Primeiras descobertas
Os prédios em construção, as ruas sem asfalto nem luz, todos nós pensávamos a mesma coisa: como podemos morar neste caos? Entretanto sobrevivíamos. Aos sete anos, um mundo cheio novidades se abria diante dos meus olhos, ao lado dos prédios ficava a serra, cheia de mistérios: árvores, cachoeiras, a solidão da minha pedra, na qual encontrava paz e passava as tardes brincando com seres imagináveis. Pedro era meu vizinho, ficamos muito amigos, exercia sobre ele uma dominação inacreditável, sempre tão frágil, incapaz de pronunciar uma palavra áspera. Por causa da paralisia infantil, arrastava a perna, magra, doente e fria. Eu o adorava. Fugíamos para os prédios ainda não habitados, onde trocamos o primeiro beijo. Comecei minha iniciação, descobri que o meu corpo podia ser uma armadilha, na qual eu mesma estava presa.
Adeus à inocência
Estava com doze anos, muitas mudanças estavam acontecendo no mundo, mas para mim nenhuma mudança importava mais do fato de eu estar me tornando mulher, sentia a conquista de um certo poder. Ao me ver os homens velhos receavam olhar uma criança, com libido de serpente. Comecei registrar todas as banalidades da pré adolescência. Percebi que assim teria um confidente para compartilhar os sonhos mais impossíveis, as desilusões, sentimentos mais profundos, vergonha, medo, inveja todas as coisas provindas do meu inimigo oculto e que nunca diria a mais ninguém...
A caminho do mundo
A cidade de Pouso Feliz fica a alguns quilômetros da capital de São Paulo. Aos quinze anos foi minha primeira viagem que fiz sozinha. Experimentava o sabor da liberdade... tudo o sempre desejei estava acontecendo, tinha duas grandes amigas, elas conheciam e eram conhecidas por todas as pessoas, bebiam, fumavam, namoravam muito. Eu me espelhava nelas e desejava ser igual. Toda aquela loucura me excitava. Faria qualquer coisa para me tornar, extrovertida, vencer a timidez, e ser conhecida na turma, sabia que se...
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Os prédios em construção, as ruas sem asfalto nem luz, todos nós pensávamos a mesma coisa: como podemos morar neste caos? Entretanto sobrevivíamos. Aos sete anos, um mundo cheio novidades se abria diante dos meus olhos, ao lado dos prédios ficava a serra, cheia de mistérios: árvores, cachoeiras, a solidão da minha pedra, na qual encontrava paz e passava as tardes brincando com seres imagináveis. Pedro era meu vizinho, ficamos muito amigos, exercia sobre ele uma dominação inacreditável, sempre tão frágil, incapaz de pronunciar uma palavra áspera. Por causa da paralisia infantil, arrastava a perna, magra, doente e fria. Eu o adorava. Fugíamos para os prédios ainda não habitados, onde trocamos o primeiro beijo. Comecei minha iniciação, descobri que o meu corpo podia ser uma armadilha, na qual eu mesma estava presa.
Adeus à inocência
Estava com doze anos, muitas mudanças estavam acontecendo no mundo, mas para mim nenhuma mudança importava mais do fato de eu estar me tornando mulher, sentia a conquista de um certo poder. Ao me ver os homens velhos receavam olhar uma criança, com libido de serpente. Comecei registrar todas as banalidades da pré adolescência. Percebi que assim teria um confidente para compartilhar os sonhos mais impossíveis, as desilusões, sentimentos mais profundos, vergonha, medo, inveja todas as coisas provindas do meu inimigo oculto e que nunca diria a mais ninguém...
A caminho do mundo
A cidade de Pouso Feliz fica a alguns quilômetros da capital de São Paulo. Aos quinze anos foi minha primeira viagem que fiz sozinha. Experimentava o sabor da liberdade... tudo o sempre desejei estava acontecendo, tinha duas grandes amigas, elas conheciam e eram conhecidas por todas as pessoas, bebiam, fumavam, namoravam muito. Eu me espelhava nelas e desejava ser igual. Toda aquela loucura me excitava. Faria qualquer coisa para me tornar, extrovertida, vencer a timidez, e ser conhecida na turma, sabia que se experimentasse ousar, não sentiria vergonha de mais nada, e então... Jamais esquecerei Pouso Feliz. Dentro do quarto, duas pessoas que mal se conheciam. Compartilhando seus corpos. Ainda era virgem, mas nada falei, agia como se fosse uma expert, percorrendo o caminho de olhos fechados. Mal me lembro do seu rosto. Ele colocando a camisinha, enquanto seus dedos me excitavam. Meu Deus o que estava fazendo? Sentia-me exausta, seria o efeito do coquetel alcóolico?
Relações Complicadas
Minha mãe leu tudo que escrevi sobre Pouso Feliz. Não suportei a violação do único objeto que realmente me pertencia, as idéias mais íntimas... Ela vivia estragando minha vida pois sentia inveja da juventude que nunca teve. Casou aos quatorze anos, grávida, para fugir do pai. Eu acreditava que por ter inveja ela me fazia cuidar do meu avô, para que eu pudesse me acostumar com a velhice e a loucura. Nestes momentos desejei que ela morresse, e me deixasse viver... Quando ficamos sozinhos, eu já estava com dez anos, como diziam todos, não tínhamos pai nem mãe. Eles haviam nos abandonado. Ela estava confusa e perdida. Eu me preocupava com meu irmão e desejava protegê-lo. Não demorou muito para que ela voltasse, apesar de haver muitas brigas. A irmã dela dona do dinheiro, da casa e da verdade, não a admitia de volta. "Você os abandonou e o pai deles também não os quis. O que são estas crianças? Apenas um acidente de percurso". Meu pai inventava comidas diferentes e colocava em copinhos que fazia com as embalagens de ovo, cantava músicas doidas criadas pôr ele... As lembranças deste homem, são vagas. Foi há muito tempo atrás. Nesta época eu acreditava que ele era o melhor homem do mundo. Sempre sorrindo, fazendo piadas, era um amigo, não um pai, não lembro de ter sido severo ou ríspido comigo. Um dia este cara legal foi embora...Simplesmente deixou de existir na minha vida. Não consigo mais amá-lo. Sinto uma mágoa muito grande, por ele não ter continuado a ser aquele pai crianção que me fazia rir . Ele optou por outro caminho. O que ele tirou de mim, ou melhor, nunca me deu é algo irrecuperável.
Conhecendo o amor
Meu primeiro amor, passou correndo no corredor da escola, com suas faces vermelhas. Aos doze anos sentia os primeiros surtos da paixão, o que condenaria meu coração a sofrer demais e a amar com exagero para o resto da vida. Quando o vi foi como se o relógio do tempo cessasse, sentia um medo inexplicável. Fiquei observando-o pôr alguns minutos e o reconheci, pois sempre o via em meus sonhos, seu semblante ingênuo, sua boca gostosa, pele clara, cabelos loiros. Tudo nele denunciava que era realmente um anjo. Como poderia não me apaixonar? Relembrar me faz sentir o mesmo nervosismo, as mãos suando, o coração batendo acelerado, e as palavras travadas na garganta. Esperava muito encontrá-lo, mas cada vez que isto ocorria, uma crise compulsiva de choro e impotência tomavam conta do meu ser. Ele esteve presente pôr alguns anos em minha imaginação. O surto da paixão foi passando. Aos poucos aprendi a dominar ou dissimular meus sentimentos. Um dia sem que eu esperasse ele me procurou. Ficamos juntos. Era estranho mas nada aconteceu nenhuma bomba estourou, nenhum terremoto. Seu semblante angelical assumira uma feição comum, era mortal como todos os outros, e eu que esperei tanto pôr este momento, percebi , a coisa mais óbvia da vida, tudo o que é muito desejado perde o encanto quando conseguimos...
Inspiração
Minha mãe estava doente, um tumor que bagunçou de vez sua auto estima o que via nela agora era sombra de mulher espetacular, neste momento suas forças dependiam principalmente da minha compreensão e amor, o que eu não soube fazer... Antes fora um modelo para mim, quando éramos crianças eu ficava olhando seus gestos, sua maneira de falar, tentava imitá-la. Dominava qualquer assunto, era bom ouvi-la. As pessoas a respeitavam e invejavam seus dons. Todos a amavam. Eu nasci do seu ventre, um pedaço dela habitava em mim...
Desejo adolescente
Naquela festa podia imaginar qualquer coisa, menos que ficaria com ele, eu o achava o mais bobo de todos, sempre me irritando e provocando, além de estar na turma daqueles que brigavam com meu irmão, quando éramos crianças. Eu desci as escadas, recebi o recado que o Léo queria falar comigo, fiquei parada na sua frente esperando que dissesse alguma coisa. Comecei a perceber como ele era bonito, cabelos compridos, sobrancelhas bem desenhadas, uma boca linda. Confesso que me espantei, não lembrava dele assim. Não falamos nada, ele simplesmente me beijou, o melhor beijo da minha vida. Nada mais acontecia ao nosso redor, aquele beijo durou uma eternidade, um tempo incontável, o mais gostoso sentimento de paz me invadiu, sentia o vento frio da noite e mergulhava em sua boca faminta, nossas células se fundiam e nos transformávamos em uma pessoa única, meu corpo sedento o desejava dentro de mim. Depois de alguns dias só pensava em revê-lo. Como seria? Aconteceria de novo? Eu rezava para que sim... me tornei sua escrava.
Amigos
Na sexta série comecei a notar meu talento para comédia, eu era realmente muito engraçada fazia imitações dos alunos e professores, colocava apelidos nas pessoas, foi assim que iniciei a mais importante amizade daquele tempo. Chamava a Vitória de bugalu, um personagem da TV, que possuía uma cintura larga, ela veio do Paraná e não conhecia ninguém, durante aquele ano inteiro, fiquei atormentando. No ano seguinte, a vi sozinha, na escola , não sei porque, mas senti uma vontade enorme de ser sua amiga, chamei para ficar comigo, nasceu então um relacionamento complexo, cheio de altos e baixos, nos divertimos muito juntas. De certa forma sua família me adotou, e representam até hoje o meu porto seguro. Com o tempo nos tornamos mais unidas do que nunca, acordávamos de madrugada para fazer pixações, bagunçávamos na escola, íamos nas quermesse paquerar, inventávamos roupas, ensaiávamos passos de dança, tomávamos porre e riamos de tudo. Quando ela começou a namorar me senti enciumada, achava que era traição, deveríamos fazer tudo juntas, ela ganhou um carro, entrou na faculdade, tudo antes de mim, prometi para mim mesma que um dia teria tudo isto...
Loucuras da Paixão
Depois daquela festa fiquei alguns dias em uma expectativa infernal, o Léo morava no prédio da frente. Eu passava todos os dias em sua rua para encontrá-lo. Queria ficar ali a fitar seus olhos negros, admirando seu sorriso, como era bom abraçá-lo. Começamos a nos ver todos os dias, tornou-se uma necessidade. Fazíamos amor a toda hora e em qualquer lugar, nosso corpos sedentos um do outro. Muitas vezes pensei que morreria em seus braços. Durou apenas um ano durou. Este amor me consumia, não conseguia controlar meus atos, fazia qualquer coisa pôr ele. Sabia das suas traições, do seu mal caratismo, e a vida marginal. Apesar de tudo continuaria lutando para estar ao seu lado. De repente o Léo não me amava mais, me perguntei se um dia chegou a amar, chorei, implorei. A Vitória me condenava pôr me rebaixar assim, era mais forte do que eu, foi nesta época que fiz da irmazinha dela meu alicerce. Apesar da pouca idade a Bruna era a única pessoa que, me ouvia e consolava, nasceu um grande amor pôr esta criatura maravilhosa. Durante todos estes anos preservamos o carinho e a cumplicidade da nossa amizade, ficamos muito tempo separadas mas nunca perdemos o contato. Hoje percebo com orgulho que a minha menhinha cresceu, tornou-se uma mulher. Era tão criança e entendia tão bem minhas aflições. Hoje mais do que nunca sei que minha vida não teria a menor graça se ela não existisse. Creio que nos conhecemos de outras encarnações e temos algo para cumprir juntas...
Adeus as fantasias
O colegial estava acabando, e eu ainda era uma menininha, pobre e insegura. O sonho de me tornar uma grande atriz, ser famosa, ficará para trás nos contos de fada, agora era hora da princezinha cair na real, começar a me virar. Precisava encontrar um caminho, já estava com dezoito anos... O primeiro emprego é sempre penoso, principalmente quando te deixam sozinha e você não sabe nada . Na locadora, era tudo muito fácil, foi apenas uma questão de tempo, Júlio, meu chefe um loirinho, com jeito de almofadinha, não gostei muito dele no começo. Ele havia terminado um noivado e eu começava a me recuperar da minha crise de escravidão, pôr estas circunstância, acabamos pôr nos tornar amigos, ficávamos o dia inteiro juntos conversando e acabei sabendo muito sobre a sua vida, ele me contava as estórias do seu tempo de faculdade, a vida dura que levava, o sacrifícios dos fins de semana perdidos sobre optar entre ficar com seu verdadeiro amor ou conquistar poder, dinheiro, status sociais, sentia-se atormentado, pois a ambição brotava dentro da sua alma. Jurou então esquecer este amor e não senti-lo pôr mais ninguém. Eu gostava do meu trabalho, enfim comecei a trilhar um caminho, sai de casa, ficava mais perto, esta foi a desculpa, mas a verdade é que eu acreditava estar na hora de amadurecer desejava muito ficar longe dos velhos fantasmas... Minha amizade com o Júlio aumentava a cada dia, éramos cúmplices, trabalhávamos em sintonia, finalmente ele conseguira uma funcionária dedicada, o namoro acabou sendo uma conseqüência natural, não que eu me sentisse perdidamente apaixonada mas preenchia um vazio. Durou exatos quatro anos entre idas e vindas, depois que minha mãe morreu, nosso relacionamento tomou um rumo perigoso, não tinha que dar satisfação a mais ninguém, então pulamos as fases do namoro e passamos para o casamento, extra oficialmente sem papel passado, mas dormíamos juntos todos os dias, trabalhávamos incansavelmente, eu estava disposta a ajudá-lo a conquistar seu império...
Fim do caminho
Meu relacionamento com minha mãe, estava ficando impossível, apesar de ter conseguido se livrar do tumor, ela continuava em depressão, no fundo, a velha guerreira desistirá de lutar.. Morreu muito antes, quando deixou de ter esperança. Não consigo perdoá-la, pela atitude covarde de renunciar a vida assim, justo ela que tanto me alertava, sobre as conseqüências de um suicídio. Em meus dezenove anos, nunca tivera uma noite tão macabra, ela chorava, e falava coisas sem nexo, que nós não a amávamos, e a fazíamos sofrer, eu não conseguia levantar da cama, em meu coração, só havia ódio, não queria ouvir suas lamurias...Na manhã seguinte acordei com a cabeça doendo de tanto chorar, meu irmão escondeu todos os objetos cortantes, para evitar que ela cumprisse o que prometerá, entrei no quarto e ouvi o barulho alto de sua respiração. Em cima da penteadeira havia os papéis dos barbitúricos, eu os vi, pôr algum tempo esqueci esta cena, naquele momento não tinha a noção exata do que estava acontecendo, eu poderia ter feito alguma coisa mas não fiz. Depois de ter entrado no quarto e vê-la dormindo naquele estado, toda jogada na cama fiquei com mais raiva ainda, de novo sentia o cheiro do álcool de longe, era domingo liguei para o Júlio pedindo para vir me buscar, ele tinha um programinha marcado com um amigo, ir ao Ibirapuera andar de bicicleta, implorei para ir junto, estava me sentindo muito mal, precisava ficar perto dele... Ficamos o dia inteiro no parque eu tentava me distrair, mas as cenas daquela noite não saíam da minha cabeça, ele queria me levar para casa e eu pedi para ficar comigo... Estávamos dormindo quando minha cunhada bateu na porta dizendo que estavam ligando de casa, não me lembro com quem ou que falei, só me recordo de ter um pressentimento péssimo, então fomos correndo para o hospital.
Abrindo as portas
A faculdade, o emprego no Jornal, foram coisas muito batalhadas, gostava de sentir que pôr esforço próprio, começava a trilhar um caminho que eu sabia a muito tempo estar designado, algo me fazia sentir chegaria no topo. Quando estava procurando emprego passava em frente o prédio da faculdade e como um imã me sentia atraída, o vestibular, toda aquela correria do cursinho me davam mais ânimo, estudar finais de semana, não ter hora para dormir, valeu, conquistei o que queria... O primeiro dia de aula, estava louca para que os veteranos me pegassem, não aconteceu, era diferente do cursinho me sentia totalmente deslocada, um misto de expectativa e timidez, sentei no corredor e pensei, tenho quatro anos para aproveitar bem. Depois começaram as amizades aos poucos fomos nos identificando mais com umas, menos com outras pessoas, até nos acostumar com as qualidades e defeitos de todos...
Meu namoro com o Júlio acabara definitivamente, não havia mais retorno, todas as tentativas acabaram denunciando que realmente éramos pessoas totalmente diferentes como água e vinho não podíamos nos misturar, a cada briga e a cada retorno, eu tinha mais certeza de que nossa história fora um erro, e nosso amor uma fantasia tanto minha quanto dele mas quando percebi que era mesmo definitivo senti medo do futuro, sem saber o que faria daquele momento em diante, estava tão acostumada, sabia que não existia amor entre nós, mas havia alguma coisa era como se fossemos irmãos, agora percebo o quanto fui egoísta em tentar manter esse relacionamento e não deixar nosso caminho correr livremente, ainda sinto medo e não consigo me entregar a nenhum outro relacionamento, sinto que tenho várias cicatrizes no peito difíceis de curar...
Meu inimigo oculto é inatingível, não consigo enfrentá-lo porque não o vejo, mas sei que ele existe, as vezes não reconheço os meus atos é como se uma outra personalidade me possuísse escuto vozes confusas, tenho sonhos estranhos, parece que algo muito mal vive dentro de mim quero dominar esse lado obscuro, sempre sonho que matei alguém e não consigo sentir remorso tenho prazer em ver o sangue quente da vitima, a faca entrando na carne o último suspiro, quando tenho estes sonhos me realizo acordo vencedora, então bate uma tristeza, por que eu sei que deveria estar me sentindo mal, e os sonhos com minha mães, estes são ainda piores e sempre se repetem , é como se ela nunca tivesse morrido, tudo não passava de uma farsa, eu xingo, brigo e esperneio por ela ter me ludibriado, ter feito eu acreditar que estava sozinha, e de repente tudo não passava de uma trapaça, não podia perdoá-la...
Durante os quatros anos em que estava com o Júlio, fiquei afastada de todos os amigos do bairro, era como se nunca tivesse pertencido aquele mundo, pensei que minha vida mudaria, que conheceria pessoas interessantes, mas acabei por criar um mundo ainda mais conflituoso, meu universo girava em torno dele, gostaria de ter sido a esposa perfeita e fazer tudo conforme ele esperava, mas havia algo selvagem que gritava dentro de mim e me mandava para um caminho oposto, no fundo sabia que não conseguiria viver sem paixão, uma relação estável, sem loucura definitivamente não era o que eu queria...
De repente tudo mudou consegui meu emprego no jornal voltei a morar em casa, entrei no cursinho, decisões que precisavam ser tomadas, eu era um indivíduo com objetivos definidos, acho que isto assustou um pouco o Júlio ao mesmo tempo que me incentivava o sentia afastando-se, tornando-se cada vez mais amigo do que namorado, tentamos, quanto a isso não posso negar mesmo quando já não conseguíamos conversar estávamos ali tentando, foi em uma desta tentativas que algo muito grave ocorreu. Fazer sexo com ele era como respirar, ler, ouvir musica, estas coisas que fazem parte do nosso cotidiano, não era nada especial, naturalmente como viver, não havia surpresas, um dia foi diferente, no mesmo instante senti que algo de estranho havia acontecido, eu tinha certeza que estava grávida sempre desejei ser mãe, mas não sabia o que fazer. Desistir de tudo?
O Regresso...
Fico pensando na libélula negra, quais serão as sua expectativas, quando é ainda uma lesma asquerenta e quando entra no casulo para realizar o milagre da metamorfose? será que ela fica imaginando suas asas multicolorida?, sonhando planar com graça pelas flores. E qual não será a sua decepção ao sair para o mundo e descobrir que suas asas são negras e seu aspecto é sombrio. Quando elas voam fazem um barulho estridente que assusta. Certas pessoas as vêm como sinal de mau presságio, eu particularmente simpatizo muito com esta borboleta, me acho extremamente parecida com ela, sempre idealizei uma metamorfose, não sei se este processo já se realizou pôr completo, fiquei maquinando pôr muito tempo como seria, confesso que estou meio decepcionada comigo mesma, não consigo mudar algumas coisas em minha personalidade que realmente me incomodam, como o fato de me apaixonar pôr qualquer um que me dê um pouco de carinho, meu universo é movido a sentimento, sou como um trem em disparada sempre apressado, querendo mais e mais velocidade. A libélula mesmo não sendo aquilo que sonhava continua a cumprir sua missão distribuindo o pólen pôr entre as flores para que se realize o milagre da vida, pôr isto estou aqui escrevendo este livro expondo tantas coisas complicadas para mim, fazendo uma auto analise, você que esta lendo deve ter sentido em algum momento da vida a mesma vontade de ser perfeito. Mas afinal o que é a perfeição?
Essa história ainda não acabou continua seguindo o curso natural da vida
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