Nem aí para a política da boa vizinhança
(Mauro Leal)
Já noitinha, depois de um exaustivo dia no emprego,
Florêncio e seu irmão Marcelino,
estavam trocando umas ideias enfrente aonde residiam.
E também na calçada da casa ao lado,
seus primos, Lico, Armandinho e Abiatar, filhos da falecida tia Jica,
em frouxos de risos,
E entre uma conversa e outra,
Florêncio, num estado melancólico e um tanto meio sem jeito,
disfarçou um pouquinho virando o rosto,
abriu o coração, e falou bem baixinho:
- Marcelino, não sei porque eles não falam aqui com agente!
Marcelino, por ser aposentado está sempre por ali presenciando
o tratamento deselegante com o qual
a esposa de seu irmão, a cunhada Felizarda tem com eles, e com os demais moradores,
inclusive Marcelino é vítima desta mesma forma dela se dirigir às pessoas,
sente na pele essa mesma indelicadeza.
O mano ressentido continua a lamuriar,
mas Marcelino se mantém atencioso porém de bico calado, só ouvindo o desabafo,
fazendo-se de desentendido, porém extremamente surpreso
com o desconhecimento do conduta que a cara de jiló da esposa
do seu irmão dar aos ilustres vizinhos, debaixo do seu próprio nariz.