Historia Pessoal de Derly Monteiro Raposo
Filha de Leticia de Luca Monteiro da Silva e Jose Monteiro da Silva
nascida em 07 de setembro de 1937 ,
falecida em 16 de agosto de 2009.
Seu pai era oficial de Marinha e sua mãe era do Lar.
Filha casula no universo familiar de três filhos.
Foi casada com Ivo Raposo já falecido.
Teva apenas uma única filha de nome Regina Coeli Monteiro Raposo, que vai contar essa Historia.
Conhecer, portanto, a história de nossas mães, talvez seja a melhor
maneira de homenageá-las como mulheres e base fundadora
de nossa sociedade.
( Mary Del Priore )
A historia de minha mãe, faz parte da Micro Historia, da cidade do Rio de Janeiro e vai se inserir no processo de transformações das relações sóciais, na política e na historiografia brasileira de 1950 a 1980.
Segundo Florestan Fernandes: Se nos países ocidentais a discriminação em relação às mulheres tem a ver com o mercado de trabalho e, eventualmente, com a participação das mulheres na vida pública, mas um projeto radical de transformação das relações sociais vigentes que visa à autoemancipação coletiva dos homens e mulheres que compõem as classes exploradas.
O que vou contar tem inicio em uma ideologia de auto emancipação e de esperança de um grupo de mulheres e uma visão social. Um grupo, que traça como destino a construção de uma historia. A demonstração da capacidade e da força de participação, de intervenção, de ação social e empenho em demonstrar que era possível posicionar igualmente mulheres e homens profissionalmente.
E no calor do desempenho desse papel social, esse grupo de mulheres, necessitou em sua trajetória, de lutar por sua vontade de transformar valores, adquirir respeito e posição em uma sociedade de domínio masculino.
As relações políticas teriam que estar presentes e a transformação da sociedade, seria parte das novas estruturas ambicionadas para um Brasil em construção e em...
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Historia Pessoal de Derly Monteiro Raposo
Filha de Leticia de Luca Monteiro da Silva e Jose Monteiro da Silva
nascida em 07 de setembro de 1937 ,
falecida em 16 de agosto de 2009.
Seu pai era oficial de Marinha e sua mãe era do Lar.
Filha casula no universo familiar de três filhos.
Foi casada com Ivo Raposo já falecido.
Teva apenas uma única filha de nome Regina Coeli Monteiro Raposo, que vai contar essa Historia.
Conhecer, portanto, a história de nossas mães, talvez seja a melhor
maneira de homenageá-las como mulheres e base fundadora
de nossa sociedade.
( Mary Del Priore )
A historia de minha mãe, faz parte da Micro Historia, da cidade do Rio de Janeiro e vai se inserir no processo de transformações das relações sóciais, na política e na historiografia brasileira de 1950 a 1980.
Segundo Florestan Fernandes: Se nos países ocidentais a discriminação em relação às mulheres tem a ver com o mercado de trabalho e, eventualmente, com a participação das mulheres na vida pública, mas um projeto radical de transformação das relações sociais vigentes que visa à autoemancipação coletiva dos homens e mulheres que compõem as classes exploradas.
O que vou contar tem inicio em uma ideologia de auto emancipação e de esperança de um grupo de mulheres e uma visão social. Um grupo, que traça como destino a construção de uma historia. A demonstração da capacidade e da força de participação, de intervenção, de ação social e empenho em demonstrar que era possível posicionar igualmente mulheres e homens profissionalmente.
E no calor do desempenho desse papel social, esse grupo de mulheres, necessitou em sua trajetória, de lutar por sua vontade de transformar valores, adquirir respeito e posição em uma sociedade de domínio masculino.
As relações políticas teriam que estar presentes e a transformação da sociedade, seria parte das novas estruturas ambicionadas para um Brasil em construção e em desenvolvimento sobre um regime militar instável. O Pais das transformações sociais, políticas e legislativas.
Para contar essa micro historia vou precisar recorrer e estabelecer vinculo histórico com o Serviço Social, com a classe social da elite burguesa, e com os movimentos do meio intelectual da cultura e contra cultura, a luta de classe, que colaboraram para a emancipação da mulher e seu papel político transformador.
Essa historia também se cruza a historia do Edifício Avenida Central, ao Edifício Garagem, a Rodoviária Novo Rio, a historia dos bailes carnavalescos da cidade em clubes como Monte Líbano, ABB na lagoa, e tantos outros locais de atuação.
É sobre essa trajetória, o rumo dessa micro historia que eu vou relatar agora. Debruçada sobre consulta de fontes que fazem parte de acervo pessoal, de fotos, documentos, jornais de época, diário oficial e relatos.
Para mim, as perguntas e exemplo de minha mãe e desse grupo de mulheres, foram deixados como legado e são o impulso para trazer essa historia de iniciativa e empreendedorismo que fazem parte também da minha historia.
CAPITULO I
As Revoluções Liberais em meados do século XIX e inicio do XX influenciaram as transformações do papel da Mulher na sociedade e por tanto, é esse o caminho que essa historia se apoia. O caminho para absorção da mulher como mão de obra no mercado de trabalho que é vista ate nosso dias, como competição, o exercício de uma profissão dominada no mercado, por homens.
“modificações estruturais vividas pela sociedade brasileira que rebatem diretamente no conjunto de segmentos que configuram a clientela ou os usuários dos serviços profissionais” Quiroga, 1999, p. 159).
O resgate dessa micro historia para essas mulheres seria contar como surgiu a profissão de policial feminina no Rio de Janeiro e como suas relações políticas e sociais interferiram para uma mudança de estruturas, o ponto de partida do papel exercido pela mulher, as transformações e conflitos na sociedade para que ocorresse as mudanças e o reconhecimento da profissão de Policial Feminina. Posição geradora das mudanças para ingresso de um novo grupo de mulheres em novas condições, realizando o sonho de aceitação de mulheres nas forças militares, fossem nas esferas estaduais,municipais e federais.
Puderam essas mulheres com serviços prestados e comprovados eficientes, abrir caminho e serem reconhecidas em seu desempenho numa época hostil. Essa realidade propunha a mulher novos desafios, que deviam ser enfrentados no cotidiano de sua prática profissional, e provocou mudanças nesse grupo que deram frutos novos. Sociedade em mudança, causa uma crescente precariedade da qualidade de vida de vários segmentos da sociedade.
Como foi a estrutura corporativa criada por elas? E também como minha mãe se destaca nesta micro historia. Como foi sua formação e o encontro dessa possibilidade. Quem são essa pioneiras, de onde vieram, em que contribuíram e o que representaram na sociedade brasileira de ideias sócias democráticas.
Quem são essas pessoas?
CAPITULO II
O pioneiro Corpo de Policia Feminina do Estado da Guanabara teve seu inicio em meados de 1952 , funcionava na Rua do Lavradio nº 100, RJ.
A PROPOSTA DA PRIMEIRA CORPORAÇÂO era o trabalho social, voluntariado e buscaram o apoio financeiro de doações, mas as intenções forma modificando e foi onde buscaram os órgãos legisladores do Estado que envolviam representações políticas e vontade de deputados, de vereadores para defender o Projeto e sua aprovação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro .
O Projeto que criaria a Força de Segurança do Estado, estabelecendo o cargo de agentes de segurança para o corpo feminino.
O Corpo Feminino de Defesa Social - Policia Feminina do antigo Estado da Guanabara apesar de não estar oficializado, prestava serviços à coletividade estadual, sendo aplaudida em diversos lugares que atuaram. Os serviços efetuados pela briosa corporação destinavam-se: Intervenção, Participação, Segurança (- uma ação efetiva -), em documentos pesquisados constam contratos com as seguintes instituições do Estado.
SETOR DA CENTRAL DO BRASIL
Em âmbito particular atuava diariamente das 12 às 18 horas e das 18 às 12 horas dividindo-se em plantões de três turnos contando com um efetivo de 37 policiais fardadas.
SETOR DO SERVIÇO DE ASSISTENCIA A MENORES E DELEGACIA DE MENORES
Atuava de 8 às 14 horas com efetivo de 9 plantonistas divididos em dois turnos.
SETOR DO POSTO DO JUIZADO DE MENORES DE COPACABANA
Atuavam somente em um turno de 12 as 16 horas e com o efetivo de 10 policias.
O Edifício Garagem e o Edifício Avenida Central foram os que oportunizaram em ampla escala o trabalho de vigilância, atendimento ao publico, primeiros socorros e também de segurança.
O Clube Sírio Libanês e a ABB utilizaram os serviços da valorosa corporação; em seus bailes carnavalescos na ação de revista ao publico feminino em busca de drogas e armas. Prestaram serviço também na Rodoviária Novo Rio, auxiliando a população em sua chegada na Cidade do Rio ou em seu retorno a cidade de origem. Em seu Trabalho Social, o acompanhamento e encaminhamento de menores as sua cidades de origem, a vigilância de chegada de imigrantes e sua documentação faziam parte de uma assistência colaborativa a população retirante. Encaminhado menores infratores ou perdidos nas ruas para o Juizado de Menores;
Em suas atribuições de Vigilância, a ação profissional pode ser descrita como de segurança, com atribuições inclusive de dar a vida pela autoridade que acompanhavam.
Participação em eventos sociais e de segurança nacional como a chegada do Presidente Juscelino e D. Sara no Aeroporto Santo Dumont, ao governador Lacerda, aos concursos de miss no estádio do Maracanazinho. E em tantos outros eventos na Cidade do Rio de Janeiro em colaboração com a POLICIA MILITAR e CIVIL e em tantas outras tarefas onde fosse solicitadas a sua presença discreta e impecável.
No passado, seu trabalho na sociedade foi reconhecido e homenageado no maior programa de audiência da época, comandado pelo grande comunicador Abelardo Barbosa na antiga TV GLOBO hoje rede Globo de Televisão e pelo Jornalista Flavio Cavalcanti da extinta TV Tupi no Rio de Janeiro. Tiveram destaque com repórteres como Cidinha Campos pela revista Manchete e os Jornais da época como A Luta e outros noticiaram suas atuações na sociedade.
Após a luta desta primeira Corporação, foi Criada através da Lei nº 746, de 11 de novembro de 1981, a Companhia de Polícia Feminina empregava as policiais femininas no policiamento de trânsito e no trato com as mulheres, crianças e adolescentes em geral.
Em 23 de março de 1988, a Companhia tornou-se independente, passando a chamar-se Companhia Independente de Polícia Militar Feminina, através do Decreto n.º 11.094.
Em 1991, contudo, a unidade foi extinta, com a distribuição das policiais pelos diversos batalhões da Corporação, dentre os quais o Batalhão de Polícia de Choque e o Regimento de Cavalaria Coronel Enyr Cony dos Santos. Dois anos mais tarde, os Quadros de Oficiais Masculino e Feminino foram unificados, com base na Lei n.º 2.108, de 19 de abril de 1993, consolidando a igualdade nas promoções e garantindo à mulher a possibilidade de atingir o posto de Coronel, último da carreira policial.
Atualmente, as policiais femininas estão divididas no Quadro de Policiais Combatentes; no Quadro de Saúde, composto por Médicas, Dentistas, Enfermeiras, Veterinárias, Farmacêuticas, Fisioterapeutas, Psicólogas e Auxiliares de Enfermagem; no Quadro de Oficiais Auxiliares (QOA); nas graduações de Soldado, Cabo, Sargento e Subtenente, além de Cadetes do 1º, 2º e 3º do Ano da Academia de Polícia Militar Dom João VI, que todo ano recebe novas jovens cadetes. No Circulo de Oficiais, as mulheres ocupam o posto de 2º Tenente, 1º Tenente, Capitão, Major e Tenente Coronel.
Hoje, o numero de policiais militares ultrapassa as 1.500 aproximadamente que iniciaram como (531 Oficiais e 911 Praças), atualmente na defesa da sociedade carioca. Exercendo funções em operações policiais, na administração, no trânsito, na saúde ou participando de programas com a comunidade, a mulher conquistou com invulgar competência, perseverança e elevado senso de profissionalismo o seu lugar de destaque na Corporação.
A MULHER NA POLÍCIA MILITAR nos idos de 1982,
A Polícia Militar recebia sua primeira turma a de policiais femininas. Eram ao todo 150 mulheres, que ingressaram como Soldado no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças, o CFAP. Em 1983, entraram para a então Escola de Formação de Oficiais (atual Academia de Polícia Militar Dom João VI) 14 Cadetes, que seriam mais tarde as primeiras Oficiais da Corporação.
Mas ate chegar essa conquista aguas rolaram pela cahoeira, formando o rio da vida
Continua no Capitulo III
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