Nascida em Três Barras do Paraná, região metropolitana de Cascavel. Durante a infância tive pais abusivos e presenciei muitas cenas de violência até os 10 anos, minha fonte de amor, inspiração e diálogo moral vieram de minha avó paterna. Minha avó, na época tinha uma fazenda na qual morava como meu avô. Esse por muitos anos foi meu local de refúgio durante os finais de semana, meus pais já haviam se separado e eu morava com a minha mãe, que após a separação entrou em uma espécie de depressão onde descontava ódio, preconceito e agressões físicas contra mim. Já aos 11, eu torcia para que as sextas-feiras chegassem logo para que eu pudesse passar o fim de semana com a minha avó e meus primos. No sítio, havia grandes cachoeiras, lagos, bóias, grama, árvores, frutas e animais. O sítio me salvou, pois nele havia amor, apesar de ainda presenciar cenas violentas entre meus tios, que bebiam e acabavam ficando descontrolados.
Minha avó era ministra de uma igrejinha que ficava cerca de 10km do sítio, ela me levava junto com ela, a pé e muito cedo da manhã. Eu adorava acordar cedo com ela para ir buscar os ovos escondidos pelos ninhos das galinhas ou tirar o leite das vacas. Quando eu voltava para casa da minha mãe durante a semana, eu me isolava em meu quarto com o meu diário. Eu tinha um toca CD onde eu ouvia minhas músicas e passava a noite toda escrutando atentamente e escrevendo as letras para decorar e saber cantar. Minhas primeiras bandas preferidas foram Nirvana e charlie brown jr, o que me levaram a conhecer outros cantores do rap, como racionais e facção central.
Eu não fui ensinada a me comunicar, eu aprendi que me comunicar poderia me trazer muitas consequências ruins, como ser proibida de sair com minhas amigas ou fazer coisas que eu gostasse. Então, eu escrevia em um diário que ganhei e fui incentivada pelo meu falecido tio Sérgio. Mesmo com o diário, eu aprendi que era muito arriscado escrever e me expressar...
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Nascida em Três Barras do Paraná, região metropolitana de Cascavel. Durante a infância tive pais abusivos e presenciei muitas cenas de violência até os 10 anos, minha fonte de amor, inspiração e diálogo moral vieram de minha avó paterna. Minha avó, na época tinha uma fazenda na qual morava como meu avô. Esse por muitos anos foi meu local de refúgio durante os finais de semana, meus pais já haviam se separado e eu morava com a minha mãe, que após a separação entrou em uma espécie de depressão onde descontava ódio, preconceito e agressões físicas contra mim. Já aos 11, eu torcia para que as sextas-feiras chegassem logo para que eu pudesse passar o fim de semana com a minha avó e meus primos. No sítio, havia grandes cachoeiras, lagos, bóias, grama, árvores, frutas e animais. O sítio me salvou, pois nele havia amor, apesar de ainda presenciar cenas violentas entre meus tios, que bebiam e acabavam ficando descontrolados.
Minha avó era ministra de uma igrejinha que ficava cerca de 10km do sítio, ela me levava junto com ela, a pé e muito cedo da manhã. Eu adorava acordar cedo com ela para ir buscar os ovos escondidos pelos ninhos das galinhas ou tirar o leite das vacas. Quando eu voltava para casa da minha mãe durante a semana, eu me isolava em meu quarto com o meu diário. Eu tinha um toca CD onde eu ouvia minhas músicas e passava a noite toda escrutando atentamente e escrevendo as letras para decorar e saber cantar. Minhas primeiras bandas preferidas foram Nirvana e charlie brown jr, o que me levaram a conhecer outros cantores do rap, como racionais e facção central.
Eu não fui ensinada a me comunicar, eu aprendi que me comunicar poderia me trazer muitas consequências ruins, como ser proibida de sair com minhas amigas ou fazer coisas que eu gostasse. Então, eu escrevia em um diário que ganhei e fui incentivada pelo meu falecido tio Sérgio. Mesmo com o diário, eu aprendi que era muito arriscado escrever e me expressar nele, mesmo tendo senha. Certa vez abri meu diário e ele estava estourado: minha própria mãe sem a minha permissão o abriu, leu e escreveu sobre minhas palavras com a intenção de me constranger por expressado meus próprios sentimentos no meu diário. Isso foi algo muito traumático, eu não sentia que vivia com uma pessoa carinhosa e compreensiva, minha percepção era de viver com alguém instável e perversa. Esse sentimento de injustiça caminha comigo até hoje, foram muitos anos de investimento financeiro em terapias para lidar com todos os traumas e não repeti-los novamente com a família que eu escolhi ter. Só a gente sabe, não é mesmo?
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