy e o Velho Maleta estão ainda impregnados da juventude destes músicos. Pergunto-me como aconteceu destes jovens traduzirem com tamanha fidelidade os símbolos de minha terra, contidos entre as montanhas. Uma mágica talvez...
Espero com grande ansiedade encontrar o Márcio Borges, realizar um grande sonho que nasceu da leitura de seu livro, e assim tornar possível o meu projeto de conhecer e contar as lindas histórias deste Clube.