Continente de São Pedro, 04 de fevereiro do ano de 2011 do nosso senhor. Enquanto vago pelos quartos da casa, arrumando o que durante a semana não foi possível ajeitar, entre aulas e planos, sem perceber esbarro na estante, deixando cair um pequeno e velho baú. Ao contrário de livros em meu pequeno relicário, não eram joias que despencaram de dentro dele, mas o tesouro mais agradável que um historiador poderia encontrar, memórias de uma aventura além de terras, montes, rios, que veio terminar aqui, nesta terra de Dornelles e de tantos casais. Como um arqueólogo, fiquei a admirar como um artefato este prêmio que o destino me revelou após suar na labuta de dona de casa que divide o tempo dando aulas e sendo mãe, que apenas perde em esforço para os antigos escravos das charqueadas. Entre lembranças e mimos, a brisa, ou o vento, como todos chamam aqui, de minuano, me leva a nostálgica terra da garoa, onde tudo começou. Sempre desde criança escutei que o Rio Grande do Sul era outra terra, porém sempre ao ler sobre o sul do nosso Brasil, não chegava ao consenso do que era este lugar. Entre cartas e visitas de primas na juventude, livros de Julio Verne, com seu Filleas Fog viajando pelo mundo, foi na garra de uma tal Ana Terra a defender a família dos espanhóis que me inspirei. Contudo, os hermanos e espanhóis não têm de se preocupar, pois não guerrearei como a personagem do livro de Erico Veríssimo, a não ser que ganhem a copa. Entre Beatles, Led, sonhava com um certo capitão Rodrigo, que a cada página se revelava um cafajeste. Sedutor, que ainda com seus ideais nobres de fazer o certo não importando o custo, retirava suspiros incontestáveis, enquanto o antagonista Médice era o contraponto desiludido que até mesmo no sul, príncipes só em livros... E foram anos difíceis para alguém nos dias de hoje entender, no entanto, de fortalecimento. Achei que em minha vã loucura, que por não ter envolvimento político nada ocorreria só ser...
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Continente de São Pedro, 04 de fevereiro do ano de 2011 do nosso senhor. Enquanto vago pelos quartos da casa, arrumando o que durante a semana não foi possível ajeitar, entre aulas e planos, sem perceber esbarro na estante, deixando cair um pequeno e velho baú. Ao contrário de livros em meu pequeno relicário, não eram joias que despencaram de dentro dele, mas o tesouro mais agradável que um historiador poderia encontrar, memórias de uma aventura além de terras, montes, rios, que veio terminar aqui, nesta terra de Dornelles e de tantos casais. Como um arqueólogo, fiquei a admirar como um artefato este prêmio que o destino me revelou após suar na labuta de dona de casa que divide o tempo dando aulas e sendo mãe, que apenas perde em esforço para os antigos escravos das charqueadas. Entre lembranças e mimos, a brisa, ou o vento, como todos chamam aqui, de minuano, me leva a nostálgica terra da garoa, onde tudo começou. Sempre desde criança escutei que o Rio Grande do Sul era outra terra, porém sempre ao ler sobre o sul do nosso Brasil, não chegava ao consenso do que era este lugar. Entre cartas e visitas de primas na juventude, livros de Julio Verne, com seu Filleas Fog viajando pelo mundo, foi na garra de uma tal Ana Terra a defender a família dos espanhóis que me inspirei. Contudo, os hermanos e espanhóis não têm de se preocupar, pois não guerrearei como a personagem do livro de Erico Veríssimo, a não ser que ganhem a copa. Entre Beatles, Led, sonhava com um certo capitão Rodrigo, que a cada página se revelava um cafajeste. Sedutor, que ainda com seus ideais nobres de fazer o certo não importando o custo, retirava suspiros incontestáveis, enquanto o antagonista Médice era o contraponto desiludido que até mesmo no sul, príncipes só em livros... E foram anos difíceis para alguém nos dias de hoje entender, no entanto, de fortalecimento. Achei que em minha vã loucura, que por não ter envolvimento político nada ocorreria só ser jovem de história, me fizeram sentir medo, onde alguns pereciam e outros eram exilados, me refugiei entre livros e estudos atrás de grades bem distantes do país, negando o mais belo, minha cultura por temer engrossar listas temíveis por pensar. Longe ou perto sonhava com o sul e as primas a escrever aguçavam meus sonhos de como bandeirante desbravar uma terra que até o inicio do século XIX ainda guerreava para manter a terra. (história enviada em junho de 2011)
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