Era a noite de 25 de outubro de 1975. Eu e João Batista voltávamos do Museu Lasar Segal, onde tínhamos assistido Rainha Diaba. Chegamos em casa e o telefone tocava insistentemente, pediam que fôssemos imediatamente para a casa de Clarisse e Vlado, que algo estranho estava acontecendo. Fomos. Consternação geral: Vlado estava morto. João Batista vai para Bragança , em carro da TV Cultura avisar os pais e o irmão da Clarisse da tragédia. Fátima Jordão , Clarice e eu fomos para o Bairro de Higienópolis para dar a terrível notícia à mãe de Vlado, D Zora. Nossos rostos inchados de chorar. Tocamos a campainha , D. Zora abre a porta, antes que alguma de nós esboçássemos uma única palavra, ela entende tudo em nossas expressões e grita : assassinos mataram o meu filho. Bandidos mataram o meu Vlado. E nós quatro choramos juntas, na sala, sentadas no sofá da casa de D.Zora. Foi uma dor, que sobrevive nestes trinta anos, até hoje não passou.



