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Um alerta sobre a importância do diagnóstico e do cuidado com a saúde mental.

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"Silêncios que Ecoam"

Meu pai era feito de extremos. Tinha dias em que nos levava ao céu — malas prontas, passaportes em punho, destinos internacionais como se fôssemos milionários de novela. Dois meses em outro país e, ao voltar, a realidade como um soco: contas atrasadas, geladeira vazia, dívidas acumuladas. Era o ciclo que se repetia. Bipolar, mas nunca diagnosticado. Nunca aceito. Nunca tratado.

Ele chegou a 150 quilos. A hipertensão o pegou de vez nos anos 70, quando os remédios eram quase castigos químicos. Teve um AVC. Depois, a amputação. O leito da clínica foi sua prisão por oito anos. O corpo ficou ali, mas o espírito — tão turbulento e intenso — se foi antes. Quando morreu, foi como se o mundo finalmente ficasse em silêncio. Minha mãe e eu respiramos alívio. Mas um alívio triste, mutilado. Porque, apesar de tudo, ele era meu pai. Eu o amava. Ainda amo. A morte dele me devastou. E a sua vida continua sendo um lembrete doloroso: doença mental existe e precisa ser tratada com compaixão, não com negação.

Anos depois, o ciclo parecia querer se repetir.

Meu filho, Gabriel, era um gênio. Superdotado. Aprendeu inglês e equações complexas sozinho. Passou para medicina direto do ensino médio, mas escolheu engenharia. Estudou no colégio alemão. Tocava teclado autodidata. Mas, três meses antes da pandemia, a escuridão chegou — uma depressão com psicose.

Sou médico, mas não conhecia ninguém da psiquiatria. Um colega me indicou um especialista, mas só havia vaga dali a dez dias. Desesperado, fui à emergência. Deram risperidona. Nenhuma explicação. Como médico, decidi incluir um antidepressivo. Quando o psiquiatra finalmente o atendeu, aprovou a prescrição. Mas depois Gabriel marcou outra consulta online, com outro profissional, que trocou os medicamentos por "não gostar".

Tentei orientá-lo a manter um...

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