Meu nome de guerra é Ney Machado. Nasci em Curitiba, Paraná e eu sou da primeira metade do século passado, de 27 de novembro de 1949.
Eu ingressei na Petrobras em 1973, no dia 24 de janeiro.
Sempre gostei muito de Geologia e, como estudante do ginásio, já havia feito manual de rochas e minerais. Como engenheiro, sempre gostei da natureza fui para a área de barragens da água. Quando me falaram em pós-graduação na área de Geologia, eu realmente me entusiasmei.
Aqui em Curitiba a qualidade de vida é excelente, tinha uma vontade enorme de conhecer o sertão, o sertanejo. E foi essa oportunidade que a Petrobras me deu quando eu passei no concurso em novembro de 1972. E fazendo essa pós-graduação que foi praticamente em inglês. São três anos de Engenharia em um. É puxado.
Foi o início de uma vida de trabalho muito importante. Todo o material em inglês, foi a nossa geração que colocou esse material em português. Especializando-se, fazendo cursos, escrevendo. E hoje a tecnologia é totalmente dominada pela Petrobras. Inclusive na área de ponta que é a de Água Profunda.
Entrei para a área de engenharia, fazer o curso de Engenharia de Petróleo e exercer a atividade de engenheiro de petróleo em qualquer lugar do território nacional.
Hoje eu estou em uma refinaria depois de 15 anos de E & P - de Exploração de Produção, fazendo planejamento estratégico. Fui evoluindo com a minha experiência. A empresa é uma empresa gigantesca, de porte extraordinário, extremamente saudável no seu espírito. E ela permite à pessoa desenvolver os seus mais diferentes talentos. É a maior empresa ao sul do Equador.
Quando terminei o curso de petróleo, a área escolhida por mim foi de completação de poços. Completar um poço significa dar ao poço o acabamento, a escolha do intervalo produtor a 3 mil, 4 mil metros de profundidade. Temos perfis que nos permitem escolher com precisão a área. Que intervalo produtor nós vamos...
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Meu nome de guerra é Ney Machado. Nasci em Curitiba, Paraná e eu sou da primeira metade do século passado, de 27 de novembro de 1949.
Eu ingressei na Petrobras em 1973, no dia 24 de janeiro.
Sempre gostei muito de Geologia e, como estudante do ginásio, já havia feito manual de rochas e minerais. Como engenheiro, sempre gostei da natureza fui para a área de barragens da água. Quando me falaram em pós-graduação na área de Geologia, eu realmente me entusiasmei.
Aqui em Curitiba a qualidade de vida é excelente, tinha uma vontade enorme de conhecer o sertão, o sertanejo. E foi essa oportunidade que a Petrobras me deu quando eu passei no concurso em novembro de 1972. E fazendo essa pós-graduação que foi praticamente em inglês. São três anos de Engenharia em um. É puxado.
Foi o início de uma vida de trabalho muito importante. Todo o material em inglês, foi a nossa geração que colocou esse material em português. Especializando-se, fazendo cursos, escrevendo. E hoje a tecnologia é totalmente dominada pela Petrobras. Inclusive na área de ponta que é a de Água Profunda.
Entrei para a área de engenharia, fazer o curso de Engenharia de Petróleo e exercer a atividade de engenheiro de petróleo em qualquer lugar do território nacional.
Hoje eu estou em uma refinaria depois de 15 anos de E & P - de Exploração de Produção, fazendo planejamento estratégico. Fui evoluindo com a minha experiência. A empresa é uma empresa gigantesca, de porte extraordinário, extremamente saudável no seu espírito. E ela permite à pessoa desenvolver os seus mais diferentes talentos. É a maior empresa ao sul do Equador.
Quando terminei o curso de petróleo, a área escolhida por mim foi de completação de poços. Completar um poço significa dar ao poço o acabamento, a escolha do intervalo produtor a 3 mil, 4 mil metros de profundidade. Temos perfis que nos permitem escolher com precisão a área. Que intervalo produtor nós vamos canhonear, comunicar o reservatório com o interior do poço para que não saia gás, para que não saia água, apenas óleo. E fazer o canhoneado apenas na zona de óleo. A partir daí, o poço entra em produção. Depois de alguns anos de produção, é preciso que se troque o equipamento. Nós fazíamos essa troca de equipamentos. Era um grupo bastante pequeno de engenheiros.
Com o primeiro choque do petróleo, que foi exatamente no ano que eu entrei, 1973, e o segundo choque, em 1979, o petróleo se tornou muito importante em termos de produzir e não gastar divisas. Então, nossa Engenharia de Petróleo se tornou muito mais importante do que já era.
Eu já tinha a dimensão do trabalho que estava realizando, trabalhava em locações remotas, no Recôncavo Baiano, nos pântanos do Espírito Santo, naquela região extremamente seca do Nordeste, onde não bate um vento e a temperatura é de 40 graus. Depois embarques na Bacia de Campos onde ficávamos até 30, 35 dias.
E o embarque na nossa área, engenharia de petróleo/completação ao embarcar no navio, na plataforma, seja um navio perfuração, passa a ser o gerente da plataforma. Inclusive havia o quarto do comandante, o quarto do fiscal da Petrobras, que era o nosso caso, um banheiro compartilhado. Então, era uma função número um dentro da plataforma. Nós trabalhávamos um tempo grande, até a equipe era pequena, estávamos ainda começando a formar os engenheiros em grande número. Não havia quem nos substituísse. Muitas vezes, por isso, tínhamos que ficar mais tempo do que os 15 ou 20 dias programados. Isso, evidentemente, traz uma certa dificuldade, especialmente para os casados. Felizmente, na época, eu era solteiro. Então, me ressentia menos.
Na vida de embarcado havia uma certa tensão, porque também os gringos, especialmente norte-americanos, as pessoas de outras origens, também ficavam 40 a 45 dias. E isso foi tornando o ambiente tenso. Houve até uma história muito interessante. Eu estava na mesa rotativa fazendo verificações quando fui chamado: "Senhor Nei Machado, comparecer aqui ao deck do navio." Quando cheguei no deck havia um tumulto. Eu falei: "O que é que está havendo?" Aí o coach norte-americano veio com aquele sotaque anasalado feito um Pato Donald. Mascando fumo, veio me contar que não estava entendendo o que o químico de lama, também norte-americano, queria dizer. Eles estavam brigando. Discutindo, quase indo às vias de fato. Nós ouvimos o encarregado, ouvimos o químico. E eu descobri que o texano não conseguia falar com o químico que era da Louisiana, de sotaque afrancesado. O sotaque é que estava impedindo essa comunicação. Eu disse: "Olha, o coach quer de você que se faça assim, tal fluido, tererê, tal." Então, a gente ia resolvendo, administrando os conflitos, por uma tensão de muito tempo embarcado, isolado, e com uma tarefa complicada. Em um poço com pressão na cabeça de 5 mil libras por polegada quadrada, 6 mil, 7 mil, coisas às margens de uma erupção.
Então tinha que ter muito cuidado, tanto na parte técnica quanto na parte humana.
Depois dessa função, por ter escrito muito, os trabalhos começaram a ser conhecidos. E me chamaram para dar aula para capatazes, encarregados de sonda. Dei muitas aulas para esse pessoal, numa linguagem muito simples, com palavras fáceis de captar. Então, quando já transferido para o Rio, projetando equipamentos submarinos para uso nessas plataformas ou então para área já tão molhada, houve um convite para substituir um dos nossos mestres na Universidade Corporativa, Nelson Veloso. "Voltar para a Bahia, onde passei cinco anos?" Voltei e fiquei dez anos formando engenheiros para a Petrobras.
A gente formou cerca de mil engenheiros na Universidade Corporativa. Engenheiros de produção de petróleo, engenheiros de perfuração de petróleo e também químicos de petróleo.
A Universidade Corporativa veio da necessidade, porque não havia nada semelhante no Brasil. Não havia universidade alguma como nos Estados Unidos. Lá existe departamento de petróleo. A Petrobras estava usando tecnologia estrangeira. Então, foi nascendo esse núcleo que se tornou bastante grande e extremamente competente. Os professores todos têm Mestrado ou Phd em universidades norte-americanas. Universidades da Escócia, da Inglaterra. Era um trabalho de ponta. Hoje, provavelmente, superior a 95% das universidades brasileiras. A gente formou pessoas do mais alto nível. Ainda mais que entre as pessoas selecionadas provavelmente de 4 mil tirávamos cem. Nós tínhamos engenheiros de petróleo com formação em Engenharia Civil, Mecânica, Elétrica, Eletrônica, Naval, Química. Essa diversidade de formações fazia com que a gente tivesse um time muito rico. Nossos quadros são hoje marcados pela competência, pela qualidade. Investiu-se muito especialmente na exploração de produção, em mestrados e Phds. E a Petrobras financiava, dava bolsa. A pessoa passava, no meu caso, um ano e quatro meses para fazer o mestrado na Engenharia de Petróleo, que é um tempo curto. E na Geologia eram geralmente dois anos, com bolsa da Petrobras e todo apoio.
Antes de vir para a Repar, eu estava em Angola dando aula na Universidade Agostinho Neto, formando engenheiros na área de posse de petróleo. Eu era da Petrobras e estava emprestado à Braspetro. Havia um convênio. A vida em Angola era preso dia sim, dia também. Um povo em revolução. O povo de Angola sofreu muito com essa revolução. E a gente passou dias memoráveis. Ao conhecer Angola, fiquei dando muito valor às coisas que nós temos no Brasil. Porque eu vi o caos. E pudemos contribuir com um povo muito sofrido.
Eu vim para a Repar porque estava me repetindo. Eu sempre gosto de fazer coisas novas. Então, apareceu a oportunidade de vir para a Repar. Um amigo já estava aqui e mesmo em Angola o processo tramitou, andou. Quando eu cheguei, já estava transferido para a refinaria. E disposto a fazer Administração de empresas, planejamento estratégico voltado para organização, indicadores de desempenho. Prêmio Nacional da Qualidade. Coisas que vieram mais tarde, coisas que a gente faz agora, há 15 anos e fração aqui na Repar.
O fato mais marcante foi vermos nossa gestão empresarial crescer. Criarmos ferramentas que se tornaram uma referência, não só para as outras unidades da Petrobras, mas também para empresas brasileiras, como Metrô de São Paulo, Sanepar, palestras na Bureau Veritas, 2º Congresso Internacional. A gente vem desenvolvendo e levando a Repar a ser uma das refinarias de ponta do sistema Petrobras. Juntamente com a Vale do Paraíba e com a Replan. São três refinarias excelentes.
Eu tive relação com o sindicato, e me dou muito bem com ele. Gosto muito do Sindicato dos Petroleiros. Estou sempre em contato com eles e ajudando no que é possível.
Eu sempre dei muito valor ao papel do sindicato. Tem que haver um sindicato para que as coisas fiquem mais ordenadas para o trabalhador. E a empresa tem que estar em parceria. Temos que trabalhar juntos, não há outra alternativa
A relação do sindicato com a empresa tem sido mutante. Quando eu cheguei aqui, era de briga, tensa; mais tarde a coisa amenizou, mas não o suficiente. O governo também fez um esvaziamento grande, o que é uma pena. Forçou a isso. E hoje nós realmente vemos o sindicato com muito bons olhos.
Na Cipa, em 1994 e 1995 - foram duas gestões das quais eu participei - como coordenador da subcomissão das empreiteiras. E meu braço direito, o Ferreira, era do sindicato, foi o cara que mais me ajudou, ele era muito dedicado e nós fizemos um trato: nós queremos resolver os problemas através da empresa. A Cipa é da empresa, temos que ajudar o sindicato a resolver os problemas, mas com o apoio da empresa. E fizemos isso. A Petrobras é uma instituição que preza muito a segurança. Preza a vida do ser humano. Ela realmente quer dar segurança às pessoas, quer dar a melhor condição de vida. Tanto que hoje, os contratados estão almoçando em nosso restaurante. Não podemos exigir um trabalho de primeiro mundo de uma pessoa que se sente inferiorizada e maltratada. Nós temos que trazer o nosso contratado pro nível de qualidade e de tratamento igual ao do petroleiro da Petrobras.
Eu tenho um tio-avô, eu descobri em 1985. Tinha 12 anos de Petrobras, e fui descobrir numa correspondência que o pai me enviou, da Gazeta do Povo do Paraná. Dizia que Pedro Firma Neto - deputado federal, meu tio-avô, meu padrinho de crisma -, ele fez o projeto de lei criando a Braspetro - A Petrobras Internacional. Foi um deputado paranaense de Marechal Malé, uma pequena cidade ao sul do Paraná, de ucranianos. Ele é ucraniano e foi o fundador. Está com quase 90 anos, morando no Rio de Janeiro, no Lido, Posto 2. E nós conversamos muito e ele era muito orgulhoso de ter feito esse projeto de lei. É uma pessoa sempre idealista.
Essa parceria Sindicato e Petrobras para realizar o projeto "Memória dos Trabalhadores da Petrobras" eu acho uma iniciativa maravilhosa, porque é uma história que vem das bases, as pessoas contam as suas experiências de vida. E mostra uma união que a gente sempre buscou. Fico muito feliz em poder participar dessa entrevista e desse projeto também.
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