Me chamo Eric Fanuel.
Sou cantor e compositor. Nos dias que antecederam 22 de abril de 2022, eu estava preocupado.
Minha filha mais velha vinha sofrendo depressão.
Um dia, para me aproximar, mandei uma mensagem no WhatsApp e ela respondeu pedindo desculpas.
Eu disse que não precisava se desculpar, pois eu apenas estava preocupado.
Ela insistiu pedindo mais algumas vezes desculpas, culminando com o envio de uma foto, onde ela trocava o nome no RG para o gênero masculino.
Mais uma vez, não retruquei e respondi a ele: Eu te amo.
Porém, ainda havia uma luta interior acontecendo naquele jovem.
Dia 22 de abril de 2022 chegou.
Era dia de um show meu e a casa estava cheia, quando recebi uma ligação dizendo que meu filho estava na emergência.
Parei o show e corri até o hospital, sabendo já que ele havia ingerido uma substância.
Uma hora após o procedimento, o médico chamou a família e disse desconhecer a substância, pois era algo raro.
Disse também que pressão e saturação estavam quase zero e que não tinha o que fazer.
Ali desisti.
Porém, antes que o antídoto fosse descoberto pela Anvisa e aplicado.
Sete horas depois do fim, proclamado pelo médico.
Meu filho acordava.
Sozinho.
Na força sobrenatural de Deus, os Orixás e toda a fé dos amigos.
Era o universo provando ao meu filho, que o ama do jeito que ele é.
Dali em diante, ainda lutando contra o preconceito dentro da família, nos aproximamos.
Hoje escrevo sobre diversidade e nunca, nunca mais, duvidei de milagre.
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