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História
Por: Museu da Pessoa, 29 de maio de 2025

Não caminho para o fim, caminho para as minhas origens

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Não caminho para o fim, caminho para as minhas origens

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“Eu não caminho para o fim, eu caminho para as minhas origens”

“Eu não caminho para o fim, eu caminho para as minhas origens”

Eu nasci em Belo Horizonte. Meu pai era militar, viajava muito, então não era presente nessas rotinas familiares. Minha mãe sempre foi de uma disciplina mais dura do que disciplina de quartel. Grande parte da minha capacidade de superação teve a ver com a criação rigorosa da minha mãe. Nos anos 70, meu pai foi transferido de Belo Horizonte para Campo Grande. Vir para Mato Grosso, à época, de Minas Gerais, era como se você estivesse indo para o Amazonas. A família se despediu como se a gente fosse ser comido por jacaré. Foi uma ruptura, como se estivesse recomeçando a vida. Um universo de interrogações, não sabia o que a gente ia encontrar.

Campo Grande era uma cidade muito mais de natureza, comum ver bichos andando próximo da cidade, quase todo mundo tinha um animal silvestre, papagaio, uma arara, porque era muito fácil. Era normal você sair, final de semana, qualquer beiradinha de Pantanal que você chegava, tinha alguém oferecendo um papagaio. Isso quando não um filhote de onça seja pintada ou parda, porque tinham matado a mãe.

Eu entrei na atividade de escotismo e fui quase seis, sete anos escoteiro. Então eu vivia no campo. Ir para a natureza era algo que nos permitia ter grandes experiências. Os momentos de preparar os acampamentos, construir as barracas, sair na trilha, navegar, aprender a olhar as estrelas. A própria infância, nas fazendas, em Aimorés, tudo tinha a ver um pouco de ir para o primitivo, para àquilo onde você não tinha intervenção humana, os córregos, as cachoeiras, os riachos. Foram os primeiros momentos que eu comecei a me permitir interagir, me permitir encantar, ter um olhar que fosse não o do medo, mas do encontro, do reencontro. Lembra um pouco das escritas de Manoel de Barros, uma fala dele que, para mim, se tornou quase um mantra: “Eu não caminho para o...

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