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Personagem: Anônimo
Por: Museu da Pessoa, 4 de julho de 2012

Mães que lutam por seus filhos

Esta história contém:

Mães que lutam por seus filhos

Na minha infância a gente morava na Bahia, no interior, numa casa simples de taipa, sem água encanada. Minha mãe era lavadeira e lavava as roupas da freguesia num riacho que tinha perto de casa. Era ela quem mantinha a casa, o salário do meu pai era gasto em farra, com bebida e nos bordéis. Ele era alcoólatra, violento, às vezes chegava em casa quebrando as coisas.

Até um potezinho que minha mãe comprava, quando chegava quebrava, se o achasse sem água ele quebrava. Porque era muito difícil pegar água, tinha um dia de pegar água doce e água salobra, então o chafariz abria de dois em dois dias para a gente poder pegar água doce para beber. Geralmente eu e a minha irmã mais velha que íamos buscar, era muito longe. Então, tinha dias que quando ele chegava e não tinha água na telha, ele quebrava, xingava e quebrava.

Quando a gente saiu pra viver na capital, éramos meu pai, minha mãe, eu e nove irmãos, três irmãos meus haviam morrido ainda bebês. A gente pensava que a vida ia melhorar, mas nunca é assim. Fomos morar com a minha avó mas no dia que minha avó bebia, colocava todo mundo para fora. Depois fomos morar de aluguel em cima do mar. Quando chovia, era uma lama só, e se a maré enchia, a gente subia na cama e minha mãe cozinhava com as pernas na água.

Não era só coisa ruim que acontecia, tinha coisa boa também. Meu pai era ótimo quando estava bom, mas quando bebia, era um inferno. Ele morreu de cirrose, era alcoólatra. É ruim a gente ver a família toda se destruindo.

Comecei a trabalhar muito cedo, trabalhei de babá e de arrumadeira. Até que conheci meu marido e tive um pouco de descanso. Namorei com dezessete anos, com dezoito casei e formamos uma família. Quando fiz vinte e dois anos tive a minha primeira filha e, depois de três anos, veio mais uma menina.

Passei um bom tempo só cuidando da casa, depois fui trabalhar na feira para ajudar meu marido. Às vezes acordava às duas horas da madrugada...

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Dados de acervo

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Projeto Memórias e Histórias de Mudanças Depoimento de "Margarida" Entrevistada por Fernanda Prado e Karen Worcman Salvador, 04 de Julho de 2012. Realização Museu da Pessoa Entrevista VV_HV014 Transcrito por Karina Medici Barrella / MW Transcrições (Mariana Wolf) Revisado por Carolina Cervera Faria Nesta entrevista foram utilizados nomes fantasia para preservar a integridade da imagem dos entrevistados. A entrevista na íntegra bem como a identidade dos entrevistados tem veiculação restrita e qualquer uso deve respeitar a confidencialidade destas informações. Para ter acesso à entrevista na íntegra, entre em contato com museologia@museudapessoa.net.

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