Poesias e quadrinhos definem meu gosto como leitor. Bukkowski e Eiichiro Oda são autores que me marcaram. A literatura como forma de enxergar o mundo com novos olhos, que traz do oculto uma perspectiva transformada, é o que mais me atrai nesse universo de coisas.
Quando volto ao passado e tento lembrar das coisas que mais estiveram presentes na minha vida e que mais me fizeram felizes, com certeza a escrita estará lá. Meu foco sempre foi mais na expressão do que na forma, apesar da forma também ser muito importante e estar presente nos meus textos. Ao longo dos anos, foram centenas de versos e poemas que escrevi com a intenção de demonstrar meus sentimentos. Alguns textos felizes, muitos tristes e outros tantos sobre coisas da vida. Encarnei personagens, revivi dramas e voltei aos cenários que fugi. Escrevi sobre a doença, sobre a cura, e sobre o seguir em frente, ainda que com cicatrizes. Sobre a vida, falei sobre as cores que a pintam. Sobre a solidão, alguns versos sangravam buscando resposta. E sobre os mistérios, mais perguntas ainda.
A seguir um dos poemas que escrevi em 2022, com o título Canto para Sofia:
sofre, Sofia, despreparada
tal como sofria eu aquela angústia
diante sua face nua, rosada
que em risada zombava
e partia em bandas minha razão
me chamando de vagante
partido, parti, e então,
esqueci-me...
até que na mais fria noite
diante a solidão da cidade
no laço que partiu-se
da tenda que rompeu-se
e da morte que varreu
todas as tristezas,
ouvi seu pranto ao luar
...
escuta mesmo que sozinha
meu canto sereno que se move
pelos ventos do arrependimento
e diante a melodia da justiça
graças aos céus, a sua vida
tornou-se tudo aquilo que plantaste
nesse canto te disse, Sofia,
seu instante é triste
e seu pranto profundo
mas tudo que corrompe
um dia há de limpar-se
e poderás ser feliz mais uma vez