No abraço de um bom amigo, pensamos ser possível eternizar o momento feliz. Este sentimento, recebi de meu pai em cada demonstração de carinho que ganhávamos dele quando viajávamos para rever a familia distante. Possível somente duas vezes ao ano, apesar da saudade e dos poucos 400 quilômetros de ida que nos separavam.
Foi nesta distância que recebi, após o almoço de sábado, a notícia de seu derrame. Ele estava inconsciente no quarto de hospital. Aparelhagens, medicamentos, ambiente com monitores diversos, bipes, alertas, sinais que se confundiam com seu subconsciente que não conseguia mais expressar as palavras que se passavam em seu coração.
Eu em Cascavel, impossibilitado de viajar, passei o sábado e domingo sem notícias. No Culto à noite estava na Igreja, como ouvinte. Enquanto o Pastor ministrava, minha mente estava distante, pensando nos momentos que havia passado com meu pai e agora sem ao menos poder me despedir. Sempre fui o mais ausente, o filho que sempre morou em outras cidades e, de repente, o inesperado aconteceu e me pegou de surpresa, eu não disse adeus e nem cuidei dele em seus últimos dias.
Naquele momento, sentado ali no banco da Igreja, um calor percorreu todo meu corpo e não vi ou ouvi mais nada além das batidas de meu relógio. Um tique-taque descompassado que começava a sumir também, marcando nove horas da noite. Levantei o rosto e, pasmem, me vi no quarto onde meu pai se encontrava no hospital. Eu estava encostado na porta de entrada, me deparei com meu pai, ali, deitado em uma cama de hospital, com uma roupa que só lhe cobria a parte da frente, de repente, ele se levantou, girou para meu lado, colocando as pernas para fora da cama, sentando-se e começou a arrancar os adesivos dos fios que estavam em seu peito e braço. Sorridente como nunca o vi, tamanha a felicidade que queria compartilhar naquele instante.
- Pai!!! O que está fazendo?!
Foi então que reparei que ele estava calçado com coturnos nos seus...
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No abraço de um bom amigo, pensamos ser possível eternizar o momento feliz. Este sentimento, recebi de meu pai em cada demonstração de carinho que ganhávamos dele quando viajávamos para rever a familia distante. Possível somente duas vezes ao ano, apesar da saudade e dos poucos 400 quilômetros de ida que nos separavam.
Foi nesta distância que recebi, após o almoço de sábado, a notícia de seu derrame. Ele estava inconsciente no quarto de hospital. Aparelhagens, medicamentos, ambiente com monitores diversos, bipes, alertas, sinais que se confundiam com seu subconsciente que não conseguia mais expressar as palavras que se passavam em seu coração.
Eu em Cascavel, impossibilitado de viajar, passei o sábado e domingo sem notícias. No Culto à noite estava na Igreja, como ouvinte. Enquanto o Pastor ministrava, minha mente estava distante, pensando nos momentos que havia passado com meu pai e agora sem ao menos poder me despedir. Sempre fui o mais ausente, o filho que sempre morou em outras cidades e, de repente, o inesperado aconteceu e me pegou de surpresa, eu não disse adeus e nem cuidei dele em seus últimos dias.
Naquele momento, sentado ali no banco da Igreja, um calor percorreu todo meu corpo e não vi ou ouvi mais nada além das batidas de meu relógio. Um tique-taque descompassado que começava a sumir também, marcando nove horas da noite. Levantei o rosto e, pasmem, me vi no quarto onde meu pai se encontrava no hospital. Eu estava encostado na porta de entrada, me deparei com meu pai, ali, deitado em uma cama de hospital, com uma roupa que só lhe cobria a parte da frente, de repente, ele se levantou, girou para meu lado, colocando as pernas para fora da cama, sentando-se e começou a arrancar os adesivos dos fios que estavam em seu peito e braço. Sorridente como nunca o vi, tamanha a felicidade que queria compartilhar naquele instante.
- Pai!!! O que está fazendo?!
Foi então que reparei que ele estava calçado com coturnos nos seus pés.
- Calma Denão. Agora eu estou bem, pois sou um soldado promovido pelo Pai Celeste.
Fui caminhar em sua direção e quase chutei o banco da frente ao meu na igreja. Olhei para o lado e todos estavam normais, como se nada tivesse acontecido. Percebi então que estava na Igreja. Me emocionei muito, tentei segurar as lágrimas, fitei os olhos da esposa e lhe disse: “meu pai acabou de morrer. Amanhã, quando formos a Londrina, te conto detalhes”.
No outro dia a confirmação de sua partida, eu não disse nada a ninguém sobre o ocorrido na Igreja, pois nao sabia se era sonho ou loucura minha. Falei a Deus que deveria ter sido coisa da minha cabeça, loucura com saudade, ficção com verdade e só iria falar sobre isso se houvesse uma confirmação de outra pessoa de outra cidade que nada sabia sobre eu ali na igreja tendo uma visão louca, pois se foi tudo real, Deus poderia fazer essa confirmação sem problemas, para Deus nada é impossivel, e assim que a gente passa a crer cada vez mais em Sua Palavra, a Bíblia, na pratica.
No culto de homenagem, no velório, muita gente esteve presente. Quanto a mim, fui ficar um pouco isolado dos demais já sentindo a dor da saudade, que era muito forte e chorei. Nisso, um pastor amigo, da cidade de Sabáudia, levantou-se de seu lugar e veio em minha direção, abraçou-me e disse:
- Filho, tranquilize seu coração e conforta seus irmãos e sua mãe, pois seu pai foi um grande homem, um soldado, agora promovido pelo Pai Celeste.
Nesse momento não pude conter o choro forte, mais pela confirmação recebida do que pela perda. Misturou satisfação com agradecimento a Deus. Embaralhou alegria com choro. Acontecimento natural de um Deus de poder. Milagre sobrenatural para uma pessoa como eu.
A despedida de meu paizão, mesmo em cidades diferentes, sempre presente.
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