NOS TEMPOS DOS ÔNIBUS ANTIGOS.
Eles eram diferentes dos ônibus dos nossos dias. Os mais antigos, como os da Viação Diana, de uma porta somente, tinham uma escada presa na traseira, por onde o trocador subia e colocava sobre o teto do ônibus as malas e sacolas e trouxas de roupas dos passageiros. Uma grade nas laterais não deixava que tudo rolasse abaixo. Nesses eu quase não andei...
Mais tarde, os ônibus da Viação Brasil, mais espaçosos, sem esse espaço aéreo, não possuíam essas roletas e cadeiras para o cobrador e o espaço interno era melhor aproveitado. Já possuíam duas portas e um cofre grande, de vidro fixado no piso do ônibus, próximo ao motorista.
O cobrador, que se conhecia como Trocador, passava pelo ônibus todo, cobrando as pessoas. Com as notas de cruzeiro presas nos dedos da mão, fazia o troco e dava uma ficha de plástico para o passageiro, que ao sair pela porta da frente, colocava a ficha no cofre, sob os olhos do motorista. Ninguém saía do ônibus sem colocar uma ficha no cofre.
Haviam duas seções durante o percurso: Até o Mariano Procópio, era um preço e a cor da ficha era vermelha e até ao centro a cor da ficha era amarela. E ninguém ousava enganar o motorista ou o trocador, pagando por uma parte e viajando até o fim da linha.
Aqui na Borboleta, o ponto final era defronte à casa da Dona Rosinha do Octávio Kirchmaier (hoje início da Rua Braz Xavier Bastos Junior) e no centro o ponto final era defronte ao portão da Fábrica Mascarenhas, na Av. Getulio Vargas. O ônibus ia pela Av. Getulio Vargas, contornava a Praça Antonio Carlos e voltava pela mesma Avenida.
Uma lembrança dos tempos de carregador de almoço, por volta de 1957/1958:
Entrei no ônibus, alí no ponto da casa da Dona Rosinha e me sentei no último banco inteiriço, bem no meio, frente para o corredor e coloquei a sacola de almoço no chão, entre minhas pernas que protegiam as marmitas para não escorregarem e ficava segurando as alças.
Os...
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NOS TEMPOS DOS ÔNIBUS ANTIGOS.
Eles eram diferentes dos ônibus dos nossos dias. Os mais antigos, como os da Viação Diana, de uma porta somente, tinham uma escada presa na traseira, por onde o trocador subia e colocava sobre o teto do ônibus as malas e sacolas e trouxas de roupas dos passageiros. Uma grade nas laterais não deixava que tudo rolasse abaixo. Nesses eu quase não andei...
Mais tarde, os ônibus da Viação Brasil, mais espaçosos, sem esse espaço aéreo, não possuíam essas roletas e cadeiras para o cobrador e o espaço interno era melhor aproveitado. Já possuíam duas portas e um cofre grande, de vidro fixado no piso do ônibus, próximo ao motorista.
O cobrador, que se conhecia como Trocador, passava pelo ônibus todo, cobrando as pessoas. Com as notas de cruzeiro presas nos dedos da mão, fazia o troco e dava uma ficha de plástico para o passageiro, que ao sair pela porta da frente, colocava a ficha no cofre, sob os olhos do motorista. Ninguém saía do ônibus sem colocar uma ficha no cofre.
Haviam duas seções durante o percurso: Até o Mariano Procópio, era um preço e a cor da ficha era vermelha e até ao centro a cor da ficha era amarela. E ninguém ousava enganar o motorista ou o trocador, pagando por uma parte e viajando até o fim da linha.
Aqui na Borboleta, o ponto final era defronte à casa da Dona Rosinha do Octávio Kirchmaier (hoje início da Rua Braz Xavier Bastos Junior) e no centro o ponto final era defronte ao portão da Fábrica Mascarenhas, na Av. Getulio Vargas. O ônibus ia pela Av. Getulio Vargas, contornava a Praça Antonio Carlos e voltava pela mesma Avenida.
Uma lembrança dos tempos de carregador de almoço, por volta de 1957/1958:
Entrei no ônibus, alí no ponto da casa da Dona Rosinha e me sentei no último banco inteiriço, bem no meio, frente para o corredor e coloquei a sacola de almoço no chão, entre minhas pernas que protegiam as marmitas para não escorregarem e ficava segurando as alças.
Os demais passageiros ocuparam os demais lugares e lá fomos nós. Meus almoços eram para a Fábrica Industrial Mineira, no Mariano Procópio. E dali, do meu lugar, via o motorista lá na frente, manejando a longa alavanca de marchas do ônibus e o cofre de fichas, o corredor estava vazio, pois todos estavam assentados.
O ônibus ganhava velocidade, descendo a estrada, passando pela Grota dos Lawall, Volta Esperta, Porteira Preta, quando ao se aproximar da Ponte dos Ingleses, estacou de repente, parando de supetão. Os que estavam sentados foram lançados de encontro ao banco à sua frente, batendo com a cabeça e boca nos suportes dos bancos e eu, com a frente livre, fui de cata-cavaco, segurando a sacola de almoços, lançado lá na frente, onde bati com tudo na alavanca de marcha do ônibus e no cofre de fichas.
O ônibus havia quebrado o eixo e ... ninguem usava cintos de segurança nos ônibus, como até hoje, também não usamos. Não sei como consegui controlar as marmitas, que continuavam dentro das sacolas, com garfos e vidros de café intactos, apesar de tudo se revirar dentro do ônibus. Eu devo ter sido o primeiro a sair, visto que já estava perto da porta da frente, os demais começaram a aparecer, uns com galos nas cabeças, outros com dentes quebrados e boca sangrando.
Esperar socorro, esperar outro ônibus? Nessa época não tinha mi-mi-mi não. Cada um tomou seu rumo e eu como já estava quase no meu destino segui com dores pelo corpo levando a sacola de almoços, nos ombros, até à Fábrica.
Meu colega de jornada, um menino maior e mais velho, ao agachar para pegar suas marmitas reviradas, foi surpreendido com a risaiada da molecada, que apontava para sua bunda e mostrava que a calça estava rasgada atrás, na costura, de fora a fora. Ele enraivecido respondia: E o que que tem, eu tenho cueca... esse era o \\\"javali\\\", que se chamava Itamar.
Outro fato que aconteceu comigo, por volta de 1962:
Eu estudava na Escola Normal, atual Instituto Estadual de Educação e tinha que trabalhar de dia para estudar à noite. viajava, da Borboleta até a Escola e ainda sair mais cedo um pouquinho, para não perder o último ônibus, das 22:15 h.
Considerando que as aulas terminariam às 22:15 h, minha saída foi pedir autorização na Secretaria para sempre sair antes de terminar a última aula, 15 minutos antes, no que me permitiram.
Se perdesse esse ônibus a solução era ir à pé até em casa. uma hora e meia, na escuridão dos caminhos...
Mas eu sempre chegava à tempo e ajudava a lotar o último ônibus, de estudantes e operários ...
Imagine o cenário. Eu tentando passar pela porta do Colégio, sempre fechada e com um porteiro fiel, como um cão de guarda.
- Como, sair agora antes de acabar a aula? Não senhor, retrucava o Porteiro.
- Mas eu tenho autorização da Secretaria para isso!
- Pera aí que vou lá conferir.
E trancava a porta com chave enquanto se deslocava até a Sala da Secretaria.
E eu andando de lá para cá, olhando os ponteiros do relógio, que teimavam em se mover.
22:05 h, volta o homem, abre a porta e me libera.
Saio como um raio, saltando os degraus de 2 em dois e chego na rua.
O ponto do ônibus é defronte a atual entrada do Espaço Mascarenhas, na Av. Getúlio Vargas. Vejo o ônibus já contornando a Praça e já quase chegando ao ponto inicial, onde uma grande fila já estava formada. Corro e corro e esbaforido chego quando o motorista já, com o motor ligado está por fechar a porta traseira.
De um salto entro no ônibus, me agarrando no balaustre da porta.
O ônibus está lotado e fico dependurado no último degrau, quando outro rapaz, que eu mal conhecia, chega me empurrando e fica com meio corpo pra fora.
Enquanto o ônibus se movimenta e o motorista tentando fechar a porta, eis que um poste se aproxima do ônibus, e ...
eu que já me espremera para dentro, permaneci. O rapaz que estava com meio corpo para fora, abraçou o poste e foi lançado para fora do ônibus.
O motorista fechou a porta e seguiu em frente...
...assim era naqueles tempos...
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