Meus Presentes em Vida
Há lembranças que não cabem em fotografias, nem se guardam em caixas. Elas habitam o coração como verdadeiros presentes em vida, daqueles que permanecem abertos para sempre. Uma dessas memórias me envolve sempre que recordo o Natal vivido em comunidade, quando vi minha filha, ainda tão pequena, com apenas dois anos, vestida de Mamãe Noel, e meu filho, ao seu lado, como Papai Noel. Naquele instante, tudo fazia sentido. Não era apenas uma encenação: era lar.
Lembro-me da emoção profunda ao confeccionar aqueles figurinos simples, feitos mais de amor do que de tecido. Cada ponto costurado era um gesto de cuidado, um ato de pertencimento, uma forma silenciosa de dizer aos meus filhos: aqui é o nosso lugar. Ao vesti-los, eu não preparava apenas roupas, eu os envolvia em afeto, identidade e acolhimento. Construía, naquele gesto, o sentido de família — aquela que protege, ensina e permanece.
Na celebração do Natal da comunidade, ao participarem da representação do nascimento do Menino Jesus, meus filhos não apenas atuavam. Eles aprendiam, sem palavras, o verdadeiro significado do Natal: a fé que se vive no cotidiano, a partilha que começa dentro de casa, o amor que se estende da família para a comunidade. Aprendiam que tradição é laço, é continuidade, é aquilo que transforma uma casa em lar.
Como descendente de teuto-russos e teuto-brasileiros, protestante, carrego comigo a responsabilidade e o orgulho de preservar a cultura, o idioma alemão, a fé luterana e os valores transmitidos por meus antepassados. Foram eles que, ao colonizar o extremo oeste catarinense — o então chamado grande sertão do Oeste de Santa Catarina —, ensinaram que lar não é apenas um espaço físico, mas o lugar onde a fé é cultivada, onde a família se reúne e onde a esperança encontra morada.
Porto Feliz, hoje Mondaí, com seus 103 anos de história, é a extensão desse lar coletivo. É chão de memórias...
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Meus Presentes em Vida
Há lembranças que não cabem em fotografias, nem se guardam em caixas. Elas habitam o coração como verdadeiros presentes em vida, daqueles que permanecem abertos para sempre. Uma dessas memórias me envolve sempre que recordo o Natal vivido em comunidade, quando vi minha filha, ainda tão pequena, com apenas dois anos, vestida de Mamãe Noel, e meu filho, ao seu lado, como Papai Noel. Naquele instante, tudo fazia sentido. Não era apenas uma encenação: era lar.
Lembro-me da emoção profunda ao confeccionar aqueles figurinos simples, feitos mais de amor do que de tecido. Cada ponto costurado era um gesto de cuidado, um ato de pertencimento, uma forma silenciosa de dizer aos meus filhos: aqui é o nosso lugar. Ao vesti-los, eu não preparava apenas roupas, eu os envolvia em afeto, identidade e acolhimento. Construía, naquele gesto, o sentido de família — aquela que protege, ensina e permanece.
Na celebração do Natal da comunidade, ao participarem da representação do nascimento do Menino Jesus, meus filhos não apenas atuavam. Eles aprendiam, sem palavras, o verdadeiro significado do Natal: a fé que se vive no cotidiano, a partilha que começa dentro de casa, o amor que se estende da família para a comunidade. Aprendiam que tradição é laço, é continuidade, é aquilo que transforma uma casa em lar.
Como descendente de teuto-russos e teuto-brasileiros, protestante, carrego comigo a responsabilidade e o orgulho de preservar a cultura, o idioma alemão, a fé luterana e os valores transmitidos por meus antepassados. Foram eles que, ao colonizar o extremo oeste catarinense — o então chamado grande sertão do Oeste de Santa Catarina —, ensinaram que lar não é apenas um espaço físico, mas o lugar onde a fé é cultivada, onde a família se reúne e onde a esperança encontra morada.
Porto Feliz, hoje Mondaí, com seus 103 anos de história, é a extensão desse lar coletivo. É chão de memórias partilhadas, de tradições vivas, de sabores que reúnem famílias ao redor da mesa, de celebrações que atravessam gerações. Ali, cada Natal reafirma o sentido de comunidade como uma grande família, unida pela fé, pela cultura e pela memória.
Ao ver meus filhos naquele momento, compreendi que meus maiores presentes não estão debaixo da árvore, mas dentro de casa e do coração. São eles. É a família que construímos dia após dia. São essas memórias vividas com intenção, afeto e raízes profundas, que fazem do passado um alicerce, do presente um lar e do futuro uma promessa.
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