Meu nome é Adriana e vou contar um pouco da minha pré-adolescência.
Morava em uma fazenda na pequena cidade do interior paulista chamada Estrela d’Oeste. Nós chamávamos essa fazenda de colônia porque havia várias casas iguais com exceção a do administrador, que era melhor, pois tinha água encanada e banheiro com privada. Minha casa e dos demais tinha um poço onde puxávamos a água e a usávamos para tudo. Nosso chuveiro era um balde com uma espécie de chuveiro na ponta que controlava a saída da água por uma cordinha. E a água só era quente se tivesse sido aquecida antes no fogão à lenha. Ah Também não me esqueço do tanque de lavar roupa que era um pedaço de madeira grande e liso preso ao chão e inclinado.
O lugar de lavar louça era chamado girau (um tipo de mesa fora da casa onde colocávamos uma bacia com água de sabão para lavar a louça, outra bacia de água limpa para enxaguar e uma peneira grande ao lado para secar. O banheiro ficava do lado de fora e era uma casinha com um buraco no chão. Eu particularmente morria de medo de ir ao banheiro, pois era cheio de baratas. Minha casa na colônia era realmente muito humilde, mas éramos felizes.
Minha escola era na fazenda vizinha e estudava de manhã. Era apenas uma sala onde tinha alunos da 1ª a 4ª série. Minha professora se chamava Dª Zuleica e ela vinha da cidade. Íamos numa turma e cada dia era uma aventura. Logo de manhã tínhamos que passar pelo pasto onde tinham as vacas leiteiras que saiam do curral após a ordenha. Às vezes levávamos um carreirão, pois elas tinham bezerro novo e eram bravas. Na volta da escola, vínhamos com muita fome e comíamos tudo que achávamos: goiaba, melancia, mamão, buchinha, laranja, mexerica, etc.
Minhas brincadeiras eram demais. Gostava de caçar com estilingue, arapuca, nadar e pescar lambari e traíra no açude, futebol no campinho e bonecas também.
Adorava o mês de junho porque tinha novena quase todos os dias na colônia e nas...
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Meu nome é Adriana e vou contar um pouco da minha pré-adolescência.
Morava em uma fazenda na pequena cidade do interior paulista chamada Estrela d’Oeste. Nós chamávamos essa fazenda de colônia porque havia várias casas iguais com exceção a do administrador, que era melhor, pois tinha água encanada e banheiro com privada. Minha casa e dos demais tinha um poço onde puxávamos a água e a usávamos para tudo. Nosso chuveiro era um balde com uma espécie de chuveiro na ponta que controlava a saída da água por uma cordinha. E a água só era quente se tivesse sido aquecida antes no fogão à lenha. Ah Também não me esqueço do tanque de lavar roupa que era um pedaço de madeira grande e liso preso ao chão e inclinado.
O lugar de lavar louça era chamado girau (um tipo de mesa fora da casa onde colocávamos uma bacia com água de sabão para lavar a louça, outra bacia de água limpa para enxaguar e uma peneira grande ao lado para secar. O banheiro ficava do lado de fora e era uma casinha com um buraco no chão. Eu particularmente morria de medo de ir ao banheiro, pois era cheio de baratas. Minha casa na colônia era realmente muito humilde, mas éramos felizes.
Minha escola era na fazenda vizinha e estudava de manhã. Era apenas uma sala onde tinha alunos da 1ª a 4ª série. Minha professora se chamava Dª Zuleica e ela vinha da cidade. Íamos numa turma e cada dia era uma aventura. Logo de manhã tínhamos que passar pelo pasto onde tinham as vacas leiteiras que saiam do curral após a ordenha. Às vezes levávamos um carreirão, pois elas tinham bezerro novo e eram bravas. Na volta da escola, vínhamos com muita fome e comíamos tudo que achávamos: goiaba, melancia, mamão, buchinha, laranja, mexerica, etc.
Minhas brincadeiras eram demais. Gostava de caçar com estilingue, arapuca, nadar e pescar lambari e traíra no açude, futebol no campinho e bonecas também.
Adorava o mês de junho porque tinha novena quase todos os dias na colônia e nas fazendas vizinhas. Depois da reza, sempre tinha chá de chocolate e bolinhos de chuva. Também tinha sempre uma fogueira para batismo. Era tradição ter padrinho de fogueira.
Todos domingo à tardezinha íamos a pé para a cidade. Assistíamos a missa, tomava uma vaca preta na sorveteria e depois ficávamos dando volta na praça da matriz onde tocava músicas românticas. Era assim que paquerávamos. Nossa tristeza era quando chovia no domingo e não saíamos. Quantas promessas e ovo para Santa Clara eu coloquei em tocos para não chover, pois era o único dia que íamos a cidade.
Mudei-me para a cidade aos doze anos e minha rotina mudou bastante. Fui muito feliz nessa fazenda e até hoje tenho saudosas recordações do lugar e das pessoas que fizeram parte desse pedaço de minha história.
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