O AMOR EM TODOS OS SENTIDOS
Com sucintas impressões comportamentais, exponho neste texto aspec-tos da percepção afetiva, os quais escoltam os sentimentos humanos em seu curto caminhar sobre a face do planeta Terra.
Derivando pelas veredas sombrias da imaginação, resolvi indagar a mim mesmo sobre a existência ou não da imantada energia que move toda a hu- manidade em suas ambulações pelo cotidiano da existência.
Como não obtive resposta às escavações ocultas das jazidas perquiren-tes ao assunto, decidi então, tomar nova direção, a fim de desvendar o labi-rinto das minhas tortuosas divagações. Por tal razão fui consultar o oráculo do conhecimento no arquipélago da reflexão, para que me explicasse, afinal: porque existe o amor, esse sentimento tão bonito e universal que medra, en- canta e também fenece igual uma flor nos jarrões da alma humana?
Assim que o encontrei, inclinei-me diante desse místico profeta da mater Gaia e me pus a escutá-lo atentamente.
Ele, abrindo-me um sorriso, fixou-me com os olhos e preambulou que:
“O amor é em sua essência a semente sagrada da progênie divina plan-tada no horto dos sentimentos nobres, sendo Deus, o seu pai, e a Vida, a sua mãe. A princípio, foi semeado no âmago dos seres racionais para germinar e florescer no seio dos seus corações, como pomos de alegria, de paz e de fra-ternidade, onde esses ornamentos pudessem vivificá-lo no vergel da sua se- meadura. Essa é a dádiva divina da magnitude e da quintessência fraternal sobre a orbe terrena ”, exemplificou-me o mago.
O erudito sábio arguiu-me ainda, que: “o amor é um adorno verdadeiro, unigênito e incondicional, pois não aceita discriminações, falsidade, mentira, inveja, ciúmes ou traição. E apesar de tudo, muitos o ignoram e o confundem com Eros, Psiquê e Cupido, deuses que o plagiam utilizando máscaras profa-nas, repletas de sensualidade,...
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O AMOR EM TODOS OS SENTIDOS
Com sucintas impressões comportamentais, exponho neste texto aspec-tos da percepção afetiva, os quais escoltam os sentimentos humanos em seu curto caminhar sobre a face do planeta Terra.
Derivando pelas veredas sombrias da imaginação, resolvi indagar a mim mesmo sobre a existência ou não da imantada energia que move toda a hu- manidade em suas ambulações pelo cotidiano da existência.
Como não obtive resposta às escavações ocultas das jazidas perquiren-tes ao assunto, decidi então, tomar nova direção, a fim de desvendar o labi-rinto das minhas tortuosas divagações. Por tal razão fui consultar o oráculo do conhecimento no arquipélago da reflexão, para que me explicasse, afinal: porque existe o amor, esse sentimento tão bonito e universal que medra, en- canta e também fenece igual uma flor nos jarrões da alma humana?
Assim que o encontrei, inclinei-me diante desse místico profeta da mater Gaia e me pus a escutá-lo atentamente.
Ele, abrindo-me um sorriso, fixou-me com os olhos e preambulou que:
“O amor é em sua essência a semente sagrada da progênie divina plan-tada no horto dos sentimentos nobres, sendo Deus, o seu pai, e a Vida, a sua mãe. A princípio, foi semeado no âmago dos seres racionais para germinar e florescer no seio dos seus corações, como pomos de alegria, de paz e de fra-ternidade, onde esses ornamentos pudessem vivificá-lo no vergel da sua se- meadura. Essa é a dádiva divina da magnitude e da quintessência fraternal sobre a orbe terrena ”, exemplificou-me o mago.
O erudito sábio arguiu-me ainda, que: “o amor é um adorno verdadeiro, unigênito e incondicional, pois não aceita discriminações, falsidade, mentira, inveja, ciúmes ou traição. E apesar de tudo, muitos o ignoram e o confundem com Eros, Psiquê e Cupido, deuses que o plagiam utilizando máscaras profa-nas, repletas de sensualidade, atração física, beleza, sexo, prazer, volições e paixões carnais. Tais fetiches e atrativos sombrios, embaçam a personalida- de dos que não o possuem e jamais conseguem discernir a sua essência lím-pida através da razão, da beleza e dos anseios de sua perfeição”.
O oráculo salientou-me ainda que: “esse sentimento superior é intensa- mente plagiado por personagens caracterizados nos idílios apaixonantes de novelas virtuais, cinemas, teatros e fantasias, transfigurados literalmente em romances sedutores para extasiar namorados fora da realidade existencial”.
O mago explanou-me que: “apesar de tudo, o amor é sofredor, às vezes pusilânime, e no mais das contas, pode ser ardente e venerado”.
Frisou-me ainda que: \\\"esse dom divinal necessita ser cultivado e zelado com todo o carinho e paciência como se fosse uma esplêndida flor, para que não perca o viço e nem a sua coloração sentimental, que é de um matiz cor-de-rosa vivo”.
Com ênfase ele assegurou: “que nesse estado sublimar, tal sentimento é irradiado como o sol aos corações sensitivos e altruístas, sendo espargido às flores de rara candura e beleza nos jardins e varandas lumínicas do espírito”.
Todavia, o mago da mente declarou-me inconteste: “o amor verdadeiro é imortal e indestrutível na essência, no entanto, torna-se frágil e morredou-ro quando o egotismo abre os portais da alma aos sentimentos negativos do mal, como a ira, a inveja, a mentira, o ciúmes, etc... Acrescentou-me que tais invasores digladiam contra as fortificações protetoras dos sentimentos e tra- vam uma batalha feroz no interior de seus âmagos desprotegidos”.
Contudo, ressaltou-me o mestre: “por sua vez, o amor luta e reage para defender o seu território anímico com doçura, porém, sendo afligido, acuado e cercado com violência pelos ataques e sentimentos sombrios, ele acaba se retirando imperceptivelmente do arcabouço vital da sua origem, vindo a de- sertar da alma arrebatada pela sanha maligna”.
Ato contínuo, o profeta me esclareceu: “a pessoa assim afligida, acaba por soçobrar distante dos seus afetos, tornando-se nebulosa, irascível e oca, assemelhando-se, por instinto, a um animal brutal e feroz, sem o domínio do afeto e da sensibilidade”.
O instruído sacerdote dos sentimentos confidenciou-me. também, que: “somente esse sentimento verídico é imutável e consegue permanecer longo tempo na alma, estando expresso romanticamente nas canções e rimas dos poetas, bem como, nas ações heroicas dos apaixonados aos belos arroubos do coração”.
Noutro sentido, me esclareceu que: “o mesmo, acima de todos os ideais, é místico e sagrado, sendo pois revelado em diversas religiões como o lídimo e primeiro mandamento na adoração a Deus e à afeição ao próximo”.
Igualmente, me revelou que: “o Criador o emblemou em seu próprio Filho Jesus Cristo para nos legar a paz, a esperança e o perdão”.
Já no sentido existencial, citou-me que: “o amor reedifica a vida através da maternidade, onde as mães o abrigam como lúmen em sua concepção e proteção”.
Finalizando, o oráculo frisou-me que “o amor é um sentimento construti- vo, pois é comparado ao arquiteto que edifica um castelo com muito esmero e riqueza; entretanto, assim que o conclui e hospeda-se nele, necessita forti- ficá-lo com carinho, afeto e dedicação, para que os assaltantes não entrem e roubem os seus preciosos tesouros”.
Nesse parâmetro, ele me esclareceu que “o dono do castelo deve adqui-rir uma apólice de seguro vitalício tendo o selo da caridade plena, para que se mantenha inviolável a ataques. Só então poderá permanecer totalmente seguro para jamais se deparar com o desalento e o medo de ser arrebatado pelo infortúnio do ódio ou pela infelicidade da inveja”.
Retirando-me da presença do erudito oráculo, fiquei feliz e radiante com seus lúcidos ensinamentos, e já na vertente dos meus pensamentos eu fiquei a meditar na essência do verdadeiro amor quando, distraidamente, esbarrei num cidadão desconhecido, o qual transitava no sentido contrário à mesma calçada em que eu caminhava.
Esse indivíduo, de meia idade e boa aparência, trajado de paletó e gra-vata, metamorfoseou-se por encanto num ser possesso e altamente alucina-do. Num acesso de raiva, ofendeu-me barbaramente com gestos violentos e iracíveis, e por pouco não agrediu-me às vias de fato, ali no calçamento. Em consequência desse incidente casual, senti-me mui constrangido e arrasado emocionalmente.
Ato contínuo, atravessei a rua para seguir meu percurso, quando, ines- peradamente, um sujeito que jamais vira na vida, bem barbudo e esfarrapa-do, veio ao meu encontro, e sem que eu imaginasse, ou esboçasse qualquer reação, ele sorriu para mim, estendendo-me as mãos, me enlaçou num forte abraço e beijou a minha face, dizendo:
– Paz e Luz, meu irmão! – Sorria que a vida é bela, pois o amor navega pelo céu!
Eu permaneci ali no lugar estanque, perplexo e neutralizado. Nisso, sem que eu esperasse, aquela criatura instantaneamente desapareceu da minha visão no meio da grande multidão.
Naquele instante, a minha alma aflita reconfortou-se totalmente jubilo-sa dentro de um maravilhoso facho de luz, incendiada por um fogo celestial, inexprimível; pois acabara de receber da Providência divina a dádiva do jar-dim da vida, caridade tal, como a mais bela e perfumada flor plantada pelo Jardineiro no alfobre de um cidadão desconhecido, semelhante meu.
Consegui assim, desvendar naquele instante uma plena e imensa profu- são da afeição espiritual na existência do amor em todos os sentidos.
O amor pleno e fraternal.
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