1º de Maio de 1970, o então presidente ditador, Emílio Garrastazu Médici, transmite em rede nacional de rádio e televisão, direto do Palácio das Laranjeiras, mensagem aos milhares de trabalhadores brasileiros. Discursa ele: "Trabalhadores de meu país. Sempre que falo à Nação, busco convocar todas as consciências para o grande esforço de realização do objetivo fundamental de meu governo, que é o de acelerar e antecipar o desenvolvimento brasileiro...".
Milhares de quilômetros de distância do Palácio Presidencial, lá pelos pagos de Cruz Alta, terra do ilustre escritor Érico Veríssimo, uma pacata e aristocrática "cidadela" incrustada na região noroeste do estado do Rio Grande do Sul, vive Maria, mais uma de tantas "Marias" que "insistem" e sobrevivem em solo nacional, aguardando ansiosamente pelo tal do "...acelerar e antecipar o desenvolvimento brasileiro...", que custa chegar lá pelas bandas da região celeiro.
Maria, sentada no banco traseiro de um automóvel de um solidário amigo, segue rumo ao hospital mais próximo. No percurso, que parece não ter fim, sofre com as dores das contrações que indicam que entrou em trabalho de parto e que mais um "índio véio bagual" está a caminho. Chegando ao hospital, ou melhor, um "bolicho" que combinava açougue com clínica de(des)atendimento médico, Maria, em meio aos prantos e as dores incessantes, dá à luz ao seu terceiro filho, um "Indio véio" magricelo, com mais cara de "fruta seca" do que qualquer outra coisa. Veio ao mundo mais um "extraviado". Maria, fã de alguns cantores de música popular da época, não pestaneja, e contempla seu rebento com o nome de um dos seus prediletos, Antonio Marcos, o "famoso" marido da cantora Vanusa (aquela mesma, que aniquilou com o Hino Nacional, em uma de suas recentes aparições ). Como nome é algo dado, não podemos escolher, cá estou ainda hoje "carregando esta cruz", mas não desanimo, poderia ter sido pior, Maria poderia ter escolhido...
Continuar leitura
1º de Maio de 1970, o então presidente ditador, Emílio Garrastazu Médici, transmite em rede nacional de rádio e televisão, direto do Palácio das Laranjeiras, mensagem aos milhares de trabalhadores brasileiros. Discursa ele: "Trabalhadores de meu país. Sempre que falo à Nação, busco convocar todas as consciências para o grande esforço de realização do objetivo fundamental de meu governo, que é o de acelerar e antecipar o desenvolvimento brasileiro...".
Milhares de quilômetros de distância do Palácio Presidencial, lá pelos pagos de Cruz Alta, terra do ilustre escritor Érico Veríssimo, uma pacata e aristocrática "cidadela" incrustada na região noroeste do estado do Rio Grande do Sul, vive Maria, mais uma de tantas "Marias" que "insistem" e sobrevivem em solo nacional, aguardando ansiosamente pelo tal do "...acelerar e antecipar o desenvolvimento brasileiro...", que custa chegar lá pelas bandas da região celeiro.
Maria, sentada no banco traseiro de um automóvel de um solidário amigo, segue rumo ao hospital mais próximo. No percurso, que parece não ter fim, sofre com as dores das contrações que indicam que entrou em trabalho de parto e que mais um "índio véio bagual" está a caminho. Chegando ao hospital, ou melhor, um "bolicho" que combinava açougue com clínica de(des)atendimento médico, Maria, em meio aos prantos e as dores incessantes, dá à luz ao seu terceiro filho, um "Indio véio" magricelo, com mais cara de "fruta seca" do que qualquer outra coisa. Veio ao mundo mais um "extraviado". Maria, fã de alguns cantores de música popular da época, não pestaneja, e contempla seu rebento com o nome de um dos seus prediletos, Antonio Marcos, o "famoso" marido da cantora Vanusa (aquela mesma, que aniquilou com o Hino Nacional, em uma de suas recentes aparições ). Como nome é algo dado, não podemos escolher, cá estou ainda hoje "carregando esta cruz", mas não desanimo, poderia ter sido pior, Maria poderia ter escolhido algo do tipo Odair José ou Amado Batista. Continua...........
Recolher