Marizia sinônimo de força e coragem
Marizia da Silva nasceu em Porto Walter, Acre, no dia 19 de fevereiro de 1770. Desde criança, já mostrava ser muito esforçada e sempre corria atrás do que queria.
Com 4 anos de idade ela foi morar no município de Cruzeiro do Sul com seus pais e mais quatro irmãos. Marizia, ao chegar em Cruzeiro do Sul, ganhou de seu primo Osmar, que era muito bem-sucedido, uma bolsa de estudos no renomado Instituto Santa Terezinha, que é mais conhecido como o colégio das Freiras.
Esse colégio era uma grande referência naquela época por ter uma boa educação e ser muito disciplinado. Marizia conta que, ao estudar nesse colégio, ela teve várias lições e traumas também. Ela conta que as regras do colégio eram muito rígidas, onde as vestimentas dos alunos tinham que estar em perfeitas condições. O conteúdo era bastante memorizado e repetitivo e quando ela não acertava alguma pergunta feita pela professora ela era disciplinada com o uso da palmatória.
Mariza não tinha muito o apoio dos pais e por serem bem rígidos, eles achavam que ali era a melhor forma dela ser alguém na vida. Apesar de ter ganhado uma bolsa de estudos, Marizia não terminou os estudos e parou apenas na sétima série do ensino fundamental II, por conta de que queria trabalhar e ser independente e ajudar em casa. Mariza morava na casa de seus pais, seu Otávio Fortunado da Silva e a Dona Maria Helena da Silva. Mariza conta que eles eram bem rígidos e que ela cresceu apanhando, mas fala que isso fez dela ser o que é hoje.
Sua mãe nunca trabalhou fora de casa, pois seu pai não deixava, então, o que ela poderia fazer era cuidar da casa e de sua família. Seu pai, Otávio, era um seringueiro da borracha, um homem muito trabalhador e honesto. Mariza fala que ele mesmo construía suas casas e mexia com gados e terra. Ele não era muito amoroso, tratava ela e seus irmãos com muita firmeza e disciplina. Com 15...
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Marizia sinônimo de força e coragem
Marizia da Silva nasceu em Porto Walter, Acre, no dia 19 de fevereiro de 1770. Desde criança, já mostrava ser muito esforçada e sempre corria atrás do que queria.
Com 4 anos de idade ela foi morar no município de Cruzeiro do Sul com seus pais e mais quatro irmãos. Marizia, ao chegar em Cruzeiro do Sul, ganhou de seu primo Osmar, que era muito bem-sucedido, uma bolsa de estudos no renomado Instituto Santa Terezinha, que é mais conhecido como o colégio das Freiras.
Esse colégio era uma grande referência naquela época por ter uma boa educação e ser muito disciplinado. Marizia conta que, ao estudar nesse colégio, ela teve várias lições e traumas também. Ela conta que as regras do colégio eram muito rígidas, onde as vestimentas dos alunos tinham que estar em perfeitas condições. O conteúdo era bastante memorizado e repetitivo e quando ela não acertava alguma pergunta feita pela professora ela era disciplinada com o uso da palmatória.
Mariza não tinha muito o apoio dos pais e por serem bem rígidos, eles achavam que ali era a melhor forma dela ser alguém na vida. Apesar de ter ganhado uma bolsa de estudos, Marizia não terminou os estudos e parou apenas na sétima série do ensino fundamental II, por conta de que queria trabalhar e ser independente e ajudar em casa. Mariza morava na casa de seus pais, seu Otávio Fortunado da Silva e a Dona Maria Helena da Silva. Mariza conta que eles eram bem rígidos e que ela cresceu apanhando, mas fala que isso fez dela ser o que é hoje.
Sua mãe nunca trabalhou fora de casa, pois seu pai não deixava, então, o que ela poderia fazer era cuidar da casa e de sua família. Seu pai, Otávio, era um seringueiro da borracha, um homem muito trabalhador e honesto. Mariza fala que ele mesmo construía suas casas e mexia com gados e terra. Ele não era muito amoroso, tratava ela e seus irmãos com muita firmeza e disciplina. Com 15 anos, Marizia resolve ir trabalhar, seu primeiro trabalho foi como babá e, logo no primeiro dia de trabalho, ela conta que o seu pai foi buscá-la, pois ele falava que “filha dele não trabalhava na casa dos outros” …, Mas Mariza também fala que ele não dava nada para ela, além de casa e comida.
Com 17 anos de idade, Mariza veio sozinha para Porto Velho, onde passou por muitas lutas para conseguir sua independência. Ela voltou a trabalhar como babá e, como não conhecia nada na cidade ainda morava junto com a criança e a família. Marizia conta que ela passou por muitos apuros, pois ela sofria muito morando com essa família, ela relata que eles davam somente o mínimo para ela e que ainda quase foi estuprada pelo pai da criança e, como naquela época, as mulheres não tinham voz, ela se calava, pois não tinha para onde ir.
Mariza passou um ano sendo babá e morando com essa família e logo depois ela conseguiu alugar um apartamento, onde sua vida ia tomar definitivamente um rumo. Ela começou a trabalhar numa loja de roupa feminina, e apanhou muito da vida porque viu que, para se manter, tinha que aguentar quase tudo calada. Nessa loja, Marizia conta que tinham outras jovens assim como ela, muitas vieram de outros municípios e que suas vontades de vencer na vida eram grandes e por isso elas poderiam fazer de tudo para conseguir serem bem-vistas. Passaram-se 3 meses que seu irmão mais velho, Elson da Silva, veio morar em Porto Velho também e Marizia fala que, ao invés de melhorar, as coisas ficaram piores, pois seu irmão, como aprendeu com seu pai, não deixava mulher nenhuma sair de casa e nem trabalhar. Marizia não queria viver tudo aquilo de novo e então resolveu ir embora de Porto Velho e se mudou para Rio Branco, Acre.
Marizia fala que, como ela já teve a experiência de começar tudo do zero, para ela foi mais fácil começar ali, pois força de vontade era o que ela mais tinha. Ao chegar em Rio Branco, ela ficou na casa de uma amiga de infância, e elas dividiam as despesas, Marizia fala que foi uma experiência muito boa, pois em Porto Velho ela se sentia muito sozinha.
Passaram-se 6 meses, Marizia conhece um homem chamado Carlos Alberto da Silva Melo, e em menos de 3 meses de namoro ela engravidou de sua primeira filha, e deu-lhe o nome de Luena da Silva Melo; Mariza ali se viu sem chão, pois ela tinha apenas 21 anos e tinha perdido o contato com sua família, ela só podia contar com esse homem que seria o futuro pai de sua filha. Mariza conta que, quando sua filha nasceu, ela foi morar com a família de seu marido. Ela fala que ali foi uma experiência muito dolorosa, pois ela era muito humilhada pela família de seu marido e principalmente sua sogra.
Quando a criança completou um ano de vida, Mariza foi embora dali e voltou para novamente para Cruzeiro do sul e acabou deixando sua filha para ser criada pelos avós paternos, pois ela ficou com receio de sua família não aceitar a sua filha. Marizia fala que hoje se arrepende muito, pois, na época, ela era muito nova e se via completamente sozinha, pois o pai da criança não dava nenhuma assistência a elas. Marizia não passou muito tempo em Cruzeiro e resolveu voltar para Rio Branco e com idas e vindas, resolveu dar outra oportunidade para seu ex companheiro. Eles se casaram e moraram juntos, mas a sua primeira filha não se adaptou mais com ela e Marizia resolveu deixar a menina com seus avós.
Aos 22 anos, Marizia engravidou novamente de uma menina a quem ela deu o nome de Luana. Dessa vez, ela era mais feliz, os dois estavam crescendo juntos. Aos 24 anos Marizia engravidou novamente e, agora, para a sua surpresa, era de gêmeas. Marizia não acreditou naquilo, mas o que bastava era aceitar. Seu irmão caçula, ao ver que Marizia estava passando por sérias dificuldades, resolve criar Luana, a segunda filha de Marizia, e ele a levou para Cruzeiro do Sul, para junto de seus avós. Marizia fala que, na gravidez de suas gêmeas, ela sofreu muito, o seu companheiro entrou no mundo das drogas e tudo o que ele via dentro de casa ele vendia.
Ela conta que eles passavam por muitas dificuldades e que ainda trabalhava com um enorme barrigão. Seu sogro, Omar, alugou um apartamento e Marizia deixou seu companheiro novamente. Marizia fala que seu sogro o ajudou muito, pois ele dava todo mês um sacolão para ela e uma igreja que tinha ao lado de seu apartamento ajudava sempre que podia. Passaram-se sete meses e as crianças nasceram, a primeira veio de parto normal, já a segunda, Cesária. Marízia conta que quase morreu, pois, suas filhas tiveram 3 horas de diferença uma da outra, elas nasceram muito magrinhas também. Marizia, ao ver aquela situação, só pediu forças a Deus para continuar e que livrasse suas filhas da morte.
Passaram alguns meses e suas filhas foram se desenvolvendo e crescendo e depois de um ano Marizia engravida novamente e agora de um menino. Ela ficou muito feliz, porque seu sonho era ser mãe de um menino. Mariza volta para Cruzeiro com seus três filhos e sua família de lá a recebe de braços abertos. Lá ela foi trabalhando e conquistando suas coisas, seu pai comprou uma casa para ela, onde ela morou com seus três filhos. Marizia comprou um bar, onde ela recebia muito bem, lá ela tirava seu sustento e dava para ter uma vida até que boa.
Aos 40 anos, Marizia perde sua mãe. Ela se viu desolada, o mundo, para ela, tinha acabado, mas ela tinha que seguir em frente, pois seus filhos precisavam dela. Marizia decide voltar para Rio Branco com seus filhos já adolescentes, Marizia sabia que era uma boa oportunidade para ela e seus filhos por se tratar de uma cidade maior. Depois de 2 anos, Marizia recebe a notícia de que seu pai havia falecido, Marizia voltou às pressas para Cruzeiro do Sul, onde teve a honra, de pelo menos, ver o rosto de seu pai pela última vez. Já faz 12 anos que Marizia mora em Rio Branco, seus filhos são todos maiores de idade, trabalham e fazem faculdade. Marizia, hoje, tem 53 anos de idade e tem um ponto de venda de gás, da onde ela tira seu sustento. Ela não terminou seus estudos, mas ainda sonha com isso. Ela já tem a sua casa e carro próprio. Ela diz que sua história é muito dolorida, mas foi preciso ela passar por tudo isso para ser quem ela é hoje.
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