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Personagem: Franz Josef Hildinger
Por: Franz Josef Hildinger, 12 de abril de 2025

No ônibus da CMTC - Causo 2

Esta história contém:

Participo do grupo no Facebook "Saudosa CMTC" que é a antiga Companhia Municipal de Transportes Coletivos do município de São Paulo. Como aqui, para manter um arquivo da história da estatal, resolvi contar alguns causos pois por muito tempo fui usuário de ônibus e em especial da CMTC. Abaixo segue um causo que publiquei no grupo mencionado.

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Se você estiver comendo e lendo isso aqui, é melhor deixar para ler depois porque essa é de vomitar. Bom, no começo dos anos 80, um grande programa para alguém da periferia como eu do Capão Redondo, era ir aos sábados ao Shopping Center Ibirapuera (bem antes chegou a ser chamado Centro de Compras mas inglês, convence, é mais chique) e obviamente de ônibus. Colocávamos a melhor roupa e o melhor tênis (melhor eu quero dizer novo com pouco uso). Para quem gostava de rock, a ideia era passar nas lojas de discos como HI-FI, Museu do Disco e Breno Rossi (seguindo essa sequência porque a primeira, a Hi-Fi, possuía uma cabine com um toca-discos e você poderia se trancar lá e ficar escutando os discos sem que ninguém enchesse o saco). Depois dava umas voltas com o disco que comprou na Breno Rossi (porque era mais barato, embora tenha escutado o disco na Hi-Fi) e se havia ainda grana, comia algo. Lá pelas 18h e pouco íamos embora. Havia na frente do shopping um ponto de ônibus que não condizia com o suposto glamour do local (um mísero ponto sem cobertura e uma calçada fuleira (toda esburacada). Para quem morava na estrada de Itapecerica (no pé do Morro do S), servia tanto as linhas Capão Redondo como o Valo Velho - uns anos depois apareceu a linha Jd. Mitsutani que servia também). O intervalo entre eles era imprevisível: tanto o ônibus poderia demorar como poderia vir um logo após o outro. Então o que veio era o Capão Redondo e entramos. Sábado os ônibus estavam cheios nesse horário porque muita gente vinha e ia para o shopping e nós estávamos indo (percebam que eu estava com amigos). Entramos no ônibus cheio e ficamos atrás mesmo porque geralmente, depois da Vila das Belezas, os passageiros começavam a descer. Havia o supermercado Sé entre a estrada de Itapecerica e a do Campo Limpo logo depois. Mas estava chegando o nosso ponto e ainda estava cheio. Então sabem quando o ônibus está tão cheio que a catraca serve de lugar para alguém ficar? Pois bem, havia um senhor lá de terno, gravata e chapéu. O cobrador de camisa aberta (era verão e não havia climatização nos ônibus) estava com o caixa aberto e com uma moeda em cada mão que servia para batucar na gaveta e nos ferros do ônibus. De repente houve um movimento do passageiro travado na catraca para tentar sair empurrando quem estava na frente o que gerou uma reclamação dos que estavam a sua frente. Nós atrás esperando o povo sair para a gente sair também (ninguém teve a ideia de sair por trás do ônibus e outra que naquela situação ninguém iria entrar também). Eu só sei que chegando no ponto do supermercado Sé, o senhor deu uma vomitada que "lavou" o cobrador, a grana que estava no caixa e a catraca. Um dos amigos mais atrás observou que havia uma dobradinha pendurada na catraca o que os outros passageiros escutaram. Então tínhamos a seguinte situação: ônibus andando, lotado, a catraca e a grana sujas e o nosso ponto chegando. O cara que estava na minha frente e seria o próximo a passar pela catraca "gentilmente" ofereceu o seu lugar para mim mas eu recusei. Então no ponto conhecido como "melancias" porque havia um caminhão que vendia melancias ali (Jd. Campo de Fora) saiu um monte de gente, provavelmente fiéis de uma igreja adventista que havia lá em cima. Então ninguém queria passar na catraca e não podia pular. O cheiro estava insuportável naquele calor. Tive uma ideia e menti dizendo alto para o meu amigo (para os outros escutarem): - eu vou descer no final, tô tranquilo. Então veio alguém empurrando e passou e teve que se sujar. Assim outros foram passando e passamos nós depois. Não lembro de ter pegado o troco... Quando chegamos, encontramos nossos amigos e o normal seria falar do que vimos no shopping mas a história da volta rendeu mais e por ter contanto tantas vezes eu não esqueci mais.

Obs.: desde 1999 que não moro no local mencionado e então não sei como está agora.

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