Quando voltei do meu primeiro dia de aula contei aos meus pais, um pouco decepcionada, que havia feito bolinhas e risquinhos, pulando linha. Eu entrei na escola com quase oito anos, no ano da inauguração da EMEF Afrânio de Mello Franco. Eu havia sido alfabetizada pelos meus pais enquanto eles aguardavam a inauguração da escola mais próxima de casa. Minha mãe havia me ensinado a ver horas no relógio analógico. Lembro-me dela me perguntando as horas. Para respondê-la eu ia até a sala e olhava no relógio redondo que estava na parede, em cima da porta que ia da sala de jantar para a sala de estar. Meu pai comprou, lápis de cor e uma cartilha. Ele lia para mim e eu fazia cópias das histórias e atividades. Aprendi a escrever o nome dos pais e irmãos, além do meu. Eu adorava aquela cartilha. O momento de estudos era dos melhores momentos do dia. Gostava muito também de desenhar. No Natal eu mesma fazia os cartões personalizados e entregava para os membros da família. Eu já era adulta quando ainda encontrei um deles dentro de um livro. Minha professora, Dona Tomoko, logo foi satisfazendo minha sede de aprender e rápido passou a decepção do primeiro dia. Fiz nesta escola os oito anos do atualmente chamado Ensino Fundamental. Tínhamos um ótimo plano de saúde pela empresa em que meu pai trabalhava. Quando era dia de consulta minha mãe levava a turma toda para passar com a Dra Wilma. Era uma consulta por atacado. Nesta época éramos cinco irmãos. A médica conhecia a família toda e conversava muito conosco. Um dia ela disse que eu seria secretária, e ainda frisou que o salário era muito bom. Este fato marcou, pois ainda me lembro, mas o destino é mais forte. Eu deveria ter percebido, pois a brincadeira preferida era brincar de escolinha. Sentar meus irmãos e primos na sala e passar lição para eles na porta de madeira pintada de verde. Quando eu estava terminando a oitava série decidi fazer o magistério. Assim entrei na escola um...
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Quando voltei do meu primeiro dia de aula contei aos meus pais, um pouco decepcionada, que havia feito bolinhas e risquinhos, pulando linha. Eu entrei na escola com quase oito anos, no ano da inauguração da EMEF Afrânio de Mello Franco. Eu havia sido alfabetizada pelos meus pais enquanto eles aguardavam a inauguração da escola mais próxima de casa. Minha mãe havia me ensinado a ver horas no relógio analógico. Lembro-me dela me perguntando as horas. Para respondê-la eu ia até a sala e olhava no relógio redondo que estava na parede, em cima da porta que ia da sala de jantar para a sala de estar. Meu pai comprou, lápis de cor e uma cartilha. Ele lia para mim e eu fazia cópias das histórias e atividades. Aprendi a escrever o nome dos pais e irmãos, além do meu. Eu adorava aquela cartilha. O momento de estudos era dos melhores momentos do dia. Gostava muito também de desenhar. No Natal eu mesma fazia os cartões personalizados e entregava para os membros da família. Eu já era adulta quando ainda encontrei um deles dentro de um livro. Minha professora, Dona Tomoko, logo foi satisfazendo minha sede de aprender e rápido passou a decepção do primeiro dia. Fiz nesta escola os oito anos do atualmente chamado Ensino Fundamental. Tínhamos um ótimo plano de saúde pela empresa em que meu pai trabalhava. Quando era dia de consulta minha mãe levava a turma toda para passar com a Dra Wilma. Era uma consulta por atacado. Nesta época éramos cinco irmãos. A médica conhecia a família toda e conversava muito conosco. Um dia ela disse que eu seria secretária, e ainda frisou que o salário era muito bom. Este fato marcou, pois ainda me lembro, mas o destino é mais forte. Eu deveria ter percebido, pois a brincadeira preferida era brincar de escolinha. Sentar meus irmãos e primos na sala e passar lição para eles na porta de madeira pintada de verde. Quando eu estava terminando a oitava série decidi fazer o magistério. Assim entrei na escola um pouco tarde para os atuais padrões, mas gostei tanto que até hoje não saí.
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